O anúncio de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos acendeu um alerta no setor industrial. Com a medida, determinados produtos manufaturados poderão ser taxados em até 37,5%, elevando os custos para exportadores e aumentando a preocupação com possíveis impactos sobre investimentos, produção e empregos.

Enquanto parte do agronegócio ficou praticamente fora dos efeitos da nova cobrança, representantes da indústria afirmam que o segmento será o mais afetado e defendem que o governo brasileiro priorize o diálogo com as autoridades norte-americanas para buscar uma solução negociada.

Governo reage e anuncia medidas

Em nota divulgada nesta sexta-feira (24), o Palácio do Planalto classificou a decisão dos Estados Unidos como “completamente arbitrária e injustificada”.

O governo informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando a medida adotada pelo governo norte-americano.

Os Estados Unidos justificaram a nova tarifa alegando que o Brasil não possui legislação suficientemente rigorosa para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

Setor produtivo pede negociação

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou que cerca de 85% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano poderão ficar sujeitas à tarifa total de 37,5%, resultado da soma da alíquota de 25% anunciada anteriormente com os novos 12,5%.

Segundo a entidade, esse cenário compromete a competitividade da indústria brasileira, dificulta o comércio bilateral e pode elevar custos tanto para empresas quanto para consumidores dos dois países.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu que o caminho mais eficiente para resolver o impasse é a retomada das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano.

A entidade também alertou que uma resposta baseada exclusivamente em medidas de reciprocidade pode ampliar as tensões comerciais e gerar novos prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores.

Indústria de máquinas prevê queda nas exportações

Entre os setores mais preocupados está o de máquinas e equipamentos.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) avalia que o aumento das tarifas elimina boa parte da competitividade dos fabricantes brasileiros no mercado norte-americano.

Em 2025, o setor exportou aproximadamente US$ 13,8 bilhões, sendo os Estados Unidos o principal destino das vendas, responsáveis por cerca de US$ 3,2 bilhões.

Segundo o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, a expectativa é de uma redução entre 10% e 11% nas exportações para os Estados Unidos caso o novo cenário seja mantido.

Além de defender negociações diplomáticas, a entidade propõe medidas de apoio ao setor, como incentivos fiscais, ampliação de programas de promoção comercial e estímulo à diversificação dos mercados internacionais.

CNI reforça necessidade de diálogo

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também manifestou preocupação com os efeitos das novas tarifas e reiterou apoio à estratégia de negociação conduzida pelo governo federal.

Após reunião com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que o diálogo continua sendo a principal alternativa para preservar o comércio entre os dois países.

Segundo ele, a CNI trabalha em conjunto com o governo na criação de uma nova frente dentro da política Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao apoio das empresas atingidas e ao fortalecimento da internacionalização da indústria nacional.

A entidade alerta que os produtos manufaturados são os mais vulneráveis às novas tarifas, já que operam com margens de lucro menores e enfrentam forte concorrência internacional, dificultando o repasse dos custos ao consumidor.

Fiemg alerta para riscos ao emprego

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também defendeu uma atuação rápida e técnica do governo brasileiro para ampliar a lista de produtos isentos da tarifa e preservar a competitividade das empresas exportadoras.

Segundo a entidade, a combinação das novas tarifas poderá provocar perda de contratos internacionais, redução da produção industrial, adiamento de investimentos e impactos negativos sobre a geração de empregos.

A federação reforçou que uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos é considerada o caminho mais eficaz para reduzir os prejuízos ao setor produtivo e garantir maior segurança às empresas que dependem do mercado norte-americano.

Enquanto o governo brasileiro prepara medidas jurídicas e diplomáticas para contestar a decisão, empresários acompanham o desenrolar das negociações com expectativa de que uma solução seja encontrada antes que os efeitos econômicos se tornem mais profundos para a indústria nacional.