O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prepara uma operação especial para acompanhar o funcionamento da rede elétrica durante as eleições de 2026. A iniciativa tem como objetivo reforçar o monitoramento do sistema, ampliar a capacidade de resposta diante de eventuais ocorrências e reduzir riscos de interrupções no fornecimento de energia durante o período eleitoral.
Segundo o diretor-geral do ONS, Márcio Rea, não há, neste momento, indicação de risco de falta de energia elétrica durante as eleições. De acordo com ele, o planejamento vem sendo desenvolvido há meses e segue o mesmo princípio adotado em outros grandes eventos realizados no país.
“Sempre tem uma operação especial, mas a gente está trabalhando há meses”, afirmou Rea a jornalistas em Brasília. O diretor acrescentou que, diante das condições atuais, não identifica problemas relacionados ao fornecimento de energia, salvo a ocorrência de um evento de grandes proporções.
A preparação antecipada busca garantir que o sistema esteja funcionando de maneira segura justamente em um período em que a continuidade dos serviços de infraestrutura é considerada essencial.
Monitoramento será reforçado durante as eleições
O período eleitoral exige atenção especial das autoridades responsáveis pelo setor elétrico porque milhões de pessoas estarão envolvidas simultaneamente em atividades relacionadas à votação.
Além dos locais de votação, a infraestrutura elétrica também é necessária para manter funcionando sistemas de comunicação, transmissão de informações, serviços públicos, hospitais, centrais de segurança e outros equipamentos considerados essenciais.
Por isso, a estratégia do ONS envolve o acompanhamento permanente do sistema e a adoção de medidas preventivas.
A expectativa é que, à medida que a data das eleições se aproxime, sejam reforçadas as ações de monitoramento e coordenação entre os diferentes agentes responsáveis pelo fornecimento de energia.
A operação especial não significa que exista atualmente uma previsão de apagão. Trata-se de uma medida preventiva para permitir uma resposta mais rápida caso algum problema ocorra.
Aneel prepara ações para áreas isoladas da Amazônia
Paralelamente ao trabalho do ONS, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também adotou medidas preventivas voltadas principalmente para comunidades localizadas em áreas isoladas da Amazônia.
O diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, informou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi comunicado sobre a antecipação de recursos destinados a usinas de produtores independentes responsáveis pelo atendimento de localidades que não estão conectadas ao sistema elétrico nacional.
A preocupação está relacionada principalmente ao abastecimento de combustível utilizado por essas usinas.
Em determinadas regiões da Amazônia, o transporte de combustíveis depende da navegação pelos rios. Durante períodos de baixa pluviosidade, o nível dos rios pode diminuir e dificultar o deslocamento de embarcações.
Esse cenário poderia criar dificuldades logísticas justamente durante um período em que o fornecimento de energia precisa ser mantido de forma contínua.
Combustível será armazenado preventivamente
Para reduzir esse risco, a Aneel trabalha com a antecipação de recursos para que as empresas responsáveis pelas usinas possam adquirir combustível e manter estoques suficientes.
A medida busca criar uma margem de segurança para situações em que o transporte pelos rios seja prejudicado.
Segundo Feitosa, a intenção é garantir que, mesmo diante de eventuais dificuldades de navegação, as comunidades possam continuar recebendo energia, especialmente durante as eleições.
Os recursos utilizados para essa finalidade são provenientes da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), mecanismo utilizado para custear parte das despesas relacionadas ao fornecimento de energia em sistemas isolados.
A antecipação é apresentada pelas autoridades como uma ação preventiva, e não como resposta a uma situação de emergência já instalada.
Distribuidoras deverão reforçar equipes
Outra preocupação das autoridades está relacionada à capacidade de atendimento das distribuidoras de energia.
A orientação é para que as empresas responsáveis pela distribuição reforcem as equipes de trabalho durante o período eleitoral.
