A situação dos recursos hídricos continua exigindo atenção na Paraíba. Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB) mostram que quatro açudes do estado estão completamente secos, enquanto outros 18 reservatórios apresentam volume inferior a 10% da capacidade total. O cenário reforça a importância do acompanhamento permanente dos mananciais, especialmente em regiões onde a disponibilidade de água está diretamente ligada ao abastecimento das comunidades, à produção rural e à atividade econômica.

No Vale do Piancó, região conhecida pela importância de seus reservatórios para o Sertão paraibano, os números também chamam atenção. Embora os açudes monitorados pela Aesa apresentem diferentes níveis de armazenamento, alguns ainda registram percentuais considerados baixos quando comparados à capacidade máxima.

Os dados fazem parte do acompanhamento realizado pelo órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos do estado. O monitoramento permite observar a evolução dos volumes armazenados e identificar situações que possam exigir maior atenção das autoridades e da população.

Entre os reservatórios acompanhados na região estão açudes localizados em municípios como Santana de Mangueira, Curral Velho, Nova Olinda, Conceição, Ibiara, Coremas, Boa Ventura, Itaporanga e Santana dos Garrotes.

Quatro açudes estão completamente secos

Segundo os dados divulgados pela Aesa-PB, quatro reservatórios paraibanos aparecem com 0,00% da capacidade de armazenamento.

São eles: Caraibeiras, em Picuí; Prata II, localizado no município de Prata; Sabonete, em Teixeira; e São Mamede, no município de São Mamede.

A situação desses reservatórios representa um dos níveis mais preocupantes dentro do sistema de monitoramento hídrico estadual. Quando um açude chega ao volume considerado completamente seco, a disponibilidade de água armazenada deixa de existir, aumentando a dependência de outras fontes e tornando ainda mais importante o planejamento do uso dos recursos disponíveis.

Além dos quatro reservatórios sem água armazenada, outros 18 açudes apresentam volume inferior a 10% da capacidade total. O quadro evidencia que diferentes regiões do estado enfrentam dificuldades relacionadas à disponibilidade hídrica.

Vale do Piancó exige atenção

No Vale do Piancó, os números são variados. Alguns reservatórios apresentam percentuais superiores a 40% ou 50%, enquanto outros permanecem em níveis mais baixos.

O açude Santana de Mangueira, conhecido como Poço Redondo, aparece com 17,97% da capacidade de armazenamento. É o menor percentual entre os reservatórios do Vale do Piancó listados nos dados apresentados pela Aesa.

Na sequência, aparecem Curral Velho, também conhecido como Bruscas, com 31,53%, e Nova Olinda, no Saco, com 32,31%.

Os números mostram que, apesar de não estarem completamente secos, esses reservatórios possuem uma quantidade de água significativamente abaixo da capacidade máxima.

Em períodos de menor ocorrência de chuvas, a redução dos volumes armazenados pode representar um desafio para comunidades que dependem dos mananciais para diferentes atividades.

Situação dos principais reservatórios

Entre os açudes monitorados no Vale do Piancó está o reservatório de Conceição, conhecido como Serra Vermelha I, que apresenta 41,52% de sua capacidade.

Outro reservatório localizado em Conceição, denominado Condado, registra 41,90%.

Em Ibiara, o açude Piranhas aparece com 42,46% da capacidade de armazenamento. Já o reservatório Mameluco, também localizado no município, registra 47,53%.

No município de Coremas, um dos principais pontos de referência hídrica do Sertão paraibano, os dados indicam 45,72% para o açude Coremas e 45,82% para Mãe d’Água.

Boa Ventura, por sua vez, aparece com o açude Riacho Verde registrando 47,43%.

Os maiores percentuais entre os reservatórios do Vale do Piancó citados no levantamento estão em Itaporanga e Santana dos Garrotes.

O açude Cachoeira dos Alves, em Itaporanga, registra 54,52% da capacidade total. Já o reservatório Queimadas, em Santana dos Garrotes, apresenta 54,61%.

Apesar de os números serem superiores aos registrados por alguns outros açudes da região, ainda existe uma parcela significativa da capacidade que permanece sem armazenamento.

Água é fundamental para o Sertão

No Sertão da Paraíba, os reservatórios desempenham papel essencial. A água armazenada é utilizada para diferentes finalidades, incluindo abastecimento humano, atividades agrícolas, criação de animais e outros usos autorizados.

Por isso, acompanhar os níveis dos açudes não é apenas uma questão de números. Para muitas famílias que vivem na região, o volume dos reservatórios influencia diretamente a rotina e as perspectivas para os meses seguintes.

Em comunidades rurais, por exemplo, a disponibilidade de água pode determinar a continuidade de determinadas atividades produtivas. Para agricultores e criadores, períodos de armazenamento reduzido exigem planejamento ainda maior para evitar desperdícios e garantir o uso racional dos recursos disponíveis.

A situação também reforça a importância das políticas públicas voltadas para segurança hídrica, especialmente em uma região historicamente marcada por períodos de estiagem e pela irregularidade das chuvas.

Monitoramento ajuda na tomada de decisões

A Aesa-PB realiza o acompanhamento dos principais reservatórios da Paraíba justamente para permitir que o poder público tenha informações atualizadas sobre a situação dos mananciais.

Os dados servem como uma ferramenta importante para a gestão das águas, permitindo observar o comportamento dos açudes ao longo do tempo e planejar ações de acordo com a disponibilidade hídrica.

O monitoramento também ajuda a identificar regiões que podem enfrentar maior pressão sobre os recursos disponíveis.

A evolução dos volumes depende de diversos fatores, entre eles a ocorrência de chuvas, a entrada de água nos reservatórios, a evaporação e o consumo.

Por isso, um percentual registrado em determinado momento não significa necessariamente que a situação permanecerá igual durante todo o ano. Os volumes podem aumentar com a chegada de chuvas significativas ou diminuir durante períodos prolongados de estiagem e maior demanda.

Cenário exige uso consciente

Diante dos números apresentados pela Aesa, o cenário reforça a necessidade de utilização responsável da água.

O cuidado deve partir tanto dos órgãos públicos quanto da população. Evitar desperdícios, utilizar a água de maneira consciente e acompanhar as orientações das autoridades são atitudes importantes, principalmente quando alguns reservatórios apresentam níveis reduzidos.

A situação dos quatro açudes completamente secos e dos 18 reservatórios abaixo de 10% serve como alerta sobre a necessidade de planejamento permanente.

No Vale do Piancó, mesmo os reservatórios que apresentam percentuais superiores a 40% ou 50% precisam continuar sendo monitorados. A disponibilidade atual não elimina a necessidade de cautela, principalmente diante da possibilidade de mudanças no regime de chuvas.

Para quem vive no Sertão, cada percentual representa muito mais do que um dado em uma tabela. Ele traduz a quantidade de água disponível para sustentar comunidades, animais, plantações e atividades que dependem diretamente dos recursos hídricos.

A expectativa é de que o monitoramento continue permitindo às autoridades acompanhar de perto a situação dos mananciais paraibanos e adotar medidas necessárias sempre que houver risco de agravamento.