O Brasil registrou uma redução expressiva nos casos prováveis de dengue nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e 11 de abril, foram contabilizados 227,5 mil casos, contra 916,4 mil no mesmo período de 2025 — uma queda de aproximadamente 75%.
Apesar do cenário mais favorável, especialistas alertam que o momento exige atenção. A possibilidade de intensificação do fenômeno climático El Niño ao longo dos próximos meses pode criar condições favoráveis para a circulação do Aedes aegypti e provocar uma nova elevação dos casos.
Para especialistas, a redução atual representa também uma oportunidade para reforçar ações de prevenção, vigilância e preparação do sistema de saúde antes de uma eventual mudança no cenário epidemiológico.
Temperatura e chuvas podem influenciar transmissão
O El Niño está associado a alterações de temperatura e no regime de chuvas em diferentes regiões do país. Essas mudanças podem interferir no ciclo de vida do mosquito transmissor da dengue e na formação de criadouros.
O biólogo Filipe Abreu, professor do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), explica que temperaturas mais elevadas podem acelerar o desenvolvimento do Aedes aegypti e também reduzir o período necessário para que o vírus se desenvolva dentro do mosquito.
As alterações nas chuvas também podem ter impacto. Dependendo da região, o acúmulo de água pode aumentar a quantidade de locais disponíveis para a reprodução do mosquito.
O especialista ressalta, porém, que os efeitos não são iguais em todas as áreas. Períodos mais secos ou frios podem, em determinadas regiões, reduzir a população do vetor.
Além disso, o aumento das temperaturas associado às mudanças climáticas pode tornar algumas áreas anteriormente menos favoráveis mais adequadas à presença do mosquito, ampliando o território de risco.
Manaus reforça monitoramento
Diante da possibilidade de mudança no cenário, municípios já começam a investir em estratégias de vigilância.
Em Manaus, a prefeitura iniciou a implantação de um sistema de monitoramento com 960 ovitrampas, dispositivos utilizados para identificar a presença e a concentração de ovos do Aedes.
As armadilhas são distribuídas por diferentes regiões da cidade e coletadas periodicamente. As informações obtidas ajudam as equipes de saúde a elaborar mapas e identificar áreas com maior concentração do mosquito.
A proposta é antecipar a identificação de possíveis focos e direcionar as ações de controle para regiões consideradas mais vulneráveis.
Quais são os sintomas da dengue?
A dengue é uma doença febril que geralmente começa de forma repentina e pode durar cerca de uma semana.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- febre alta;
- dor no corpo;
- dor de cabeça;
- dor atrás dos olhos;
- cansaço;
- náuseas;
- manchas avermelhadas na pele.
Na maioria dos casos, a doença evolui de forma autolimitada. No entanto, algumas pessoas podem desenvolver formas graves e precisar de atendimento médico.
Atenção aos sinais de alerta
Alguns sintomas podem indicar agravamento do quadro e exigem avaliação médica imediata, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sonolência e alterações de consciência.
A transmissão ocorre principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado. Muitas vezes, a picada não provoca dor ou coceira e pode passar despercebida.
Mesmo com os avanços na prevenção e na vacinação contra a dengue, o controle do mosquito continua sendo uma das principais estratégias para reduzir a transmissão.
Por isso, a orientação é evitar o acúmulo de água parada em casas, quintais, terrenos e espaços públicos. Pequenos recipientes, caixas-d’água, vasos de plantas, pneus e outros objetos capazes de acumular água podem se transformar em criadouros.
A queda de 75% nos casos representa uma notícia positiva para o país, mas especialistas reforçam que o combate à dengue precisa continuar. Com mudanças climáticas e possíveis alterações provocadas pelo El Niño, a prevenção permanece essencial para evitar que o atual alívio seja seguido por uma nova onda de transmissão.











