A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de um lote falsificado do suplemento N-acetil L-cisteína (NAC), da marca Lauton, anunciado para venda na plataforma Shopee. A agência também determinou a interdição cautelar de um lote do medicamento injetável Fauldleuco, fabricado pela Libbs Farmacêutica, após suspeita de desvio de qualidade relacionado à presença de partículas em unidades do produto.
As duas medidas foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (22), por meio de resoluções distintas. As decisões têm como objetivo impedir que produtos sob suspeita continuem sendo comercializados ou utilizados enquanto as questões identificadas são tratadas pelas autoridades sanitárias.
Os casos envolvem situações diferentes: no suplemento NAC, a agência identificou um produto falsificado cuja empresa responsável pela fabricação é desconhecida; no medicamento Fauldleuco, a medida foi motivada por uma suspeita de problema de qualidade em um lote específico.
As determinações reforçam a importância da fiscalização sanitária e da atenção dos consumidores e profissionais de saúde à procedência dos produtos utilizados, especialmente quando se trata de substâncias destinadas ao consumo ou de medicamentos empregados em tratamentos médicos.
Anvisa identifica suplemento falsificado anunciado na Shopee
No caso do suplemento N-acetil L-cisteína (NAC), da marca Lauton, a Anvisa identificou a comercialização de uma versão falsificada do produto na plataforma de comércio eletrônico Shopee.
A resolução cita o lote 11-2025, que apresenta validade até novembro de 2026. Segundo a agência, a empresa responsável pela fabricação do produto falsificado é desconhecida.
Diante da situação, a Anvisa determinou a apreensão e a interdição cautelar do lote, além de proibir sua fabricação, comercialização, distribuição, importação, propaganda e utilização.
A decisão busca impedir que unidades do produto identificado continuem circulando no mercado, uma vez que não há confirmação de que o suplemento falsificado tenha sido fabricado sob condições adequadas ou que sua composição corresponda àquela indicada na embalagem.
Quando um produto é falsificado, não é possível presumir que sua composição, concentração, pureza ou condições de fabricação sejam iguais às do produto legítimo. Isso representa uma preocupação para a saúde pública, sobretudo quando o consumidor não consegue identificar a origem real daquilo que está adquirindo.
A identificação de um produto como falsificado também evidencia a importância de verificar a procedência dos suplementos antes da compra. A aparência da embalagem, a presença de informações impressas e a oferta em uma plataforma conhecida não garantem, por si só, a autenticidade do conteúdo.
A determinação divulgada pela Anvisa está relacionada ao lote especificado na resolução. Por isso, é importante conferir os dados da embalagem e não presumir que todos os produtos da marca estejam envolvidos na mesma medida.
O que é o NAC e por que a procedência importa?
A N-acetil L-cisteína, conhecida como NAC, é uma substância relacionada à cisteína, um aminoácido que participa de processos metabólicos do organismo. Ela é conhecida, entre outras aplicações, pelo uso farmacológico como agente mucolítico e antídoto em situações específicas.
Entretanto, a apresentação, a finalidade e a regulamentação de cada produto precisam ser consideradas individualmente. Um suplemento não deve ser tratado automaticamente como equivalente a um medicamento, e a presença de uma substância conhecida não garante que um produto falsificado seja seguro.
No caso identificado pela Anvisa, a principal preocupação é a ausência de garantia sobre a origem e a fabricação do lote anunciado como suplemento da marca Lauton.
Consumidores que tenham adquirido unidades identificadas como lote 11-2025 devem evitar utilizá-las enquanto verificam a orientação sanitária aplicável. Também é recomendável guardar a embalagem, o comprovante da compra e os dados do vendedor para facilitar a identificação do produto e eventuais providências.
Quem já tiver utilizado o suplemento e apresentar sintomas ou suspeitar de uma reação adversa deve procurar orientação de um profissional de saúde. A avaliação médica é especialmente importante quando existe dúvida sobre a composição de um produto consumido.
Medicamento injetável Fauldleuco também é alvo de medida sanitária
Além do suplemento falsificado, a Anvisa determinou a interdição cautelar do lote 25D0808 do medicamento Fauldleuco, produzido pela Libbs Farmacêutica.
O produto é apresentado como uma solução injetável de 10 mg/mL, acondicionada em frasco-ampola de 30 mL.
