O estado de São Paulo registrou 7.066 casos de estupro consumado contra mulheres nos primeiros seis meses deste ano, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). O número representa uma média de aproximadamente uma mulher vítima de estupro a cada 37 minutos no estado.
Do total de ocorrências registradas entre 1º de janeiro e 30 de junho, a maior parte envolve situações classificadas como estupro de vulnerável. Foram 5.377 casos, o equivalente a mais de 76% dos registros.
A modalidade é aplicada quando a vítima é menor de 14 anos ou quando a pessoa, por qualquer motivo, não possui condições de oferecer resistência.
Violência contra mulheres permanece em alta
Enquanto outros crimes violentos apresentaram redução no período, os índices relacionados à violência contra a mulher continuam preocupando as autoridades.
Além dos casos de estupro, São Paulo registrou 142 feminicídios no primeiro semestre, número que representa um aumento de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 129 mortes.
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica, menosprezo ou discriminação relacionada ao gênero.
Mortes causadas por policiais também entram no levantamento
Os dados divulgados pela SSP também apontam que a Polícia Militar de São Paulo matou 339 pessoas nos primeiros 180 dias do ano, uma média de aproximadamente uma morte a cada 13 horas.
Do total, cerca de 18,2% dos casos envolveram policiais militares que estavam de folga.
O número de mortes provocadas pela PM foi 10 casos menor que no mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 349 mortes. Em 2024, no primeiro semestre, foram 353 ocorrências.
Já a Polícia Civil registrou 17 mortes causadas por seus agentes no mesmo período.
Crimes violentos diminuem e prisões aumentam
Apesar dos números relacionados à violência contra mulheres, a SSP informou redução em outros indicadores criminais.
Os chamados crimes violentos caíram de 107.373 ocorrências para 88.946, uma redução de 38% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O total geral de delitos também apresentou queda, passando de 1.441.648 para 1.434.282 registros.
Por outro lado, o número de prisões aumentou. No primeiro semestre deste ano, as forças de segurança prenderam 96.208 pessoas, entre flagrantes e mandados judiciais.
No início da atual gestão estadual, em 2023, foram registradas 81.044 prisões no mesmo período.
Rede de atendimento às vítimas
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que mantém ações de prevenção e combate aos crimes contra mulheres, além de ampliar a estrutura de atendimento às vítimas.
Segundo a pasta, o estado conta atualmente com:
- 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs);
- 235 Salas DDM em delegacias territoriais;
- Mais de 650 policiais atuando em unidades especializadas;
- A Cabine Lilás e a Patrulha SP Mulher Segura, voltadas ao acompanhamento de casos com medidas protetivas.
A secretaria também destacou a atuação das Salas Lilás, instaladas junto aos Institutos Médicos Legais (IMLs), que oferecem atendimento humanizado durante exames de corpo de delito.
Segundo a SSP, o serviço já realizou mais de 2 mil atendimentos.
Importância da denúncia
A Secretaria reforçou que denúncias de violência podem ser feitas pelo telefone 190, pelo aplicativo SP Mulher Segura ou diretamente nas Delegacias de Defesa da Mulher.
Ainda conforme a pasta, somente neste ano mais de 10,9 mil homens foram presos por violência doméstica no estado, um aumento de 25,7% em relação ao mesmo período anterior.
A SSP informou também que 256 agressores são monitorados por tornozeleira eletrônica por envolvimento em casos de violência doméstica e que a Cabine Lilás já realizou mais de 34 mil atendimentos, incluindo prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.











