Caso aconteceu em Manaus. Centro de reprodução assistida não tinha autorização para funcionar e apresentava graves irregularidades

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quarta-feira (17) a interdição de duas clínicas de reprodução assistida em Manaus, no Amazonas, após identificar uma série de irregularidades consideradas graves durante fiscalizações realizadas nos estabelecimentos.

Segundo o órgão, as unidades funcionavam sem atender requisitos fundamentais de segurança e qualidade exigidos para procedimentos de reprodução humana, colocando em risco pacientes e materiais biológicos utilizados nos tratamentos.

Uma das clínicas interditadas foi o La Vitta Centro de Reprodução Humana. Durante a inspeção, os fiscais encontraram problemas que vão desde a presença de pragas no laboratório de fertilização in vitro até falhas na triagem de doadoras de óvulos. De acordo com a Anvisa, não eram realizados exames essenciais para detectar doenças transmissíveis e alterações genéticas, medida considerada indispensável para garantir a segurança dos procedimentos.

A fiscalização também constatou irregularidades no armazenamento de medicamentos sujeitos a controle especial, além da ausência de documentação sanitária obrigatória. Outro problema identificado foi o vencimento da anotação de responsabilidade técnica junto ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM).

Entre os achados mais preocupantes, a Anvisa destacou falhas no monitoramento dos embriões criopreservados. Conforme o relatório da inspeção, os parâmetros de armazenamento observados estavam abaixo dos níveis recomendados para assegurar a qualidade e a viabilidade do material biológico mantido pela clínica.

Diante da gravidade das irregularidades, o estabelecimento foi interditado cautelarmente e permanecerá com as atividades suspensas até que todas as exigências sanitárias sejam cumpridas.

A segunda unidade fiscalizada foi a Clínica Fêmina. Segundo a Anvisa, o local realizava procedimentos típicos de reprodução assistida sem possuir o devido licenciamento sanitário para funcionamento.

De acordo com o órgão regulador, a ausência dessa autorização impede a fiscalização adequada dos serviços prestados, comprometendo a segurança dos pacientes e a integridade dos materiais biológicos utilizados nos tratamentos.

A reprodução assistida é uma área que exige rigorosos protocolos de qualidade, uma vez que envolve procedimentos delicados e o armazenamento de células reprodutivas e embriões. Por isso, a atuação dos órgãos de fiscalização é considerada fundamental para garantir a segurança dos pacientes e a confiabilidade dos tratamentos oferecidos.

A Anvisa informou que continuará acompanhando o caso e que as clínicas somente poderão retomar suas atividades após a regularização completa das pendências identificadas durante as inspeções.