Americana moradora de Los Angeles, nos Estados Unidos, Lisa Dabahdest viveu uma experiência durante uma viagem ao Brasil que chamou a atenção nas redes sociais e colocou em evidência uma das características do Sistema Único de Saúde (SUS): o atendimento público e gratuito à população, incluindo estrangeiros que estão temporariamente no país. Ela procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em São Paulo e recebeu gratuitamente a vacina contra a febre amarela.
Segundo a criadora de conteúdo, a aplicação do imunizante custaria cerca de US$ 400 na cidade onde mora. Ao conseguir a dose pela rede pública brasileira, ela afirmou ter economizado esse valor, além de ter encontrado uma alternativa acessível para se preparar para futuras viagens internacionais.
A experiência aconteceu durante uma visita ao Brasil, há aproximadamente um ano e meio, e foi compartilhada inicialmente no TikTok. Mais recentemente, o assunto voltou a ganhar repercussão após Lisa publicar um vídeo no Instagram relatando a situação e comentando a possibilidade de receber a vacina sem pagar pela aplicação.
O episódio despertou interesse por mostrar, na prática, como funciona o acesso aos serviços públicos de saúde brasileiros e quais são as condições para que visitantes estrangeiros utilizem essa estrutura.
Vacinação entrou no planejamento da viagem
De acordo com o relato de Lisa, a ideia de conhecer o Brasil já fazia parte de seus planos quando ela descobriu que poderia receber a vacina contra a febre amarela gratuitamente durante a visita.
A informação surgiu cerca de duas semanas antes do embarque, enquanto pesquisava na internet e em fóruns sobre clínicas particulares que ofereciam o imunizante. Ao perceber a diferença entre os custos que encontrava nos Estados Unidos e a possibilidade de vacinação na rede pública brasileira, ela passou a considerar a aplicação durante a viagem.
A decisão também estava relacionada ao interesse em conhecer outros países. Em uma viagem anterior ao Panamá, a americana contou que sentiu falta de estar protegida contra a doença para explorar mais regiões do destino.
Por isso, a vacinação no Brasil passou a fazer parte de sua preparação para futuros roteiros, especialmente para países da África Ocidental, onde a febre amarela pode representar um risco em determinadas áreas.
Lisa afirmou que estaria disposta a pagar pela aplicação caso fosse necessário, mas elogiou a possibilidade de receber o imunizante gratuitamente. A experiência, segundo o relato divulgado nas redes sociais, mostrou uma alternativa que ela não esperava encontrar durante a passagem pelo país.
Como funciona o Sistema Único de Saúde
O Sistema Único de Saúde é a rede pública brasileira responsável por oferecer serviços de saúde à população. Criado a partir dos princípios estabelecidos pela Constituição Federal de 1988, o SUS garante o direito à saúde e organiza ações que vão desde a prevenção de doenças até tratamentos especializados e procedimentos de alta complexidade.
Sua estrutura inclui Unidades Básicas de Saúde, serviços de vacinação, atendimento de urgência e emergência, hospitais, vigilância epidemiológica, distribuição de medicamentos e programas de acompanhamento de diferentes condições de saúde.
A gestão é compartilhada entre União, estados e municípios. O Ministério da Saúde coordena políticas nacionais, enquanto governos estaduais e administrações municipais participam da organização e execução dos serviços, de acordo com suas responsabilidades.
O funcionamento do sistema se apoia em três princípios fundamentais.
A universalidade estabelece que todas as pessoas têm direito ao acesso à saúde, sem discriminação. A equidade orienta a distribuição de recursos conforme as diferentes necessidades da população, buscando reduzir desigualdades. Já a integralidade prevê um cuidado que considere as diversas etapas da atenção à saúde, incluindo promoção, prevenção, tratamento e reabilitação.
Esses princípios ajudam a explicar por que a rede pública brasileira pode atender pessoas em diferentes situações, inclusive estrangeiros que necessitam de determinados serviços enquanto estão no país.
Estrangeiros podem receber atendimento pelo SUS?
Sim. O SUS não restringe o atendimento exclusivamente aos brasileiros. Estrangeiros que estejam no território nacional também podem procurar os serviços públicos de saúde, inclusive turistas, observadas as condições de funcionamento de cada unidade e as orientações aplicáveis ao atendimento solicitado.
Isso significa que visitantes podem buscar assistência em situações de urgência, receber orientações de saúde e, quando atendidos os critérios estabelecidos, ter acesso a serviços como a vacinação.
