A perda ou redução da visão geralmente está associada a problemas oftalmológicos comuns, como catarata, glaucoma ou doenças da retina. No entanto, especialistas alertam que, em situações mais raras, esse sintoma também pode indicar a presença de um aneurisma cerebral, principalmente quando surge de forma repentina e acompanhado de outros sinais neurológicos.
Embora seja uma condição incomum, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Quando identificado antes de causar danos permanentes, o aneurisma pode ser tratado, aumentando as chances de preservar a visão e evitar complicações graves, como a ruptura do vaso sanguíneo.
Quando a alteração na visão merece atenção?
Segundo o neurocirurgião Feres Chaddad, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aneurismas localizados próximos à artéria oftálmica podem comprimir o nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro.
À medida que a dilatação aumenta, podem surgir sintomas como perda gradual da visão, alterações no campo visual e visão dupla. Nos casos em que ocorre a ruptura do aneurisma, a piora visual pode ser súbita e acompanhada de uma hemorragia cerebral, situação considerada uma emergência médica.
“Se o tratamento for feito antes de o nervo óptico sofrer dano grave, as chances de manter ou até melhorar a visão são boas”, explica o especialista.
Além da perda visual, outros sintomas considerados sinais de alerta incluem:
- Dor intensa atrás dos olhos;
- Visão dupla;
- Queda da pálpebra;
- Alteração no tamanho da pupila;
- Áreas escuras no campo de visão;
- Dor de cabeça muito forte e repentina.
Diante desses sinais, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Nem toda alteração visual é causada por aneurisma
Apesar do alerta, os especialistas ressaltam que a maioria dos casos de redução da visão está relacionada a doenças muito mais frequentes.
De acordo com o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, alterações visuais costumam estar associadas a catarata, glaucoma, doenças da retina, complicações do diabetes, enxaqueca com aura ou até acidente vascular cerebral (AVC).
Segundo ele, o que realmente aumenta a suspeita para um aneurisma é quando a alteração visual é nova, inesperada, progressiva ou vem acompanhada de sintomas neurológicos importantes.
Como é feito o diagnóstico?
Quando existe suspeita de aneurisma cerebral, o paciente passa inicialmente por avaliação oftalmológica e neurológica completa.
Entre os exames realizados estão:
- Teste de acuidade visual;
- Avaliação do campo visual;
- Exame das pupilas;
- Movimentação dos olhos;
- Fundo de olho.
Caso a suspeita permaneça, exames de imagem ajudam a confirmar o diagnóstico, como:
- Angiotomografia;
- Angiorressonância;
- Angiografia cerebral.
Nos casos em que há suspeita de ruptura do aneurisma, a tomografia de crânio costuma ser o primeiro exame solicitado para identificar possíveis hemorragias.
Quem apresenta maior risco?
Especialistas apontam que alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver um aneurisma cerebral, entre eles:
- Hipertensão arterial;
- Tabagismo;
- Histórico familiar de aneurisma;
- Doença renal policística;
- Doenças genéticas do tecido conjuntivo;
- Mulheres;
- Pessoas com mais de 40 anos.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa desenvolverá um aneurisma, mas reforça a importância do acompanhamento médico e do controle das condições de saúde.
Tratamento pode evitar sequelas
O tratamento varia conforme o tamanho, a localização e as características do aneurisma. As opções incluem cirurgia para colocação de um clipe na base da lesão ou procedimentos endovasculares, realizados por meio dos vasos sanguíneos, sem necessidade de cirurgia aberta em muitos casos.
Os especialistas destacam que quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de preservar a visão, evitar danos permanentes ao nervo óptico e reduzir o risco de complicações potencialmente fatais decorrentes da ruptura do aneurisma.
Atenção aos sinais pode salvar vidas
Embora a redução da visão esteja, na maioria das vezes, relacionada a doenças oculares comuns, mudanças repentinas na capacidade de enxergar, especialmente quando acompanhadas por dor de cabeça intensa, visão dupla ou alterações nas pupilas, nunca devem ser ignoradas.
Buscar atendimento médico rapidamente diante desses sintomas pode ser decisivo para o diagnóstico precoce e para a preservação da visão e da própria vida.
















