Quatro homens foram condenados pela morte de Paula Chaiane Perin Portes, de 18 anos, em Soledade, na região norte do Rio Grande do Sul. A decisão foi anunciada na noite da sexta-feira (23), após quatro dias de julgamento realizado na Câmara de Vereadores do município. As penas aplicadas aos réus somam 60 anos e quatro meses de prisão, e o juiz determinou o cumprimento imediato das condenações, em regime inicial fechado.
O caso, que teve início em junho de 2020, mobilizou familiares, investigadores e integrantes do sistema de Justiça ao longo de mais de seis anos. Paula desapareceu depois de sair para encontrar um dos acusados. Seu corpo foi localizado somente em agosto daquele ano, após semanas de buscas.
A condenação representa uma etapa importante na tramitação judicial do caso. Entretanto, a decisão ainda pode ser contestada pelas defesas por meio de recurso, conforme os procedimentos previstos na legislação brasileira.
Os quatro homens foram julgados por homicídio qualificado, com circunstâncias relacionadas à asfixia, à dissimulação e ao uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Um dos condenados também respondeu pelo crime de ocultação de cadáver.
Penas variam de nove a 21 anos de prisão
A maior pena foi aplicada a Dionatan Portella da Silva, condenado a 21 anos de reclusão. Desse total, 19 anos correspondem ao homicídio, enquanto os outros dois anos são referentes à ocultação de cadáver.
Micael Willian Rossi Ortiz recebeu pena de 20 anos de prisão. Gesriel da Cunha Wedy foi condenado a dez anos, enquanto João Albino Abegg dos Santos recebeu pena de nove anos e quatro meses.
Somadas, as quatro condenações totalizam 60 anos e quatro meses de prisão. O juiz José Pedro Guimarães determinou a execução imediata das penas, em regime inicial fechado.
Dois dos condenados já estavam presos antes do julgamento. Os outros dois foram detidos no plenário após a leitura da sentença.
A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, como homicídios. Nesse tipo de julgamento, os jurados analisam as provas apresentadas pela acusação e pelas defesas e respondem aos quesitos formulados durante o processo. Com base nas respostas do Conselho de Sentença, o juiz responsável estabelece a sentença e define as penas aplicáveis.
Apesar da condenação, o processo ainda pode ter novos desdobramentos. As defesas têm a possibilidade de recorrer da decisão, e eventuais recursos deverão ser examinados pelas instâncias competentes.
Desaparecimento aconteceu em junho de 2020
Paula Chaiane Perin Portes desapareceu em 10 de junho de 2020, quando tinha apenas 18 anos. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a jovem saiu para encontrar um dos acusados em uma residência localizada no bairro Fontes, em Soledade.
A partir daquele momento, a família passou a enfrentar a incerteza sobre o paradeiro da jovem. O desaparecimento deu início a uma investigação que se estendeu por semanas e exigiu buscas para tentar localizar Paula.
Segundo a acusação, a jovem foi morta por asfixia durante a madrugada do dia seguinte ao desaparecimento. Depois do homicídio, o corpo teria sido transportado e escondido em uma área rural.
Os restos mortais foram encontrados em 16 de agosto de 2020, na localidade de Rincão do Bugre, também em Soledade. A localização ocorreu mais de dois meses depois do desaparecimento.
A demora para encontrar o corpo prolongou o período de angústia vivido pela família e tornou o caso ainda mais complexo para as autoridades responsáveis pela apuração.
A partir das informações reunidas durante a investigação, o Ministério Público apresentou a denúncia contra os quatro homens, que posteriormente foram levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Ministério Público apontou possível motivação por vingança
De acordo com a tese apresentada pelo Ministério Público durante o processo, o crime teria sido motivado por vingança. A acusação sustentou que Paula poderia revelar informações relacionadas a agressões contra uma ex-companheira de um dos réus, além de outros fatos que poderiam comprometê-lo.
Essa versão integrou a narrativa apresentada pela acusação para explicar as circunstâncias que teriam levado ao homicídio.
A motivação apontada pelo Ministério Público, contudo, deve ser compreendida como parte da tese acusatória apresentada no processo. Os detalhes e os elementos considerados pelo Conselho de Sentença fazem parte da análise judicial que resultou na condenação dos quatro réus.
O caso foi enquadrado como homicídio qualificado, considerando circunstâncias descritas na acusação, entre elas a asfixia, a dissimulação e o emprego de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A denúncia também atribuiu a Dionatan Portella da Silva a ocultação do cadáver.
A definição da responsabilidade penal dos acusados ocorreu após a apresentação das provas, a oitiva das testemunhas e os interrogatórios realizados durante as sessões do júri.
Julgamento durou quatro dias
O julgamento foi realizado ao longo de quatro dias na Câmara de Vereadores de Soledade. Durante as sessões, foram ouvidas testemunhas e realizados os interrogatórios dos quatro acusados.
Os réus negaram envolvimento no crime. As defesas questionaram as provas reunidas durante a investigação e sustentaram a inocência de seus clientes.
A análise dos argumentos da acusação e das defesas foi conduzida dentro dos procedimentos do Tribunal do Júri. Ao final, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade criminal dos quatro homens, permitindo que o juiz anunciasse as condenações e estabelecesse as penas.
A duração do julgamento reflete a complexidade de um processo que envolveu o desaparecimento da jovem, a localização dos restos mortais, a apuração das circunstâncias da morte e a responsabilização dos acusados.
A sentença foi anunciada na noite da sexta-feira (23), encerrando a etapa do julgamento em primeira instância. A possibilidade de recurso, no entanto, mantém aberta a discussão judicial sobre eventuais questionamentos apresentados pelas defesas.
Processo teve adiamentos e longa tramitação
O caso enfrentou dificuldades ao longo de sua tramitação judicial. Uma sessão de julgamento prevista para abril de 2026, por exemplo, foi suspensa após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça relacionada a questões processuais.
Esse adiamento prolongou a espera pela realização do júri, que só foi concluído em outubro de 2026.
A tramitação de processos criminais complexos pode envolver discussões sobre procedimentos, análise de provas e decisões judiciais que precisam ser resolvidas antes da realização do julgamento. No caso de Paula, essas etapas contribuíram para que a decisão do Tribunal do Júri ocorresse mais de seis anos depois do crime.
Com a sentença anunciada, as penas foram estabelecidas e o cumprimento imediato foi determinado pelo juiz. Ainda assim, o andamento do processo dependerá dos eventuais recursos apresentados e das decisões que vierem a ser tomadas pelas instâncias judiciais.
Condenação marca nova etapa no caso
A morte de Paula Perin Portes deixou uma história marcada pelo desaparecimento, pelas buscas e pela espera por respostas. Aos 18 anos, a jovem desapareceu em junho de 2020, e seus restos mortais foram encontrados somente em agosto daquele ano.
Mais de seis anos depois, o julgamento terminou com a condenação dos quatro homens denunciados pelo Ministério Público. As penas somam 60 anos e quatro meses de prisão, com determinação de cumprimento imediato em regime inicial fechado.
Embora a sentença represente um desfecho importante na primeira instância, a possibilidade de recurso significa que o processo ainda poderá ter novos capítulos judiciais.
O caso reforça a importância da investigação criminal, da análise das provas e do funcionamento do Tribunal do Júri na responsabilização por crimes contra a vida. Para familiares e pessoas próximas de Paula, a conclusão do julgamento representa uma nova etapa após anos de espera por uma decisão judicial.
O JRT News acompanha os desdobramentos do caso e atualizará as informações caso sejam divulgadas novas decisões ou manifestações oficiais relacionadas ao processo.