No caso dos imunizantes, porém, a disponibilidade depende de fatores como as recomendações do Programa Nacional de Imunizações, a avaliação das condições de saúde da pessoa, a existência de doses na unidade e os procedimentos adotados pelo serviço.
A vacinação contra a febre amarela, por exemplo, não deve ser tratada como um procedimento automaticamente indicado para qualquer visitante. A equipe de saúde precisa considerar a idade, o histórico vacinal, eventuais contraindicações e as recomendações sanitárias relacionadas ao destino da viagem.
Também é importante distinguir o acesso ao SUS da garantia de atendimento imediato em qualquer unidade. A organização dos serviços e a disponibilidade de determinados procedimentos podem variar entre localidades.
A experiência de Lisa demonstra que um estrangeiro pode conseguir vacinação pela rede pública, mas não significa que todas as unidades ofereçam o imunizante em qualquer momento ou que todos os visitantes tenham necessariamente as mesmas necessidades de proteção.
O que é a febre amarela?
A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos infectados. Nas Américas, a transmissão ocorre principalmente em ambientes silvestres, envolvendo mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes e primatas não humanos no ciclo de transmissão.
Os macacos não transmitem diretamente a doença às pessoas. Eles podem ser infectados pelo vírus e, por isso, funcionam como importantes indicadores da circulação da febre amarela em determinadas regiões. Encontrar um macaco morto ou doente deve ser comunicado às autoridades de saúde, sem tocar no animal.
A doença pode apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e fraqueza. Em casos graves, pode provocar comprometimento do fígado e dos rins, hemorragias e outras complicações potencialmente fatais.
Embora nem todas as pessoas infectadas desenvolvam formas graves, a possibilidade de complicações torna a prevenção especialmente importante.
Vacina é a principal forma de prevenção
A vacinação é a medida mais importante para prevenir a febre amarela. No Brasil, a indicação segue as orientações do Ministério da Saúde e deve considerar a situação epidemiológica, a idade e as condições individuais de cada pessoa.
Quem pretende viajar para áreas com recomendação de vacinação deve verificar com antecedência se precisa receber a dose ou atualizar o esquema vacinal. Isso é especialmente relevante para viagens internacionais, pois alguns países podem exigir comprovação de vacinação contra a doença para a entrada de determinados viajantes.
O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) é o documento utilizado para comprovar a vacinação quando exigido pelas regras sanitárias do destino. A necessidade do certificado deve ser conferida antes do embarque, considerando o país visitado e as condições da viagem.
A vacina contra a febre amarela é segura e eficaz para a maioria das pessoas elegíveis, mas possui contraindicações e precauções específicas. Pessoas com determinadas condições de saúde, imunidade comprometida ou histórico clínico relevante precisam de avaliação profissional antes da aplicação.
Por isso, não é recomendado procurar a vacina apenas por ser gratuita sem antes confirmar se ela está indicada para a situação individual.
Uma experiência que chamou a atenção para a saúde pública
O relato de Lisa Dabahdest ganhou destaque porque reuniu dois assuntos de interesse público: o custo de serviços de saúde nos Estados Unidos e a possibilidade de receber gratuitamente determinados cuidados pela rede pública brasileira.
A economia de US$ 400 mencionada pela americana se refere à estimativa de custo que ela apresentou para a vacinação em Los Angeles. Esse valor não deve ser interpretado como um preço universal praticado por todas as clínicas americanas, já que os custos podem variar conforme o estabelecimento, a região e os serviços incluídos.
Ainda assim, a experiência ilustra como o acesso a um serviço público pode fazer diferença para quem precisa se preparar para uma viagem e encontra alternativas de atendimento no país visitado.
O episódio também ajuda a esclarecer que o SUS atende pessoas além das fronteiras da nacionalidade brasileira, embora cada procedimento dependa das recomendações sanitárias e das condições de atendimento.
Para quem pretende viajar, a principal orientação é planejar a vacinação com antecedência, consultar fontes oficiais e buscar uma unidade de saúde para esclarecer dúvidas sobre imunização.
A história de Lisa mostra que uma viagem ao Brasil pode proporcionar experiências inesperadas. Nesse caso, além de conhecer o país, a americana encontrou uma forma de se proteger contra a febre amarela e afirmou ter economizado uma quantia significativa, destacando um dos serviços oferecidos pela rede pública brasileira.
















