Lionel Messi anunciou nesta segunda-feira (31) sua aposentadoria da seleção argentina. Aos 39 anos, o camisa 10 decidiu colocar um ponto final em uma das trajetórias mais marcantes da história do futebol internacional. Em uma mensagem publicada nas redes sociais, o craque afirmou que a decisão foi dolorosa, mas que entende ter chegado o momento de encerrar seu ciclo com a equipe nacional.
“Foi uma decisão que doeu e dói na alma, mas entendo que é o momento”, escreveu Messi. A declaração resume o sentimento de um jogador que passou mais de 20 anos defendendo a Argentina e que viveu praticamente todas as emoções possíveis com a camisa albiceleste: das críticas e derrotas dolorosas aos títulos que finalmente transformaram sua relação com o país.
A despedida acontece poucas semanas depois da Copa do Mundo de 2026, na qual a Argentina chegou novamente à decisão, mas acabou derrotada pela Espanha por 1 a 0. Messi foi capitão da equipe na final e encerrou sua participação em Mundiais depois de disputar seis edições da competição.
Uma trajetória construída entre pressão e glória
A história de Messi com a seleção argentina começou ainda muito jovem. Desde os primeiros anos, o jogador carregou uma expectativa gigantesca sobre os ombros. A comparação com grandes ídolos argentinos, principalmente Diego Maradona, fez com que cada partida fosse acompanhada de uma cobrança especial.
Durante muitos anos, o talento que encantava o mundo pelo Barcelona parecia não encontrar o mesmo caminho de sucesso quando Messi vestia a camisa da Argentina. As derrotas nas finais da Copa do Mundo de 2014 e das Copas América de 2015 e 2016 aumentaram a pressão sobre o jogador.
Em determinado momento, após uma sequência de frustrações, Messi chegou a anunciar sua saída da seleção. No entanto, retornou e continuou tentando conquistar aquilo que parecia escapar de suas mãos.
A mudança definitiva veio a partir de 2021.
Naquele ano, Messi finalmente conquistou seu primeiro grande título pela seleção principal ao vencer a Copa América. A conquista teve um significado especial porque aconteceu justamente em território brasileiro, no estádio do Maracanã, diante de uma torcida acostumada a acompanhar de perto a rivalidade entre Brasil e Argentina.
Aquele troféu abriu caminho para uma das fases mais vitoriosas da história da seleção argentina.
Em 2022, Messi conquistou a Finalíssima diante da Itália e, meses depois, alcançou o maior sonho de sua carreira: levantar a Copa do Mundo no Catar. A Argentina venceu a França nos pênaltis em uma das finais mais emocionantes da história do torneio.
Em 2024, veio mais uma conquista continental, com o bicampeonato da Copa América.
O sonho realizado no Catar
A Copa do Mundo de 2022 representou uma espécie de capítulo definitivo na história de Messi com a Argentina.
Depois de anos sendo questionado por não conseguir repetir pela seleção o mesmo sucesso alcançado no futebol de clubes, o atacante comandou a equipe argentina em uma campanha memorável.
Messi marcou gols decisivos, participou diretamente de diversos momentos importantes e terminou o torneio como um dos grandes protagonistas.
A imagem do camisa 10 levantando a taça no Catar passou a simbolizar uma transformação profunda na relação entre o jogador e os torcedores argentinos.
O menino que deixou Rosario ainda muito jovem para buscar tratamento e desenvolver sua carreira na Espanha havia conseguido voltar ao país por meio do futebol e entregar aos argentinos aquilo que durante décadas parecia impossível.
A conquista também encerrou uma espera de 36 anos da Argentina por um título mundial.
Números que ajudam a explicar a dimensão do craque
Messi encerra sua passagem pela seleção argentina com números impressionantes.
Foram 207 partidas e 125 gols, números que fazem dele o maior artilheiro da história da equipe nacional. O atacante também marcou 21 gols em Copas do Mundo e se consolidou como um dos maiores goleadores da história da competição.
Além da Copa do Mundo de 2022, Messi conquistou duas Copas América, em 2021 e 2024, e a Finalíssima de 2022. Antes disso, também havia sido campeão olímpico em 2008 e campeão mundial sub-20 em 2005.
Sua carreira pela Argentina foi construída em diferentes gerações. Messi dividiu o vestiário com jogadores que marcaram épocas diferentes e terminou sua trajetória como referência para uma nova geração que agora terá a responsabilidade de ocupar o espaço deixado pelo maior ídolo da equipe nas últimas décadas.
