O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (5), repúdio à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano como “falsas” e afirmou que a medida representa mais um capítulo da crescente tensão diplomática entre os dois países.

A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA, que alegou que o Brasil estaria demorando para conceder a aprovação diplomática (agrément) ao indicado do presidente Donald Trump para assumir a embaixada norte-americana em Brasília.

Governo brasileiro contesta justificativas

Na manifestação oficial, o governo brasileiro negou as acusações e afirmou que os Estados Unidos desrespeitaram a praxe diplomática ao divulgar publicamente o nome do indicado antes mesmo da conclusão do processo formal de autorização.

Segundo a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o procedimento adotado por Washington contrariou a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que regula as relações entre os países.

O governo ressaltou ainda que o pedido de agrément continua em análise e destacou que não existe prazo determinado pela Convenção de Viena para a concessão dessa autorização diplomática.

Acusações de interferência

O Planalto também relacionou o episódio à recente negativa de vistos para dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

De acordo com o governo brasileiro, havia preocupação de que a visita pudesse ser utilizada para levantar questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Na nota, o governo afirma que existe uma tentativa de interferência em assuntos internos do país e menciona preocupação com o processo eleitoral brasileiro.

“Escalada de medidas hostis”

O texto divulgado pelo governo brasileiro afirma que a revogação do visto da embaixadora não é um episódio isolado.

Segundo o comunicado, a decisão integra uma “escalada deliberada de medidas hostis” adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, motivadas por divergências de natureza ideológica que, na avaliação do Planalto, não condizem com a tradição de respeito mútuo que historicamente marcou a relação bilateral.

Sanções também foram lembradas

Na nota, o governo federal recordou que autoridades brasileiras, incluindo integrantes do Executivo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), permanecem sob sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

O Palácio do Planalto afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado manter o diálogo com o governo norte-americano e lembrou que, durante visita a Washington realizada em maio deste ano, solicitou ao presidente Donald Trump a revisão das sanções aplicadas a autoridades brasileiras.

Relação entre Brasil e EUA vive momento de tensão

A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti amplia o clima de tensão entre Brasília e Washington em um momento marcado por divergências diplomáticas, questionamentos sobre procedimentos protocolares e declarações públicas de ambos os governos.

Especialistas avaliam que o episódio representa um dos momentos mais delicados das relações entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos. A expectativa agora é de que novas negociações diplomáticas possam contribuir para reduzir o impasse e preservar a cooperação entre as duas maiores democracias do continente.