De acordo com as informações divulgadas, a decisão foi motivada pela suspeita de desvio de qualidade relacionada à presença de material particulado em unidades do lote.
A presença de partículas em um medicamento injetável é uma questão que exige atenção, pois produtos administrados diretamente no organismo precisam atender a requisitos rigorosos de qualidade, pureza e segurança.
Por esse motivo, a agência adotou a medida cautelar para impedir temporariamente a utilização e a circulação do lote indicado, enquanto a situação é esclarecida.
É importante destacar que a resolução mencionada não confirma definitivamente a existência de um defeito em todas as unidades do lote. A medida foi adotada diante de uma suspeita de desvio de qualidade, e a confirmação do problema depende da apuração correspondente.
A interdição cautelar tem prazo de 90 dias, conforme a decisão divulgada, e se restringe ao lote especificado. A medida não deve ser interpretada automaticamente como uma proibição de todos os produtos fabricados pela empresa.
Qual é a utilização do Fauldleuco?
Segundo as informações fornecidas pela fabricante, o Fauldleuco é indicado para o tratamento da anemia megaloblástica e também pode ser utilizado em associação ao medicamento 5-fluoruracila em cuidados paliativos de pacientes com carcinoma colorretal.
A anemia megaloblástica é uma condição caracterizada pela formação anormal de células sanguíneas, podendo estar relacionada, entre outros fatores, à deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico.
Já o carcinoma colorretal é um tipo de câncer que afeta o cólon ou o reto. Em determinados contextos clínicos, medicamentos são utilizados em combinações terapêuticas para auxiliar no controle da doença e dos sintomas, de acordo com a avaliação da equipe responsável pelo tratamento.
Nos cuidados paliativos, o objetivo é proporcionar qualidade de vida, aliviar o sofrimento e atender às necessidades físicas e emocionais dos pacientes. Esse acompanhamento pode ocorrer em diferentes fases de uma doença grave, conforme as necessidades individuais.
A indicação do Fauldleuco em determinados contextos médicos torna especialmente importante que os profissionais de saúde acompanhem as orientações sanitárias relacionadas ao lote interditado.
Pacientes que estejam recebendo tratamento não devem interromper medicamentos ou modificar a terapia por conta própria. A conduta adequada é procurar a equipe médica ou o serviço de saúde responsável para verificar se o produto utilizado pertence ao lote atingido pela determinação e quais providências devem ser adotadas.
Interdição cautelar não significa confirmação definitiva do problema
A medida relacionada ao Fauldleuco tem caráter cautelar. Isso significa que foi adotada como precaução diante de uma suspeita que precisa ser esclarecida.
A resolução não informa que o problema tenha sido definitivamente confirmado em todas as unidades do lote. Por isso, é necessário distinguir a existência de uma suspeita de qualidade de uma conclusão final sobre a extensão ou a causa do possível desvio.
A interdição por 90 dias se aplica ao lote 25D0808, identificado na decisão. Durante esse período, a situação poderá ser objeto de avaliação pelas autoridades competentes, conforme os procedimentos sanitários aplicáveis.
A farmacêutica Libbs foi procurada pelo portal G1 para comentar a medida, mas, segundo as informações divulgadas, não havia apresentado resposta até a publicação da reportagem.
Como consumidores e pacientes devem agir
Diante de medidas sanitárias envolvendo suplementos e medicamentos, a principal orientação é conferir cuidadosamente as informações do produto e seguir as determinações oficiais.
No caso do NAC falsificado, consumidores devem verificar se possuem unidades do lote 11-2025 e evitar o uso do produto atingido pela decisão. Em relação ao Fauldleuco, pacientes e serviços de saúde devem conferir se o medicamento pertence ao lote 25D0808 e seguir as orientações das autoridades sanitárias e dos profissionais responsáveis.
Não é recomendável descartar embalagens ou informações que possam ajudar a identificar a origem do produto antes de receber orientação sobre como proceder. Esses dados podem ser úteis para o esclarecimento da ocorrência.
As medidas divulgadas pela Anvisa reforçam o papel da vigilância sanitária na prevenção de riscos e na fiscalização de produtos disponíveis no mercado brasileiro.