Uma decisão que também envolve a família
A despedida de Messi ganhou um tom ainda mais pessoal após a morte de seu pai, Jorge Messi, em agosto.
Jorge foi uma figura fundamental na trajetória do jogador. Mais do que pai, foi empresário e esteve ao lado de Messi desde os primeiros passos de sua carreira.
Na mensagem publicada nesta segunda-feira, o craque revelou que havia escrito o texto originalmente em 21 de julho, dois dias depois da derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo.
Segundo Messi, após a perda do pai, ficou ainda mais convencido de que havia tomado a decisão correta.
“Hoje, depois do que aconteceu com meu pai, estou mais convencido do que antes”, afirmou.
A declaração mostra que a aposentadoria não representa apenas uma escolha esportiva. Trata-se também de um momento de transição pessoal para um jogador que dedicou grande parte da vida ao futebol e que agora começa a olhar para o futuro de outra maneira.
Espaço para uma nova geração
Outro ponto destacado por Messi foi a necessidade de abrir espaço para os jovens jogadores.
O craque afirmou que sente ter dado tudo o que poderia pela seleção e reconheceu que novos talentos estão surgindo.
“Me esvaziei, já não tenho mais para dar e, além disso, vêm grandes jogadores atrás que merecem estar”, escreveu.
A declaração representa também uma passagem simbólica de bastão.
A Argentina terá agora de construir uma equipe sem a presença de seu principal jogador das últimas duas décadas. A geração que cresceu acompanhando Messi terá a missão de assumir o protagonismo e iniciar um novo capítulo.
Para a comissão técnica e para os torcedores, será inevitável lidar com a ausência de um atleta que durante anos foi o primeiro nome lembrado quando a seleção entrava em campo.
Da camisa 10 ao papel de torcedor
Na despedida, Messi afirmou que sentirá falta de ouvir os torcedores dentro do estádio, mas deixou claro que continuará acompanhando a Argentina.
O jogador declarou que passará a ser “mais um” entre aqueles que torcem pela equipe, tanto nos momentos positivos quanto nas dificuldades.
É uma mudança simples na forma de acompanhar a seleção, mas enorme em seu significado.
Durante anos, os argentinos olharam para Messi esperando uma solução. Agora, ele estará do outro lado, assistindo aos jogos como torcedor e testemunhando o surgimento daqueles que tentarão continuar a história construída por sua geração.
Um adeus sem apagar as cicatrizes
A carreira de Messi pela Argentina não foi perfeita. E talvez justamente por isso seja tão humana.
Ele perdeu finais, recebeu críticas, foi questionado e chegou a pensar em abandonar a seleção. Viveu períodos em que parecia carregar sozinho a responsabilidade pelo sucesso de um país inteiro.
Mas também teve a oportunidade de transformar as frustrações em conquistas.
A Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024 mudaram definitivamente sua história com a Argentina.
A derrota na final da Copa de 2026, portanto, não apaga o legado construído. Pelo contrário. Messi encerra sua trajetória internacional depois de levar novamente a Argentina a uma final mundial, aos 39 anos.
“Obrigado, Deus, por me fazer argentino”
No encerramento de sua mensagem, Messi escolheu palavras que resumem a relação construída com seu país.
“Obrigado, Deus, por me fazer argentino. Vamos, Argentina!”, escreveu.
Depois de mais de duas décadas, 207 partidas, 125 gols, títulos históricos e inúmeras lembranças, Lionel Messi deixa a seleção argentina.
Ele não sai apenas como campeão mundial ou maior artilheiro da história da equipe. Sai como um jogador que conseguiu transformar uma relação marcada durante anos pela cobrança em uma história de orgulho e identificação.
O futebol argentino agora terá de aprender a caminhar sem seu camisa 10.
Para Messi, começa uma nova etapa.
Para os argentinos, fica a memória de uma geração que viu um dos maiores jogadores de todos os tempos vestir a camisa nacional, sofrer por ela, lutar por ela e, finalmente, conquistar os principais troféus que tanto desejava.
O adeus chegou. E, desta vez, parece definitivo.
Messi deixa a seleção, mas sua história com a Argentina permanecerá por muito tempo nas arquibancadas, nas ruas, nas crianças que aprenderam a jogar futebol imitando seus movimentos e na memória de milhões de torcedores que acompanharam cada capítulo dessa trajetória.
O camisa 10 não estará mais em campo pela Argentina.
Mas, como ele próprio afirmou, continuará torcendo de fora.
E, para uma história tão longa e intensa, talvez seja a maneira mais humana de dizer adeus.









