A disputa por duas vagas ao Senado Federal pela Paraíba começa a ganhar contornos mais definidos, mas ainda apresenta um cenário de incerteza entre os eleitores. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25), encomendada pelas TVs Cabo Branco e Paraíba, aponta o governador João Azevêdo (PSB) na liderança das intenções de voto, seguido pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).
O levantamento mostra João Azevêdo com 27% das intenções na combinação dos votos destinados à primeira e à segunda vaga. Veneziano aparece com 17%, enquanto Nabor Wanderley (Republicanos) registra 9%. Na sequência estão Marcelo Queiroga (PL), com 6%, e Major Fábio (Novo), com 5%.
Os números ajudam a desenhar uma fotografia do momento eleitoral na Paraíba, mas não representam o resultado da eleição. Como serão escolhidos dois senadores em cada estado e no Distrito Federal em 2026, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. Dessa forma, a disputa possui uma dinâmica própria, na qual um mesmo eleitor pode escolher nomes de grupos políticos distintos.
O cenário também revela que existe espaço significativo para mudanças ao longo da campanha. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o nível de indecisão permanece elevado. João Azevêdo aparece com 8%, Veneziano com 5%, Nabor Wanderley com 4% e Marcelo Queiroga com 2%. André Gadelha e Major Fábio registram 1% cada.
Nesse formato, 19% afirmaram estar indecisos, enquanto 23% disseram que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas. O resultado demonstra que uma parcela importante do eleitorado ainda não consolidou uma escolha para o Senado.
Na pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados, João Azevêdo amplia sua vantagem quando considerada a preferência pela primeira vaga. O ex-governador aparece com 38%, enquanto Veneziano registra 17%. Nabor Wanderley e Marcelo Queiroga aparecem empatados com 9% cada.
Major Fábio tem 3%, André Gadelha 1% e João Batista também 1%. Adriano Trajano, Rinaldo Júnior e Rosilene Santana não alcançam 1% nesse recorte. Branco, nulo ou quem afirma não votar soma 12%, enquanto 10% dos entrevistados ainda estão indecisos.
O cenário muda quando os entrevistados indicam o nome de preferência para a segunda vaga. Veneziano passa a liderar numericamente com 18%, seguido por João Azevêdo, com 16%. Nabor Wanderley aparece com 9%, Major Fábio com 7% e Marcelo Queiroga com 3%.
André Gadelha registra 3%, Adriano Trajano e Rosilene Santana aparecem com 1% cada, enquanto João Batista e Rinaldo Júnior não chegam a 1%. Nesse segundo voto, o número de eleitores que afirmam votar em branco, anular ou não comparecer chega a 23%. Os indecisos representam 19%.
A diferença entre os resultados da primeira e da segunda vaga evidencia uma característica importante da eleição para o Senado em 2026. O eleitor não terá apenas uma escolha. Será necessário indicar dois nomes, o que pode favorecer diferentes combinações ao longo da campanha e tornar o comportamento do eleitor mais difícil de prever.
Outro dado relevante da pesquisa está relacionado à estabilidade do voto. Segundo a Quaest, 65% dos eleitores ouvidos afirmam que a escolha do candidato é definitiva. Outros 3% dizem que ainda podem mudar de opinião até a eleição, marcada para 4 de outubro.
A pesquisa também mediu o grau de conhecimento e rejeição dos principais nomes que aparecem na disputa. João Azevêdo é conhecido por 91% dos entrevistados, sendo que 63% afirmam que o conhecem e votariam nele. Outros 28% dizem conhecer o ex-governador, mas afirmam que não votariam nele. Apenas 9% disseram não conhecê-lo.
Veneziano Vital do Rêgo apresenta 45% de eleitores que dizem conhecê-lo e votar nele. Ao mesmo tempo, 34% afirmam conhecê-lo, mas não votariam no candidato. Outros 21% disseram não conhecê-lo.
Os números mostram que Veneziano possui um nível elevado de conhecimento entre os eleitores, mas também apresenta uma rejeição superior à de João Azevêdo no levantamento.
Entre os nomes que ainda buscam ampliar seu espaço no eleitorado está Nabor Wanderley. O prefeito de Patos aparece com 22% de eleitores que dizem conhecê-lo e votar nele. Outros 22% afirmam conhecê-lo, mas não votariam, enquanto 56% dizem não conhecê-lo.
Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, registra 15% entre os eleitores que afirmam conhecê-lo e votar nele. A rejeição chega a 25%, enquanto 60% dos entrevistados dizem não conhecê-lo.
Major Fábio também apresenta um nível de desconhecimento elevado: 69% dos entrevistados afirmam não conhecê-lo. Entre os que o conhecem, 12% dizem que votariam nele e 19% afirmam que não votariam.
André Gadelha registra 9% de eleitores que dizem conhecê-lo e votar nele, enquanto 24% afirmam conhecê-lo, mas não votariam. A maior parcela, 67%, declara não conhecê-lo.
Entre os demais candidatos, o desconhecimento é ainda maior. Adriano Trajano é desconhecido por 87% dos entrevistados, enquanto Rinaldo Júnior registra 90%. João Batista e Rosilene Santana aparecem com 92% de desconhecimento.
Os dados de conhecimento são importantes porque demonstram que parte significativa da corrida eleitoral ainda poderá ser influenciada pela exposição dos candidatos durante a campanha. Nomes que hoje apresentam percentuais baixos podem crescer à medida que ampliem sua presença entre os eleitores, enquanto candidatos atualmente na liderança precisarão manter seus índices e administrar eventuais níveis de rejeição.
A liderança de João Azevêdo, portanto, não significa uma eleição definida. O levantamento mostra vantagem importante, mas também aponta que a disputa pela segunda vaga permanece aberta e que existe um eleitorado considerável que ainda não decidiu seus votos.
Veneziano aparece em uma posição competitiva, especialmente quando considerado o cenário da segunda vaga. Nabor Wanderley também surge como um nome que pode disputar espaço, enquanto Marcelo Queiroga e Major Fábio buscam ampliar seus percentuais.
Outro fator que poderá influenciar a eleição é a formação das alianças políticas. A disputa pelo Senado costuma envolver articulações entre partidos, governos, lideranças municipais e grupos políticos. O apoio de prefeitos, deputados e outras lideranças pode contribuir para aumentar a presença dos candidatos em diferentes regiões da Paraíba.
A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto de 2026 e ouviu 804 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PB-07850/2026.
Como toda pesquisa eleitoral, os resultados representam o cenário encontrado no período em que as entrevistas foram realizadas. Até a votação, novos fatos políticos, alianças, debates, campanhas e acontecimentos podem alterar as preferências do eleitorado.
Para o eleitor paraibano, os números servem como um retrato do momento, mas a decisão final ainda será tomada nas urnas. Com duas vagas em disputa e diferentes combinações possíveis, a eleição para o Senado promete ser uma das principais disputas políticas da Paraíba em 2026.
O levantamento também mostra que, apesar da liderança de João Azevêdo, ainda existe um caminho significativo até a definição dos dois representantes paraibanos no Senado. A campanha terá papel decisivo para consolidar nomes, reduzir rejeições e conquistar os eleitores que ainda não escolheram seus candidatos.












