Negócio que criaria um dos maiores grupos de mídia do mundo já enfrenta contestação de estados americanos e análise de reguladores na Europa.

A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA, na sigla em inglês) anunciou a abertura de uma investigação sobre a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, em um negócio avaliado em cerca de US$ 110 bilhões. A informação foi divulgada nesta terça-feira (9) pela agência Bloomberg.

A análise busca avaliar se a operação pode prejudicar a concorrência no mercado de mídia e entretenimento, setor que movimenta bilhões de libras anualmente na economia britânica.

Caso receba aprovação dos órgãos reguladores, a fusão criará um dos maiores conglomerados de comunicação e entretenimento do mundo, reunindo marcas históricas e algumas das franquias mais populares da indústria audiovisual.

Entre os ativos que ficariam sob o mesmo controle estão estúdios responsáveis por produções como Harry Potter, Missão Impossível e o clássico Casablanca, além de empresas e canais de grande alcance internacional, como CNN, CBS, HBO e diversas redes de televisão.

Primeira fase da investigação vai até agosto

A autoridade britânica estabeleceu o dia 7 de agosto como prazo para concluir a primeira etapa da análise. Nessa fase, os reguladores irão determinar se a transação apresenta riscos significativos para a concorrência no setor.

Caso sejam identificadas preocupações relevantes, a operação poderá avançar para uma segunda fase de investigação, mais aprofundada, que pode se estender por vários meses.

Segundo a CMA, o tamanho e a influência das empresas envolvidas exigem uma avaliação criteriosa dos possíveis impactos sobre consumidores, produtores de conteúdo e concorrentes.

Pressão de sindicatos e profissionais do setor

A abertura da investigação já era esperada e ocorre em meio à pressão de sindicatos, associações da indústria cinematográfica e grupos de interesse público, que defendem uma análise rigorosa da operação.

Entre as principais preocupações estão os possíveis impactos sobre a diversidade de conteúdo, a concentração de mercado e eventuais cortes de empregos após a integração das empresas.

Profissionais de Hollywood, incluindo atores, roteiristas e trabalhadores da indústria audiovisual, também acompanham o processo com atenção, temendo reduções de equipes e reestruturações corporativas.

David Ellison lidera a operação

O negócio é liderado por David Ellison, CEO da Paramount Skydance, que venceu uma longa disputa envolvendo diferentes interessados na aquisição. Entre os concorrentes estavam gigantes do setor de entretenimento, incluindo a Netflix.

Filho de Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos empresários mais ricos do mundo, David poderá assumir o comando de um dos maiores impérios de mídia da atualidade caso a operação seja concluída.

Resistência também cresce nos Estados Unidos

A fusão enfrenta desafios não apenas no Reino Unido. Nos Estados Unidos, autoridades estaduais também analisam possíveis medidas para impedir a concretização do negócio.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, estados como Califórnia e Nova York estudam ações judiciais baseadas em preocupações relacionadas à concentração de mercado e à redução da concorrência no setor de entretenimento.

A Paramount, no entanto, rebate as críticas e argumenta que a fusão fortaleceria a competição frente a empresas já consolidadas no mercado global de streaming e produção audiovisual, especialmente a Netflix.

União Europeia também avalia o acordo

A operação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores da União Europeia. Uma decisão preliminar do bloco está prevista para o dia 7 de julho.

De acordo com informações da Bloomberg, a Paramount já sinalizou disposição para vender alguns ativos voltados ao público infantil, caso essa medida seja considerada necessária para atender às exigências regulatórias europeias.

Em nota, a empresa afirmou que a abertura da investigação britânica era esperada e reiterou que continuará colaborando com as autoridades para demonstrar que a fusão poderá gerar benefícios ao mercado e aos consumidores.

A decisão final sobre o futuro do negócio deverá passar por uma série de avaliações regulatórias nos próximos meses, enquanto o setor de entretenimento acompanha de perto uma das maiores operações corporativas da história da indústria audiovisual.