Taxa de 2,2% é a menor dos últimos 10 anos. Programa de incentivo financeiro (Pé-de-Meia), implementação de mudanças no novo ensino médio e avanço da educação integral ocorreram neste período.
A evasão escolar, um dos principais desafios históricos da educação brasileira, registrou forte queda no país e atingiu o menor nível da série histórica no início do ensino médio, segundo dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O levantamento mostra que a taxa de abandono no 1º ano do ensino médio caiu de 8,7% em 2015 para 2,2% em 2025, uma redução expressiva em dez anos. Em relação apenas ao último ano, a queda também chama atenção: de 3,7% em 2024 para 2,2% em 2025, recuo superior a 40%.
Porta de entrada do ensino médio ainda é o principal desafio
O início do ensino médio segue sendo o momento mais crítico para a permanência dos estudantes na escola. É nessa fase que muitos jovens, especialmente os de baixa renda, enfrentam a necessidade de ingressar precocemente no mercado de trabalho, além da dificuldade de adaptação ao novo modelo de ensino e à complexidade dos conteúdos.
De acordo com especialistas, essa combinação ainda explica parte das desistências registradas no sistema educacional.
Possíveis fatores para a queda
Entre os fatores apontados como possíveis responsáveis pela redução do abandono escolar estão políticas públicas recentes e mudanças estruturais na educação brasileira.
Um dos destaques é o programa federal Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro a estudantes de baixa renda da rede pública para estimular a permanência na escola. O benefício inclui pagamentos por matrícula, frequência mínima e conclusão de série.
“Junto com o programa de bolsas, outros fatores podem estar ajudando essa taxa, como a expansão dos cursos técnicos e do tempo integral”, avaliou Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do movimento Todos Pela Educação.
Também são citadas mudanças no chamado “novo ensino médio”, reestruturado a partir de 2024, com a proposta de tornar o currículo mais flexível e alinhado aos interesses dos jovens, além da expansão da educação em tempo integral e do ensino técnico integrado.
Permanecer na escola não é o mesmo que aprender
Apesar da melhora nos índices de permanência, especialistas alertam que o desafio da educação brasileira vai além de manter os alunos na escola. A qualidade da aprendizagem ainda é considerada baixa.
Segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica (2025), apenas 7,7% dos concluintes do ensino médio atingem nível adequado de conhecimento em português e matemática simultaneamente.
“O motivo que mais explica jovens fora da escola é a falta de interesse nos estudos. Então, a prioridade máxima deve ser tornar a escola mais atrativa e com aprendizagem significativa”, destacou Gabriel Corrêa.
Para a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, os avanços no fluxo escolar são importantes, mas precisam ser acompanhados de melhorias na aprendizagem.
“Os dados indicam que o Brasil está conseguindo reduzir barreiras históricas de permanência na escola. Agora, o próximo ciclo de políticas públicas precisa focar na qualidade da aprendizagem”, afirmou.
Desigualdades regionais ainda preocupam
Apesar da média nacional positiva, o abandono escolar ainda apresenta desigualdades regionais. Estados do Norte e Nordeste concentram os maiores índices.
O Acre, por exemplo, registrou taxa de 6% de abandono no 1º ano do ensino médio, quase o triplo da média nacional. Já Amapá e Rondônia também aparecem com índices acima de 5%.
Desafio continua
Os dados mostram que o Brasil avança na permanência dos jovens na escola, mas ainda enfrenta o desafio de garantir que essa presença se traduza em aprendizado efetivo e redução das desigualdades educacionais.
A redução do abandono é vista como um passo importante, mas especialistas reforçam que o próximo desafio será consolidar uma educação mais atrativa, inclusiva e com melhores resultados de aprendizagem em todo o país.
















