Los Tiguerones, organização criminosa equatoriana com origem em Guayaquil, foi designada nesta quarta-feira (9) pelo governo dos Estados Unidos como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) e Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT). O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante sua visita ao Equador, onde se reúne com autoridades para tratar de segurança, combate ao narcotráfico e fortalecimento da cooperação entre os dois países.
O anúncio ocorreu durante a visita de Rubio ao Equador, onde o secretário de Estado se reuniu com autoridades locais para discutir temas relacionados à segurança, ao combate ao narcotráfico e ao fortalecimento da cooperação entre os dois países.
“Hoje, designei a gangue equatoriana Los Tiguerones como Organização Terrorista Estrangeira e Terrorista Global Especialmente Designado”, afirmou Rubio ao anunciar a decisão.
Segundo o governo norte-americano, a medida está relacionada à atuação da organização no tráfico internacional de drogas e à suposta parceria mantida com cartéis mexicanos. As autoridades dos Estados Unidos afirmam que o grupo participa do transporte e da exportação de entorpecentes e utiliza os recursos obtidos com essas atividades para financiar ações criminosas.
A decisão representa mais um passo da administração do presidente Donald Trump na tentativa de ampliar a pressão contra organizações ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado que atuam dentro e fora do continente americano.
Grupo tem origem em Guayaquil
Os Los Tiguerones são uma organização criminosa equatoriana com origem em Guayaquil, uma das principais cidades do país. O grupo é apontado pelas autoridades como uma das estruturas envolvidas no cenário de violência e criminalidade que atingiu o Equador nos últimos anos.
A organização teria participação em atividades relacionadas ao tráfico de drogas e ao crime organizado e, segundo as autoridades norte-americanas, mantém relações com grupos criminosos mexicanos envolvidos na cadeia internacional de distribuição de entorpecentes.
Para Washington, essas conexões ampliam o alcance da organização e representam uma ameaça que ultrapassa as fronteiras equatorianas.
Marco Rubio afirmou que os recursos obtidos por meio do tráfico de drogas seriam utilizados para financiar atividades que o governo norte-americano classifica como terroristas e criminosas.
O secretário citou ainda ataques contra civis, policiais e jornalistas como parte do conjunto de ações atribuídas ao grupo.
A classificação como organização terrorista aumenta a pressão internacional sobre a estrutura criminosa e pode gerar consequências financeiras e jurídicas para integrantes, colaboradores e pessoas ou entidades que mantenham relações com a organização.
Medida ocorre durante visita ao Equador
O anúncio foi feito justamente durante uma visita oficial de Marco Rubio ao Equador, em uma agenda que tem como um dos principais objetivos aprofundar a cooperação bilateral na área de segurança.
Rubio foi recebido pelo presidente equatoriano, Daniel Noboa, no Palácio Carondelet, em Quito.
A aproximação entre Washington e Quito ocorre em um momento de grande preocupação com a expansão do narcotráfico e da violência no Equador.
O país sul-americano passou por uma forte deterioração da segurança pública nos últimos anos, com organizações criminosas disputando territórios, rotas de tráfico e controle de atividades ilegais.
Nesse contexto, o governo de Noboa adotou uma política de maior enfrentamento às organizações criminosas.
Durante o encontro com Rubio, o presidente equatoriano também homenageou o secretário de Estado norte-americano.
Noboa condecorou Rubio com a Ordem Nacional do Mérito, no grau de Grã-Cruz, como reconhecimento à contribuição para o fortalecimento das relações entre Equador e Estados Unidos.
A homenagem ocorreu em meio às discussões sobre segurança e cooperação bilateral.
Rubio elogia atuação de Daniel Noboa
Durante a visita, Marco Rubio destacou as ações realizadas pelo governo equatoriano no combate às organizações criminosas.
O secretário classificou Daniel Noboa como um “líder em segurança regional” e afirmou que o presidente tem desempenhado um papel importante diante dos desafios enfrentados pelo país.
“A função primordial de qualquer governo é a segurança de seu povo. E quando há ameaças a essa segurança, elas devem ser enfrentadas. Seu presidente está fazendo um trabalho incrível”, declarou Rubio.
A manifestação reforça a aproximação entre os governos dos Estados Unidos e do Equador.
