Especialistas explicam que doenças graves dependem de fatores específicos para terem potencial de evoluir para uma pandemia
Os recentes surtos de hantavírus e ebola registrados em diferentes partes do mundo reacenderam o debate sobre o risco de uma nova pandemia global. Embora os casos tenham mobilizado autoridades sanitárias internacionais e acendido alertas entre especialistas, os dois cenários ainda são considerados diferentes de uma ameaça pandêmica como a vivida durante a Covid-19.
No início de maio, um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico resultou na morte de três pessoas e levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a coordenar ações de resposta, avaliação de risco e evacuação de passageiros. Já na África, o surto de ebola causado pela variante Bundibugyo atingiu 695 casos confirmados e provocou 138 mortes na República Democrática do Congo e em Uganda, segundo dados divulgados pela OMS.
Apesar da gravidade dos casos, especialistas explicam que a principal diferença entre um surto localizado e uma pandemia está na capacidade de transmissão sustentada entre pessoas e na facilidade de disseminação pelo mundo.
O que define uma pandemia?
De acordo com especialistas em infectologia e virologia, um agente infeccioso só apresenta potencial pandêmico quando consegue se espalhar de forma contínua e eficiente entre pessoas, ultrapassando fronteiras e alcançando diferentes regiões do planeta.
A Covid-19 é um exemplo clássico. No início da pandemia, uma única pessoa infectada podia transmitir o vírus para várias outras antes mesmo de apresentar sintomas, dificultando o controle da doença.
Já enfermidades como o ebola e o hantavírus possuem formas de transmissão mais limitadas. O ebola, por exemplo, é transmitido principalmente por contato direto com sangue e fluidos corporais de pessoas infectadas. O hantavírus, por sua vez, costuma ser contraído por meio da inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores silvestres.
Essas características tornam a disseminação mais lenta e facilitam a adoção de medidas de controle pelas autoridades de saúde.
Brasil segue sem risco imediato
O Ministério da Saúde informou que o surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro não representa risco para o Brasil, já que a variante envolvida não circula no país.
Até maio deste ano, o Brasil havia confirmado sete casos da doença e um óbito, sem qualquer relação com o episódio internacional. Em relação ao ebola, todos os casos suspeitos notificados em território brasileiro foram descartados.
Embora a OMS tenha classificado o atual surto de ebola como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, a avaliação de risco global permanece baixa, enquanto os níveis de alerta são considerados mais elevados apenas nas regiões diretamente afetadas da África.
Vigilância e prevenção são fundamentais
Especialistas destacam que o mundo está mais preparado para identificar ameaças sanitárias após as lições deixadas pela pandemia de Covid-19. Atualmente, sistemas de vigilância monitoram constantemente vírus em animais silvestres, rebanhos, animais domésticos e seres humanos para detectar possíveis riscos antes que eles se transformem em crises globais.
Além disso, a rapidez na identificação dos casos, na comunicação às autoridades e na adoção de medidas de controle é considerada essencial para evitar a propagação de novas doenças.
Outro desafio enfrentado pelas autoridades sanitárias é o combate à desinformação. Durante a pandemia de Covid-19, a circulação de notícias falsas dificultou ações de prevenção e tratamento em diversos países. O fenômeno ficou conhecido pela OMS como “infodemia”, termo utilizado para descrever o excesso de informações enganosas que podem comprometer a saúde pública.
Alerta sem pânico
Para especialistas, os surtos atuais reforçam a importância da vigilância epidemiológica global, mas não indicam, neste momento, o surgimento de uma nova pandemia.
A recomendação é que a população acompanhe informações divulgadas por órgãos oficiais de saúde e evite compartilhar conteúdos sem confirmação científica. O monitoramento contínuo, aliado à cooperação internacional e à informação de qualidade, continua sendo a principal ferramenta para enfrentar ameaças sanitárias emergentes e proteger a população.










