O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom nas relações com o Canadá ao responsabilizar o país vizinho pelos impactos causados pelos incêndios florestais que continuam avançando em várias regiões canadenses. Em declaração feita nesta sexta-feira (17), o republicano afirmou que a fumaça das queimadas está prejudicando a qualidade do ar em cidades norte-americanas e ameaçou ampliar as tarifas aplicadas sobre produtos canadenses.

Por meio de uma publicação nas redes sociais, Trump acusou o governo canadense de negligenciar, durante anos, a preservação e o manejo das florestas, o que, segundo ele, teria contribuído para a gravidade da atual temporada de incêndios.

“O custo dessa poluição deve, necessariamente, ser acrescentado às tarifas que o Canadá paga atualmente”, escreveu o presidente dos Estados Unidos.

Trump também informou que pretende conversar com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para discutir medidas que possam ser adotadas para conter o avanço das chamas e reduzir os impactos da fumaça sobre o território norte-americano.

Fumaça afeta qualidade do ar nos Estados Unidos

Segundo o presidente norte-americano, a fumaça proveniente dos incêndios tem afetado diretamente milhões de pessoas nos Estados Unidos.

“Os Estados Unidos estão sendo desnecessariamente invadidos por um ar sujo, poluído e prejudicial à saúde, cuja qualidade é perigosa e totalmente inaceitável”, declarou.

Nas últimas semanas, a fumaça gerada pelas queimadas atravessou a fronteira e alcançou diversas cidades dos Estados Unidos, especialmente na região nordeste do país, provocando alertas de saúde pública e recomendações para que a população evitasse atividades ao ar livre em determinados períodos.

Incêndios seguem avançando

Dados mais recentes do Centro Interagências Canadense de Incêndios Florestais (CIFFC) apontam que o Canadá registra atualmente 897 incêndios ativos. Desses, 207 são classificados como fora de controle pelas autoridades.

O avanço das chamas tem provocado impactos ambientais, econômicos e sociais em várias províncias canadenses, exigindo a mobilização de equipes de emergência e operações de evacuação em áreas de risco.

Informações divulgadas pelo governo canadense mostram que aproximadamente 2,8 milhões de hectares já foram consumidos pelo fogo desde o início de 2026. O número representa um crescimento acelerado em relação à semana anterior, quando a área atingida era estimada em cerca de 1,6 milhão de hectares.

Grandes cidades registram piora na qualidade do ar

Com a propagação da fumaça, importantes centros urbanos da América do Norte registraram deterioração significativa na qualidade do ar.

Levantamentos da empresa suíça IQAir indicaram que cidades como Toronto, Detroit, Chicago e Washington figuraram entre as localidades com os piores índices de poluição atmosférica do mundo durante esta sexta-feira.

Autoridades de saúde têm orientado grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias, a redobrarem os cuidados diante da exposição à fumaça.

Debate sobre mudanças climáticas

Especialistas apontam que o aumento da frequência e da intensidade dos incêndios florestais está relacionado às mudanças climáticas e às ondas de calor cada vez mais intensas registradas em diversas regiões do planeta.

As altas temperaturas e os períodos prolongados de seca criam condições favoráveis para a propagação do fogo e dificultam o trabalho das equipes de combate.

Donald Trump, no entanto, tem histórico de críticas às conclusões científicas sobre as mudanças climáticas. Em suas declarações mais recentes, o presidente voltou a atribuir a crise principalmente à gestão florestal do Canadá, sem relacionar os incêndios aos fatores climáticos apontados por especialistas.

Enquanto isso, autoridades canadenses seguem concentrando esforços para conter o avanço das chamas e minimizar os impactos ambientais e humanos provocados por uma das temporadas de incêndios mais desafiadoras dos últimos anos.