Os consumidores brasileiros que se enquadram nas regras do benefício devem sentir um pequeno alívio nas contas de energia elétrica durante o mês de agosto. O bônus da usina de Itaipu, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), será aplicado diretamente nas faturas e deve ajudar a reduzir temporariamente o impacto da energia elétrica sobre a inflação.

O benefício funciona como uma devolução aos consumidores de parte do dinheiro excedente obtido na comercialização da energia produzida pela usina, administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai.

O crédito será aplicado automaticamente nas contas emitidas entre 1º e 31 de agosto, sem necessidade de cadastro ou solicitação por parte do consumidor.

Quem tem direito ao bônus?

Para receber o benefício, é necessário ter registrado consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025.

O crédito será calculado de acordo com os meses em que o consumo ficou abaixo desse limite e contempla consumidores das classes residencial e rural.

O valor recebido varia conforme o histórico de consumo de cada unidade e aparecerá diretamente na fatura de energia.

O bônus aprovado pela Aneel soma R$ 872,1 milhões. O mecanismo está previsto na legislação e utiliza recursos provenientes dos excedentes financeiros relacionados à comercialização da parcela brasileira da energia produzida por Itaipu.

Energia elétrica pressionou inflação em julho

O benefício chega em um momento em que a energia elétrica tem exercido forte pressão sobre o custo de vida dos brasileiros.

Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira (11), o grupo de habitação registrou alta de 0,99% em julho, sendo o maior avanço entre os grupos pesquisados.

O principal destaque negativo foi justamente a energia elétrica residencial, que subiu 3,09% em julho, depois de ter registrado alta de 1,53% em junho.

Sozinha, a energia elétrica contribuiu com 0,13 ponto percentual para o IPCA, índice oficial de inflação do país.

Bandeiras tarifárias também pesaram

Além dos reajustes aplicados pelas distribuidoras, os consumidores também enfrentaram mudanças nas bandeiras tarifárias ao longo de 2026.

Nos sete primeiros meses do ano, foram quatro meses de bandeira verde, quando não há cobrança adicional, e três meses de bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos.

De acordo com Fernando Gonçalves, gerente do IBGE, os reajustes realizados pelas concessionárias também contribuíram para o aumento das contas.

Segundo ele, desde abril diversas distribuidoras aplicaram reajustes, parte deles já incorporada aos índices de inflação. Em julho, Curitiba foi um dos principais destaques devido a um reajuste aplicado na cidade.

Alívio deve ser temporário

Apesar de representar uma ajuda para o orçamento das famílias, o efeito do bônus de Itaipu sobre a inflação deve ser concentrado no mês de agosto.

O comportamento observado em anos anteriores indica que a redução provocada pelo crédito aparece de forma pontual. No mês seguinte, a inflação do setor tende a voltar a subir, já que o bônus é aplicado apenas durante o período determinado.

Na prática, o benefício pode reduzir o valor pago por parte dos consumidores em agosto, mas não significa uma redução permanente das tarifas de energia.

Para as famílias que têm direito ao crédito, a recomendação é conferir a próxima conta de luz e verificar se o desconto foi aplicado automaticamente.