Bancários por falta de uma proposta concreta de reajuste salarial apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante a sétima rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 aumentou a tensão entre trabalhadores e instituições financeiras. Diante do impasse, o Comando Nacional dos Bancários convocou assembleias em todo o país para a próxima segunda-feira (17), quando a categoria deverá avaliar a proposta apresentada pelos bancos e definir os próximos passos da mobilização.
Na Paraíba, 3.829 bancários integram a categoria e deverão ser chamados a participar das discussões. Entre as possibilidades que estarão em análise está a realização de uma paralisação de 24 horas na quinta-feira (20). A eventual mobilização, porém, ainda depende da decisão coletiva dos trabalhadores durante as assembleias.
A negociação mais recente ocorreu nesta quinta-feira (13), em São Paulo, e terminou sem que a Fenaban apresentasse um índice definido de reajuste salarial. Para os representantes dos trabalhadores, a ausência de uma proposta concreta representa um obstáculo para o avanço das negociações e mantém a campanha em um cenário de indefinição.
Bancos não apresentam índice de reajuste
Durante a sétima rodada de negociação, a Fenaban apresentou uma proposta que prevê o congelamento do piso de ingresso para novos bancários e a aplicação de reajustes diferenciados para três faixas salariais.
O problema, segundo a representação dos trabalhadores, é que os bancos não apresentaram quais seriam os parâmetros utilizados para definir essas faixas nem os respectivos percentuais de reajuste.
Na prática, os bancários ainda não têm uma definição clara sobre quanto poderiam receber de aumento, o que provocou reação das entidades sindicais.
A proposta também trouxe mudanças relacionadas aos benefícios oferecidos à categoria, ampliando o debate para além dos salários.
Entre os pontos apresentados pelos bancos está a possibilidade de alterações nos valores dos vales-refeição e alimentação para trabalhadores de cidades do interior. A justificativa apresentada durante a negociação foi a existência de custos menores com alimentação nessas localidades.
Pela proposta discutida, apenas trabalhadores das grandes capitais poderiam receber aumento nesses benefícios.
Sindicato considera proposta insuficiente
O Sindicato dos Bancários da Paraíba avalia que a proposta apresentada pela Fenaban não atende às reivindicações construídas pela categoria durante a campanha salarial.
A entidade também critica a tentativa de estabelecer diferenças entre trabalhadores com base em faixas salariais, defendendo que os avanços conquistados durante a negociação sejam aplicados de forma ampla.
Para o sindicato, os trabalhadores desempenham papel importante na geração dos resultados das instituições financeiras e, por isso, devem participar dos ganhos obtidos pelo setor.
A entidade defende a continuidade das negociações para buscar aumento real dos salários, valorização dos pisos, melhorias nos tíquetes de alimentação e refeição e avanços na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Outro ponto reivindicado pelos trabalhadores é a criação de um piso específico para profissionais que atuam na área de Tecnologia da Informação (TI), setor que ganhou importância crescente dentro do sistema financeiro.
Lucros do setor entram no debate
A capacidade financeira dos bancos também está no centro das discussões entre as partes.
Durante a negociação, representantes dos trabalhadores destacaram que o setor bancário registrou lucro de R$ 174 bilhões em 2025.
Na avaliação do Comando Nacional dos Bancários, os resultados apresentados pelo setor são incompatíveis com uma negociação na qual os trabalhadores não recebem uma proposta concreta de reajuste salarial.
Os representantes da categoria também chamaram atenção para a diferença existente entre a remuneração dos altos executivos das instituições financeiras e os salários recebidos pelos trabalhadores que atuam na base das empresas.
A questão da distribuição dos resultados é um dos elementos que tradicionalmente fazem parte das campanhas nacionais dos bancários.
Assembleia será decisiva
A próxima segunda-feira (17) será considerada uma data importante para a campanha salarial. Os bancários participarão de assembleias para avaliar a proposta apresentada pela Fenaban e decidir quais medidas deverão ser adotadas diante do atual impasse.
Entre as possibilidades está a realização de um dia nacional de mobilização, com eventual paralisação de 24 horas na quinta-feira (20).
A decisão, entretanto, não está tomada.
A paralisação somente será realizada caso seja aprovada pelos trabalhadores nas assembleias. O processo de decisão deverá ocorrer de maneira coletiva, respeitando as deliberações de cada entidade sindical.
Na Paraíba, os 3.829 bancários que integram a categoria serão chamados a acompanhar as discussões e participar da definição dos próximos passos.
O Sindicato dos Bancários da Paraíba orienta os trabalhadores a participarem das assembleias e acompanharem os comunicados oficiais relacionados à campanha.
Negociações continuam
Apesar da possibilidade de paralisação, as negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos não devem ser interrompidas.
Uma nova rodada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está prevista para terça-feira (18), um dia antes da data indicada para a eventual mobilização.
A proximidade entre a nova rodada de negociação e a possível paralisação poderá ser decisiva para os rumos da campanha.
Caso os bancos apresentem uma proposta considerada mais adequada pela categoria, a mobilização poderá ser reavaliada. Se não houver avanço, a tendência será de aumento da pressão dos trabalhadores sobre as instituições financeiras.
O objetivo das entidades sindicais é utilizar as negociações para alcançar um acordo que contemple as principais reivindicações apresentadas pela categoria.
Trabalhadores acompanham cenário com atenção
Para os bancários, a campanha salarial representa um momento importante para discutir não apenas reajustes, mas também condições de trabalho, benefícios, participação nos resultados e valorização profissional.
As transformações recentes no setor financeiro também trouxeram novas demandas para os trabalhadores. O avanço da digitalização, o crescimento dos serviços bancários por aplicativos e a expansão das áreas de tecnologia modificaram a rotina das instituições e de seus funcionários.
Nesse cenário, os sindicatos defendem que as mudanças no setor sejam acompanhadas por medidas de valorização profissional.
A criação de um piso para trabalhadores de Tecnologia da Informação é uma das reivindicações que refletem justamente essa transformação.
Paraíba participa das mobilizações nacionais
A categoria bancária paraibana deverá acompanhar de perto os próximos capítulos da campanha. Com 3.829 trabalhadores representados, o estado participa das discussões nacionais que envolvem bancários de diferentes regiões do país.
A possível paralisação de 24 horas ainda depende da decisão das assembleias, mas a convocação demonstra que a categoria está disposta a ampliar a mobilização caso não haja avanço nas negociações.
A expectativa agora está concentrada na assembleia de segunda-feira e na rodada de negociação marcada para terça-feira.
Esses dois momentos poderão definir se haverá paralisação no dia 20 de agosto ou se as partes conseguirão construir uma nova proposta capaz de evitar a mobilização.
Enquanto isso, trabalhadores e entidades sindicais seguem acompanhando as negociações e defendendo que o processo avance para uma solução que contemple as reivindicações da categoria.
A Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 entra, assim, em uma etapa decisiva, marcada pela pressão por reajuste salarial, valorização profissional e melhorias nos benefícios. A decisão final sobre uma eventual paralisação caberá aos próprios trabalhadores nas assembleias convocadas para a próxima segunda-feira.