Para Washington, o fortalecimento das forças de segurança e o combate às organizações ligadas ao narcotráfico são considerados elementos importantes para impedir que grupos criminosos ampliem sua influência na região.
Combate ao narcotráfico ganha dimensão internacional
O anúncio envolvendo os Los Tiguerones também mostra como o combate ao narcotráfico deixou de ser tratado apenas como uma questão interna de cada país.
As organizações criminosas atuam por meio de redes que atravessam fronteiras, utilizando diferentes territórios para produção, armazenamento, transporte e distribuição de drogas.
No caso do Equador, a localização geográfica do país e sua conexão com importantes rotas marítimas e terrestres fizeram com que o território ganhasse relevância nas operações internacionais do narcotráfico.
A presença de organizações criminosas mexicanas e de grupos locais aumentou a complexidade do problema.
Para os Estados Unidos, combater essas redes exige cooperação com os países latino-americanos, troca de informações de inteligência e ações coordenadas contra o financiamento das organizações.
A designação dos Los Tiguerones como organização terrorista segue justamente essa estratégia.
O que significa a classificação dos Estados Unidos
A classificação como Organização Terrorista Estrangeira é uma das ferramentas utilizadas pelo governo norte-americano para aumentar a pressão sobre grupos considerados ameaças à segurança dos Estados Unidos.
A medida pode atingir financeiramente as organizações e dificultar o acesso a recursos, além de ampliar as consequências para pessoas que prestem apoio material ao grupo.
A classificação como Terrorista Global Especialmente Designado também permite a adoção de medidas relacionadas ao bloqueio de ativos e à restrição de transações dentro da jurisdição norte-americana.
Na prática, o objetivo é dificultar a capacidade financeira e operacional da organização.
Para o governo Trump, atingir os recursos provenientes do tráfico de drogas é uma forma de reduzir a capacidade de atuação das organizações criminosas.
Governo Trump amplia ofensiva contra narcotraficantes
Marco Rubio vinculou diretamente a decisão à política de segurança do governo Trump.
Segundo o secretário, os Estados Unidos pretendem manter uma postura firme contra organizações que considera responsáveis pelo tráfico de drogas e por atos violentos.
“Sob a liderança do presidente Trump, jamais deixaremos de lutar contra os violentos narcoterroristas que inundam nossa nação com drogas mortais”, declarou Rubio.
A afirmação está alinhada ao discurso do governo norte-americano de intensificar o combate às organizações criminosas transnacionais.
A estratégia inclui não apenas operações de segurança, mas também sanções, medidas financeiras e maior cooperação com governos estrangeiros.
Equador busca apoio internacional
Para o Equador, a parceria com os Estados Unidos representa uma tentativa de ampliar os recursos e a capacidade de combate ao crime organizado.
O governo Daniel Noboa tem enfrentado uma situação de segurança considerada grave, com aumento da violência e presença de diferentes grupos criminosos.
A cooperação internacional pode contribuir para o compartilhamento de informações, o combate às rotas do narcotráfico e a identificação de estruturas financeiras utilizadas pelas organizações.
Ao mesmo tempo, o desafio para o governo equatoriano permanece enorme. Combater grupos criminosos exige ações contínuas e envolve não apenas operações policiais, mas também medidas para impedir o recrutamento de jovens, fortalecer instituições e reduzir o poder econômico das organizações.
A decisão anunciada por Marco Rubio coloca os Los Tiguerones sob uma pressão internacional ainda maior.
O anúncio também reforça a aproximação entre Estados Unidos e Equador em torno da segurança regional e do combate ao narcotráfico.
Enquanto Washington amplia as sanções e classificações contra organizações criminosas, Quito busca apoio para enfrentar uma crise de segurança que já ultrapassou as fronteiras do país.
O episódio mostra que o combate ao crime organizado na América Latina entrou em uma nova fase, marcada pela cooperação internacional e pela tentativa de atingir não apenas os integrantes das organizações, mas também as estruturas financeiras que permitem a manutenção de suas atividades.
Para os Estados Unidos, a designação dos Los Tiguerones representa mais uma frente na ofensiva contra o narcotráfico. Para o Equador, a parceria com Washington surge como um importante instrumento na luta contra grupos que desafiam a segurança pública e a autoridade do Estado.














