Brasília será palco, entre os dias 22 e 27 de setembro, de um importante encontro internacional do esporte adaptado. Durante seis dias, o Clube do Exército receberá o Campeonato Sul-Americano de Para-Standing Tennis, competição que reunirá atletas de diferentes países e classes funcionais em uma modalidade que vem ampliando seu espaço no cenário esportivo.

O torneio terá disputas nas classes PS1, PS2, PS3 e PS4, categorias criadas para organizar os atletas de acordo com suas características funcionais e garantir condições mais equilibradas de competição.

Além da disputa dentro das quadras, o campeonato representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade do esporte para pessoas com deficiência e mostrar que acessibilidade e alto rendimento podem caminhar lado a lado.

A competição terá reconhecimento da Federação Internacional de Tênis (ITF) e da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), reforçando a importância do evento dentro do calendário da modalidade.

Quatro classes reúnem diferentes perfis de atletas

O Para-Standing Tennis foi desenvolvido para permitir que atletas com diferentes tipos de deficiência possam competir em pé, utilizando adaptações específicas de acordo com suas necessidades.

Para que a disputa seja justa, os participantes são distribuídos em classes funcionais.

A classe PS1 reúne jogadores com comprometimentos nos membros superiores. Nessa categoria, as limitações podem interferir diretamente na forma como o atleta segura, controla e golpeia a raquete.

Já a PS2 é destinada a atletas com deficiência nos membros inferiores e maior mobilidade. Os jogadores dessa classe apresentam condições funcionais que permitem uma movimentação diferenciada em quadra, mas que ainda justificam sua participação dentro do sistema de classificação do Para-Standing Tennis.

A PS3 reúne atletas com situações funcionais mais complexas, como amputação acima do joelho, comprometimento dos dois braços ou maior dificuldade de locomoção.

Por fim, a PS4 contempla jogadores com baixa estatura ou outras condições que provoquem impacto semelhante na mobilidade.

A divisão por classes não representa uma hierarquia entre os atletas. O objetivo é reconhecer diferentes condições físicas e estabelecer critérios que permitam uma competição mais equilibrada.

Regras também mudam de acordo com a classe

Uma das características que diferencia o Para-Standing Tennis está nas adaptações das regras.

Embora a modalidade mantenha elementos fundamentais do tênis convencional, algumas regras são modificadas para levar em consideração as características dos atletas.

Nas classes PS1 e PS2, por exemplo, a bola pode quicar uma vez antes de ser devolvida.

Nas classes PS3 e PS4, são permitidos até dois quiques.

Essa diferença pode parecer pequena para quem acompanha o tênis tradicional, mas tem grande importância para os competidores. O tempo adicional proporcionado pelos quiques permite que atletas com determinadas limitações de mobilidade tenham melhores condições para alcançar a bola e continuar o ponto.

As adaptações mostram como o esporte pode ser moldado para permitir que diferentes corpos encontrem espaço na competição sem perder o caráter competitivo.

Thalita Rodrigues está à frente da organização

Um dos nomes de destaque do evento é Thalita Rodrigues, atual número 1 do ranking mundial da classe PS1.

Além da trajetória esportiva, Thalita está à frente da organização do Campeonato Sul-Americano em Brasília, assumindo um papel que ultrapassa as linhas da quadra.

Sua presença ajuda a dar visibilidade à modalidade e reforça a participação de atletas na construção e no crescimento do próprio esporte.

Para quem acompanha o Para-Standing Tennis, a realização de uma competição internacional no Brasil representa também uma oportunidade de fortalecer estruturas, estimular novos participantes e aproximar o público de uma modalidade que ainda é pouco conhecida por grande parte da população.

O campeonato poderá colocar atletas de diferentes trajetórias frente a frente, permitindo que experiências esportivas e histórias pessoais se encontrem durante a competição.

Um esporte que vai além da disputa

Eventos de esporte adaptado carregam uma dimensão que ultrapassa o resultado de cada partida.

Para muitos atletas, chegar a uma competição internacional representa anos de treinamento, adaptação, viagens, preparação física e enfrentamento de barreiras que nem sempre fazem parte da rotina dos atletas convencionais.

