O câncer de colo de útero registra anualmente cerca de 19 mil casos, de acordo com o INCA. O motivo é a baixa adesão ao rastreamento
O Brasil vive um momento de transformação no combate ao câncer do colo do útero, uma das doenças que mais afetam a saúde feminina no país. Com cerca de 19 mil novos casos registrados anualmente, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), especialistas defendem que ampliar o acesso ao rastreamento é fundamental para reduzir o número de diagnósticos tardios e salvar vidas.
Uma das principais novidades é a adoção do teste molecular para detecção do HPV (Papilomavírus Humano), vírus responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero. A nova estratégia passa a substituir gradualmente o tradicional exame de Papanicolau no Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo dos próximos anos.
Além de apresentar maior sensibilidade para identificar lesões pré-cancerosas, o novo método traz uma inovação que pode ampliar significativamente a participação das mulheres nos programas de prevenção: a autocoleta vaginal.
Exame pode ser realizado pela própria mulher
A autocoleta permite que a própria mulher realize a coleta da amostra de forma simples, rápida e indolor. O procedimento pode ser feito em casa, em unidades de saúde ou em outros locais adequados, reduzindo barreiras que muitas vezes impedem a realização dos exames preventivos.
Especialistas destacam que fatores como vergonha, medo do desconforto durante o exame ginecológico, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e situações de vulnerabilidade social ainda afastam milhares de mulheres do rastreamento regular.
A expectativa é que a nova metodologia aumente a adesão ao diagnóstico precoce, principalmente entre grupos que historicamente apresentam menor acesso aos serviços de saúde.
Câncer altamente prevenível
De acordo com pesquisadores da área, o câncer do colo do útero é considerado uma doença amplamente prevenível. A combinação entre vacinação contra o HPV e rastreamento adequado pode evitar a grande maioria dos casos.
Por isso, a ampliação das estratégias de prevenção é vista como uma ferramenta essencial para reduzir a incidência da doença e a mortalidade associada ao câncer.
Pesquisa busca ampliar equidade no acesso à saúde
Com foco na inclusão e na redução das desigualdades, pesquisadores da Rede Previna-se, coordenada pela professora Marcia Edilaine Lopes Consolaro, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), estão desenvolvendo um estudo nacional voltado para mulheres negras urbanas e quilombolas.
A iniciativa pretende avaliar a aceitação e a adesão à autocoleta para o teste de HPV entre essas populações, que apresentam índices preocupantes de mortalidade relacionados ao câncer do colo do útero.
O projeto envolve cidades de diferentes regiões do Brasil, incluindo Maringá (PR), Dourados (MS), Manaus (AM), Natal (RN) e Recife (PE). Ao todo, cerca de 600 mulheres participarão da pesquisa.
A ação conta com o apoio de agentes comunitários de saúde e lideranças locais, responsáveis por orientar as participantes e facilitar o acesso às informações sobre prevenção e diagnóstico.
Diagnóstico precoce pode salvar vidas
Após a realização da autocoleta, as amostras serão analisadas em laboratórios especializados para identificar a presença de tipos de HPV considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer.
As mulheres que apresentarem resultados positivos serão encaminhadas para acompanhamento médico e tratamento adequado, aumentando as chances de prevenção e cura.
Além dos benefícios diretos para as participantes, os pesquisadores acreditam que os resultados poderão contribuir para a formulação de políticas públicas mais inclusivas e eficazes, fortalecendo o combate ao câncer do colo do útero em todo o país.
A expectativa é que a autocoleta se consolide como uma importante ferramenta para ampliar o acesso ao rastreamento, promover mais equidade na saúde e garantir que um número cada vez maior de mulheres tenha acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.















