A Fifa esteve muito próxima de assumir o controle da polêmica Superliga Europeia, projeto que pretendia reunir os maiores clubes do continente em uma competição independente da Liga dos Campeões da Europa. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian, que revelou a existência de negociações avançadas entre a entidade máxima do futebol e os idealizadores do torneio.

Segundo a publicação, um acordo preliminar chegou a ser elaborado, prevendo que a competição passasse a se chamar Superliga da Fifa. A proposta também estabelecia que a entidade presidida por Gianni Infantino administraria o torneio durante um período inicial de 12 anos.

Acordo previa nova estrutura para o futebol mundial

O projeto incluía a criação de uma joint venture, empresa formada em parceria entre a Fifa e os organizadores da Superliga, responsável pela gestão dos direitos comerciais e pela exploração financeira da competição.

Outro ponto previsto no documento era a realização de um Mundial de Clubes anual, além da redução das datas destinadas às seleções nacionais no calendário internacional.

Em contrapartida, a Fifa teria poder de veto sobre mudanças no formato da competição, na distribuição das receitas e em outras decisões estruturais.

Reação negativa fez entidade mudar de posição

Apesar das conversas avançadas, a forte repercussão negativa provocou uma mudança de postura da entidade.

Quando a Superliga foi anunciada, em 2021, clubes, ligas nacionais, torcedores, jogadores e dirigentes manifestaram forte oposição ao modelo da competição, considerado excludente por restringir a participação a um grupo seleto de equipes.

Diante da pressão, Gianni Infantino passou a declarar publicamente que “desaprovava veementemente” o projeto, afastando a Fifa das negociações.

O que foi a Superliga Europeia

Idealizada pelo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, a Superliga Europeia surgiu como uma alternativa à tradicional Liga dos Campeões da Europa, organizada pela Uefa.

O torneio reuniria alguns dos clubes mais tradicionais do continente, entre eles:

  • Real Madrid;
  • Barcelona;
  • Juventus;
  • Milan;
  • Inter de Milão;
  • Manchester United;
  • Manchester City;
  • Chelsea;
  • Liverpool;
  • Atlético de Madrid;
  • Arsenal;
  • Tottenham.

O formato seria semelhante ao das principais ligas esportivas dos Estados Unidos, com participação praticamente fixa dos clubes fundadores e poucas possibilidades de entrada de novas equipes.

O principal objetivo era aumentar as receitas e promover confrontos frequentes entre os maiores clubes europeus.

Entretanto, após a forte rejeição da comunidade do futebol, a maioria das equipes desistiu do projeto. Apenas Real Madrid e Barcelona permaneceram por mais tempo, encerrando definitivamente a iniciativa no início de 2026.

Infantino enfrenta momento de pressão política

A revelação das negociações ocorre em um período delicado para Gianni Infantino.

Segundo o The Guardian, federações nacionais da Europa retiraram apoio à sua permanência na presidência da Fifa, enquanto integrantes da Concacaf também demonstraram insatisfação com a condução da entidade.

Grande parte das críticas está relacionada ao projeto da Fifa Forward Enterprise (FFE), iniciativa que previa a criação de uma empresa para administrar os direitos comerciais das competições da entidade, com a possibilidade de venda de 20% de participação a investidores privados.

A proposta tinha como meta arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 22,8 bilhões), mas enfrentou forte resistência de federações e confederações, levando ao seu encerramento.

O episódio ampliou a crise política dentro da Fifa, considerada por analistas como uma das mais significativas desde que Gianni Infantino assumiu a presidência da entidade, em 2016.