Desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, enquanto o número de brasileiros trabalhando alcançou um recorde histórico. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

O resultado representa um dos sinais mais positivos recentes do mercado de trabalho brasileiro. A taxa de 5,3% é a menor já registrada para um trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

Na comparação com o trimestre encerrado em abril, quando a taxa estava em 5,8%, houve uma redução de 0,5 ponto percentual. Já em relação ao mesmo período de 2025, quando o desemprego estava em 5,6%, a queda foi de 0,3 ponto percentual.

Os números mostram que mais brasileiros conseguiram entrar ou permanecer no mercado de trabalho nos últimos meses. Ao mesmo tempo, a quantidade de pessoas que estavam procurando emprego e não conseguiam uma oportunidade diminuiu.

Número de desempregados cai para 5,8 milhões

O Brasil tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas no trimestre encerrado em julho.

O número representa uma queda de aproximadamente 8% em relação ao trimestre anterior, encerrado em abril, quando havia cerca de 6,3 milhões de pessoas procurando trabalho.

Em números absolutos, aproximadamente 500 mil pessoas deixaram a condição de desempregadas no período.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, também houve melhora. O país registrou 299 mil desempregados a menos, uma redução de 4,9%.

Os dados mostram que a diminuição do desemprego não ocorreu apenas por uma redução na procura por trabalho, mas veio acompanhada de crescimento do número de pessoas ocupadas.

Brasil alcança recorde de 103,3 milhões de trabalhadores

Um dos principais destaques da pesquisa está no número de pessoas ocupadas.

Segundo o IBGE, 103,3 milhões de brasileiros estavam trabalhando no trimestre encerrado em julho.

Esse é o maior número já registrado pela pesquisa.

Em comparação com o trimestre anterior, houve aumento de aproximadamente 1 milhão de trabalhadores.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de pessoas ocupadas cresceu 0,9%.

O resultado mostra que o mercado de trabalho continua absorvendo trabalhadores, mesmo diante de um cenário de desaceleração da atividade econômica.

Para milhões de famílias, a conquista ou manutenção de um emprego representa aumento da segurança financeira e maior capacidade de planejamento das despesas do dia a dia.

Nível de ocupação também aumenta

Com mais pessoas trabalhando, também cresceu o chamado nível de ocupação.

Esse indicador mede a parcela da população em idade de trabalhar que está efetivamente ocupada.

No trimestre encerrado em julho, o índice chegou a 58,9%, acima dos 58,4% registrados no trimestre anterior.

A evolução demonstra que uma parcela maior da população em idade ativa está conseguindo encontrar espaço no mercado de trabalho.

O indicador é importante porque permite observar não apenas quantas pessoas estão desempregadas, mas também quantas estão efetivamente inseridas em alguma atividade profissional.

Subutilização da força de trabalho diminui

Outro indicador que apresentou melhora foi a taxa de subutilização da força de trabalho.

Esse conceito reúne pessoas desempregadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas que estão disponíveis para trabalhar, mas desistiram de procurar uma vaga.

No trimestre encerrado em julho, a taxa de subutilização ficou em 13%.

Ao todo, 14,9 milhões de brasileiros estavam nessa situação.

O número representa uma redução de 819 mil pessoas em relação ao trimestre anterior.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve uma queda ainda maior, de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.

A redução indica que menos brasileiros estão enfrentando situações de trabalho insuficiente ou dificuldades prolongadas para encontrar uma ocupação.

Menos pessoas desistem de procurar emprego

A pesquisa também mostrou queda no número de trabalhadores considerados desalentados.

O contingente ficou em 2,3 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho.

Em relação ao trimestre anterior, houve uma redução de 9,7%, equivalente a 248 mil pessoas.

Na comparação anual, a queda foi de 14,1%, ou aproximadamente 380 mil pessoas.

São considerados desalentados aqueles que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam encontrar uma oportunidade.

Entre os motivos estão a falta de qualificação, a escassez de vagas na região onde vivem ou a percepção de que não existem oportunidades adequadas.

A redução desse grupo pode indicar que parte dessas pessoas voltou a procurar emprego ou conseguiu uma ocupação.

Emprego com carteira assinada bate recorde

O mercado formal também apresentou números importantes.

O total de empregados com carteira assinada no setor privado, excluindo os trabalhadores domésticos, chegou a 39,4 milhões.

Esse é o maior número já registrado pelo IBGE.

Na comparação com o trimestre anterior e com o mesmo período de 2025, o número permaneceu praticamente estável.

Apesar disso, o fato de o contingente permanecer em nível recorde mostra a força dos vínculos formais no mercado de trabalho.

Já os empregados sem carteira assinada no setor privado chegaram a 13,8 milhões.

Esse número representa um crescimento de 477 mil pessoas em relação ao trimestre anterior.

Na comparação anual, entretanto, o contingente permaneceu praticamente estável.

Setor privado emprega 53,2 milhões

Somando os trabalhadores com e sem carteira assinada, o setor privado empregava 53,2 milhões de pessoas.

Esse também é um recorde histórico da série do IBGE.

O número mostra a dimensão do setor privado na geração de trabalho no país.

Ao mesmo tempo, os dados revelam que a informalidade continua sendo uma realidade significativa para milhões de brasileiros.