A presença de mais profissionais de prontidão pode facilitar o atendimento em caso de falhas, acidentes ou outros problemas que afetem o fornecimento.
De acordo com Sandoval Feitosa, a preparação será intensificada à medida que as eleições se aproximarem.
A estratégia envolve deixar o sistema o mais preparado possível para enfrentar ocorrências sem comprometer a continuidade do serviço.
A preocupação é especialmente importante em um período em que eventuais interrupções podem afetar diretamente o funcionamento de locais de votação e outros serviços essenciais.
Sistema possui alternativas em caso de danos
O planejamento também considera a possibilidade de eventos climáticos extremos provocarem danos à infraestrutura elétrica.
Márcio Rea destacou que o sistema possui alternativas para manter o fornecimento mesmo quando parte dos equipamentos é afetada.
Segundo o diretor-geral do ONS, eventos anteriores chegaram a provocar danos em estruturas importantes da rede, mas as alternativas existentes permitiram preservar o suprimento de energia.
Ele citou como exemplo situações em que mais de 20 torres foram afetadas e, ainda assim, foi possível manter o atendimento.
A existência de caminhos alternativos na rede é uma das estratégias utilizadas para aumentar a resiliência do sistema elétrico.
El Niño preocupa para 2027
Além das eleições de 2026, o ONS também acompanha as perspectivas climáticas para o ano seguinte.
Ao comentar o cenário para 2027, Márcio Rea afirmou que o período pode apresentar desafios importantes, principalmente em razão das incertezas relacionadas ao El Niño.
O fenômeno climático ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os impactos variam conforme a intensidade e a localização dos efeitos associados ao fenômeno. Historicamente, o El Niño pode contribuir para períodos mais secos em determinadas áreas do Norte e Nordeste e favorecer chuvas acima da média em partes do Sul, além de influenciar as temperaturas.
Para o setor elétrico, as condições climáticas são especialmente relevantes porque podem afetar a disponibilidade de água para geração hidrelétrica, a demanda por energia e a própria infraestrutura de transmissão e distribuição.
Prevenção é considerada fundamental
Apesar das incertezas climáticas, o ONS afirma que trabalha com mecanismos preventivos e alternativas operacionais capazes de reduzir os impactos de eventos extremos.
A experiência de ocorrências anteriores é utilizada para aperfeiçoar os procedimentos de segurança e resposta.
Rea destacou que não é possível prever exatamente onde ou quando ocorrerão fenômenos como ventos fortes, tempestades ou outros eventos capazes de danificar estruturas.
Entretanto, a preparação antecipada permite reduzir o risco de que um problema localizado provoque consequências maiores para todo o sistema.
Essa estratégia ganha importância em um país de dimensões continentais, com uma extensa rede de transmissão e diferentes características climáticas entre as regiões.
Preparação busca garantir tranquilidade durante votação
O planejamento para as eleições de 2026 ocorre, portanto, em duas frentes principais: o acompanhamento nacional do sistema elétrico pelo ONS e ações específicas da Aneel para reduzir riscos relacionados ao abastecimento de combustível em áreas isoladas da Amazônia.
As medidas têm caráter preventivo e procuram garantir que eventuais ocorrências possam ser identificadas e solucionadas rapidamente.
Neste momento, segundo o diretor-geral do ONS, não há indicação de risco de falta de energia durante as eleições.
A preparação antecipada pretende justamente evitar que problemas previsíveis ou situações localizadas comprometam o fornecimento.
Para a população, a expectativa é de que o sistema elétrico opere normalmente durante o processo eleitoral. Nos bastidores, porém, equipes do setor elétrico já trabalham para reforçar a segurança da infraestrutura e garantir que a energia continue chegando a escolas, locais de votação, hospitais, centros de comunicação e demais serviços essenciais.
A operação especial reforça a importância de planejamento e prevenção para assegurar a continuidade de um serviço fundamental em um dos maiores eventos públicos do calendário brasileiro.











