Aos 90 anos, Alaíde Costa continua transformando a passagem do tempo em matéria-prima para a música. Em 2026, a cantora gravou um novo álbum de canções inéditas que recebeu um título tão intenso quanto a trajetória de uma das vozes mais marcantes da música brasileira: “Meu vício na dor de amar demais”.

O nome do trabalho vem de uma composição inédita de Guilherme Arantes em parceria com Nando Reis, criada especialmente para Alaíde. O álbum tem lançamento previsto para novembro e representa o capítulo final de uma trilogia artística idealizada pelo produtor Marcus Preto e pelo rapper e compositor Emicida.

Mais do que um novo disco, o projeto simboliza uma fase de renovação na carreira de Alaíde. Aos 90 anos, a artista mostra que a idade não representa um ponto final para a criatividade. Pelo contrário: sua voz continua encontrando novas histórias, compositores e sonoridades para interpretar.

Um título que traduz a intensidade de Alaíde

“Meu vício na dor de amar demais” carrega no próprio nome uma característica presente em grande parte do repertório de Alaíde Costa: a capacidade de transformar sentimentos profundos, especialmente o amor, a saudade e a melancolia, em música.

A composição que dá nome ao álbum foi escrita por Guilherme Arantes e Nando Reis e passa a integrar uma coleção de canções inéditas preparadas especialmente para a cantora.

A escolha do título também reforça a identidade artística construída por Alaíde ao longo de décadas. Dona de uma interpretação marcada pela delicadeza e pela emoção, ela sempre encontrou na música uma maneira particular de falar sobre sentimentos que fazem parte da experiência humana.

Agora, essa sensibilidade encontra uma nova geração de compositores e músicos, criando uma ponte entre diferentes momentos da música brasileira.

Terceiro capítulo de uma trilogia

O novo álbum encerra uma trilogia iniciada em 2022 com “O que meus calos dizem sobre mim”.

O projeto marcou uma nova etapa na carreira de Alaíde Costa e aproximou a cantora de artistas contemporâneos, permitindo que sua experiência musical dialogasse com diferentes linguagens e gerações.

Dois anos depois, em 2024, veio “E o tempo agora quer voar”, segundo capítulo da trilogia.

O próprio título daquele trabalho já carregava uma reflexão sobre a passagem dos anos. Agora, “Meu vício na dor de amar demais” chega para concluir esse percurso com uma obra voltada para sentimentos, memórias e novas experiências.

A trilogia, portanto, não apenas reúne três discos. Ela também conta parte da história de uma artista que continua se reinventando sem abandonar as características que construíram sua identidade.

Canções inéditas

Além da música-título, o novo álbum contará com outras composições inéditas.

Entre elas está “A falta que não me faz”, um samba-canção escrito por Adriana Calcanhotto. A presença da compositora reforça a proposta de reunir diferentes nomes da música brasileira em torno da interpretação de Alaíde.

O samba-canção, gênero historicamente associado a letras sentimentais e interpretações carregadas de emoção, encontra na voz da cantora um território especialmente fértil.

Alaíde tem uma trajetória marcada pela capacidade de interpretar canções com sutileza, sem precisar recorrer a exageros. Sua voz e sua maneira de cantar conseguem transformar pequenas nuances das letras em grandes momentos de emoção.

É justamente essa característica que torna o encontro com compositores de diferentes gerações tão especial.

Um encontro entre gerações

A produção do novo álbum representa também um encontro simbólico entre diferentes períodos da música brasileira.

Alaíde Costa pertence a uma geração fundamental para a construção da música popular brasileira moderna. Ao longo de sua trajetória, acompanhou transformações profundas na maneira de compor, gravar e consumir música.

Agora, aos 90 anos, ela continua trabalhando com artistas que representam outras gerações.

Guilherme Arantes, Nando Reis e Adriana Calcanhotto estão entre os nomes que contribuem para a construção desse novo repertório. Cada um traz sua própria linguagem, enquanto Alaíde acrescenta às composições a experiência acumulada durante décadas diante dos microfones e dos palcos.

O resultado promete ser um disco que olha para o futuro sem esquecer a história.

Gravações em São Paulo

As músicas de “Meu vício na dor de amar demais” foram gravadas ao longo de 2026 no estúdio Da Pá Virada, em São Paulo.

O trabalho reúne músicos conhecidos da cena brasileira, entre eles Fábio Sá, no baixo; Leo Mendes, no violão; e Pupillo, na bateria.

A escolha dos instrumentistas contribui para a construção de uma sonoridade sofisticada e cuidadosa, adequada à interpretação de Alaíde.

Os arranjos de cordas e metais ficaram sob responsabilidade do trombonista Antonio Neves, que também atuou na orquestração do projeto.

A presença desses músicos demonstra o cuidado dedicado à produção do álbum, que busca valorizar tanto a interpretação da cantora quanto a riqueza dos arranjos.

A música como forma de permanecer

A carreira de Alaíde Costa é marcada por uma característica que vai além da longevidade: a capacidade de permanecer relevante sem precisar abandonar sua essência.

Ao longo dos anos, a cantora atravessou diferentes fases da música brasileira e continuou encontrando espaço para sua voz.

O novo álbum segue justamente essa trajetória.

“Meu vício na dor de amar demais” não chega apenas como mais um lançamento. O disco representa a continuidade de uma história iniciada há muitas décadas e que permanece em construção.

Existe também algo de simbólico no fato de uma artista de 90 anos lançar um trabalho composto por músicas inéditas. Em uma indústria que muitas vezes privilegia a juventude, Alaíde mostra que a criatividade não possui prazo de validade.

Sua experiência não aparece como uma barreira para o novo. Ela funciona como uma ferramenta para interpretar novas histórias com profundidade.

Recursos da Natura Musical

O álbum foi viabilizado com recursos financeiros do edital da Natura Musical, iniciativa que apoia projetos ligados à música brasileira.

O financiamento contribuiu para tornar possível a produção do trabalho e ampliar as possibilidades de criação de Alaíde e de toda a equipe envolvida.

Projetos dessa natureza são importantes especialmente para artistas que possuem uma trajetória consolidada, mas que continuam produzindo e buscando novas formas de dialogar com o público.

Lançamento previsto para novembro

A previsão é que “Meu vício na dor de amar demais” seja lançado em novembro de 2026.

O público poderá conhecer um repertório construído especialmente para a cantora, com músicas inéditas e participações criativas de compositores e músicos de diferentes gerações.

O disco também encerra uma trilogia que começou quatro anos antes e que ajudou a apresentar novas perspectivas sobre uma artista fundamental da música brasileira.

Aos 90 anos, Alaíde Costa chega ao último capítulo dessa trilogia mostrando que sua história ainda está longe de terminar.

Entre novas composições, arranjos sofisticados e letras que mergulham no amor e na saudade, a cantora reafirma uma verdade simples e poderosa: há artistas cuja passagem pelo tempo não diminui sua voz — apenas acrescenta novas camadas ao que ela tem a dizer.

E, em “Meu vício na dor de amar demais”, Alaíde parece pronta para transformar mais uma vez suas experiências em música e convidar o público a sentir, junto com ela, tudo aquilo que o tempo ainda não conseguiu apagar.