A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada.

Isso significa que aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores estavam em algum tipo de ocupação informal.

O percentual permaneceu praticamente estável nos últimos trimestres.

Trabalho por conta própria permanece elevado

O número de trabalhadores por conta própria chegou a 26,1 milhões.

Segundo o IBGE, não houve alteração significativa nesse contingente em relação ao trimestre anterior ou ao mesmo período do ano passado.

O trabalho autônomo representa uma parcela importante do mercado brasileiro e inclui pessoas que atuam por conta própria em diferentes atividades econômicas.

Já o número de trabalhadores domésticos ficou em 5,4 milhões.

O contingente permaneceu estável na comparação trimestral, mas apresentou redução de 236 mil pessoas em relação ao mesmo período de 2025.

Renda média chega a R$ 3.762

Além da quantidade de empregos, a pesquisa também mostra como está se comportando a renda dos trabalhadores.

O rendimento médio real ficou em R$ 3.762 por mês.

O valor permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, entretanto, houve crescimento de 3,3%.

O aumento da renda média é relevante porque significa que, além de mais pessoas estarem trabalhando, os trabalhadores também apresentaram ganho real de rendimentos na comparação anual.

Isso pode contribuir para aumentar o consumo das famílias e movimentar setores importantes da economia.

Massa de rendimentos bate recorde

A chamada massa de rendimentos, que representa a soma de todos os rendimentos recebidos pelos trabalhadores brasileiros, alcançou R$ 383,5 bilhões.

Esse foi o maior valor registrado pelo IBGE.

Na comparação com o trimestre anterior, o resultado permaneceu estável.

Já em relação ao mesmo período de 2025, houve crescimento de 4,1%, equivalente a um aumento de aproximadamente R$ 15,1 bilhões.

O indicador ajuda a dimensionar o impacto do mercado de trabalho sobre a economia como um todo.

Quando mais pessoas trabalham e a renda cresce, existe potencial para aumentar o consumo das famílias e movimentar o comércio e os serviços.

Construção foi destaque na geração de vagas

Entre os principais setores da economia analisados pela pesquisa, a construção foi o único que apresentou aumento significativo no número de trabalhadores em relação ao trimestre anterior.

O setor ganhou 371 mil trabalhadores, uma alta de 5,1%.

Na comparação com o mesmo período de 2025, a construção registrou aumento de 308 mil trabalhadores, ou 4,2%.

O desempenho reforça a importância do setor na geração de empregos, especialmente em períodos de expansão de obras, reformas e investimentos.

Transporte e serviços também cresceram

Outros setores também apresentaram aumento no número de trabalhadores na comparação anual.

O segmento de transporte, armazenagem e correios ganhou 321 mil trabalhadores, alta de 5,4%.

Já a área de administração pública, educação, saúde e serviços sociais registrou aumento de 438 mil pessoas ocupadas, crescimento de 2,3%.

Esses setores possuem grande peso no mercado de trabalho brasileiro e contribuem significativamente para a geração de renda em diferentes regiões do país.

Enquanto isso, os serviços domésticos apresentaram redução de 229 mil trabalhadores, queda de 4%.

Rendimento varia entre os setores

A renda média permaneceu praticamente estável na maioria dos setores quando comparada ao trimestre anterior.

A principal exceção foi o segmento de alojamento e alimentação, que apresentou queda de 5,1% no rendimento médio, equivalente a uma redução de R$ 128.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento dos rendimentos em setores como indústria, outros serviços e serviços domésticos.

Nas demais atividades econômicas, não foram registradas mudanças consideradas significativas.

Mercado de trabalho mostra sinais positivos

Os números divulgados pelo IBGE revelam um cenário de melhora em diferentes indicadores.

O desemprego caiu para o menor nível já registrado para um trimestre encerrado em julho desde 2012.

Ao mesmo tempo, o número de pessoas trabalhando alcançou um recorde de 103,3 milhões.

Também houve redução na subutilização da força de trabalho e no número de brasileiros desalentados.

A renda média cresceu na comparação anual, enquanto a massa de rendimentos alcançou seu maior valor histórico.

Apesar dos avanços, os dados também mostram desafios que permanecem no mercado de trabalho, especialmente a informalidade, que ainda atinge 38,8 milhões de pessoas.

Um recorde que chega à vida das famílias

Por trás dos números apresentados pelo IBGE estão histórias de brasileiros que conseguiram uma nova oportunidade, mantiveram seus empregos ou voltaram ao mercado depois de um período de dificuldades.

A queda do desemprego não representa apenas uma estatística econômica.

Para uma família, conseguir trabalho pode significar voltar a pagar contas com mais tranquilidade, colocar alimentos na mesa, reorganizar dívidas ou simplesmente recuperar a sensação de estabilidade.

O recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas mostra que o mercado de trabalho brasileiro atravessa um momento de forte participação da população.

O desafio agora é transformar essa quantidade de empregos em oportunidades cada vez mais formais, produtivas e capazes de garantir melhores condições de vida.

Os dados do trimestre encerrado em julho indicam que o Brasil avançou nessa direção, mas também deixam claro que ainda existe um caminho importante pela frente.