A quadra, nesse contexto, torna-se também um espaço de autonomia e representatividade.

Cada saque, devolução e ponto disputado contribui para mostrar que pessoas com deficiência podem ocupar diferentes espaços dentro do esporte, seja como atletas de alto rendimento, treinadores, organizadores ou profissionais ligados às competições.

O crescimento dessas modalidades também pode ajudar a combater uma visão limitada sobre a deficiência, substituindo a ideia de incapacidade por uma perspectiva baseada em potencial, desempenho e participação.

Campeonato acontece após o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

A realização do Sul-Americano ocorre em um período especialmente simbólico.

A competição começa apenas um dia depois do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

A data foi criada para reforçar a importância da inclusão, da acessibilidade e da defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Também representa um momento de conscientização sobre as barreiras enfrentadas diariamente por essa parcela da população.

Nesse contexto, um evento esportivo internacional realizado entre 22 e 27 de setembro ganha uma dimensão adicional.

A presença de atletas com diferentes deficiências em uma competição oficial ajuda a ampliar a discussão sobre acessibilidade e participação social.

No esporte, essa discussão aparece de maneira bastante concreta. Para que um atleta possa competir, não basta existir uma modalidade adaptada. É necessário contar com locais acessíveis, equipamentos adequados, profissionais preparados, sistemas de classificação e oportunidades para treinamento e competição.

Combate ao capacitismo também passa pelo esporte

O campeonato também se conecta ao debate sobre capacitismo, termo utilizado para descrever atitudes, comportamentos e estruturas que discriminam ou desvalorizam pessoas com deficiência.

No esporte, o combate ao capacitismo passa pela criação de oportunidades reais de participação.

Isso significa reconhecer atletas com deficiência não apenas pela condição física, mas principalmente por sua trajetória, dedicação, capacidade técnica e desempenho.

A visibilidade proporcionada por competições internacionais pode contribuir para mudar percepções e estimular crianças e jovens com deficiência a enxergarem o esporte como uma possibilidade concreta.

Além disso, grandes eventos podem incentivar clubes, escolas, projetos sociais e instituições públicas e privadas a ampliar investimentos em modalidades adaptadas.

Brasília como ponto de encontro do esporte adaptado

A escolha de Brasília para sediar o Campeonato Sul-Americano coloca a capital federal no centro das atenções do Para-Standing Tennis durante uma semana.

O Clube do Exército será o espaço responsável por receber os atletas e as disputas das quatro classes.

A expectativa é de que o torneio proporcione partidas competitivas e, ao mesmo tempo, ajude a aproximar o público brasileiro de uma modalidade que ainda busca maior reconhecimento.

Para os atletas, a competição representa a oportunidade de testar seus níveis técnicos contra adversários de diferentes experiências.

Para a modalidade, significa mais uma etapa na busca por crescimento e consolidação internacional.

Um passo importante para o futuro da modalidade

O Campeonato Sul-Americano de Para-Standing Tennis chega a Brasília em um momento de expansão do esporte adaptado e de maior atenção às pautas relacionadas à inclusão.

Entre 22 e 27 de setembro, atletas das classes PS1, PS2, PS3 e PS4 terão a oportunidade de competir em um cenário internacional, respeitando as características funcionais e as adaptações específicas de cada categoria.

A competição também permitirá que o público conheça mais de perto uma modalidade que combina técnica, estratégia, velocidade e capacidade de adaptação.

Mais do que definir vencedores e campeões, o evento representa uma oportunidade de dar visibilidade aos atletas e mostrar que a deficiência não precisa ser uma barreira para a prática esportiva de alto nível.

Em um período próximo ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, Brasília se transforma em ponto de encontro para histórias diferentes, trajetórias marcadas por desafios e atletas unidos pelo mesmo objetivo: competir.

O Campeonato Sul-Americano de Para-Standing Tennis chega, assim, não apenas como uma disputa internacional, mas como uma celebração da diversidade no esporte e da importância de construir espaços cada vez mais acessíveis para todos.