O rapper Predella, um dos integrantes e fundadores do grupo Costa Gold, enfrenta processos judiciais e reclamações de fãs e artistas independentes por suposto descumprimento de acordos envolvendo participações musicais, conhecidas como feats.

Segundo relatos reunidos , pessoas que contrataram colaborações entre os anos de 2023 e 2026 afirmam ter efetuado pagamentos, mas não receberam as gravações prometidas nem o reembolso dos valores investidos.

Os contratos variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil, dependendo da parceria oferecida.

Artista confirma recebimento dos valores

Em entrevista , Predella reconheceu que recebeu os pagamentos e confirmou que parte das colaborações ainda não foi entregue.

O rapper afirmou que enfrentou problemas pessoais, familiares e financeiros nos últimos anos, situação que teria comprometido o cumprimento dos compromissos assumidos.

Segundo ele, está trabalhando para regularizar os casos e pretende estabelecer novos prazos para concluir as entregas.

“Tenho 20 anos de carreira e nunca tive problema com esse tipo de coisa. Passei por situações delicadas, financeiras e familiares, que acabaram acumulando uma série de entregas”, declarou.

Fãs relatam prejuízos

Entre os casos citados está o de Carlos Otávio Guilhon, que afirmou ter pago R$ 4.500, via PIX, em dezembro de 2023, por uma participação do rapper em uma música.

Segundo o relato, após o envio do pagamento e da faixa, o artista não devolveu a gravação finalizada. O comprador afirma que tentou contato durante mais de um ano e meio, recebendo apenas justificativas para os atrasos.

Diante da situação, Carlos ingressou com uma ação judicial no Paraná, solicitando o ressarcimento do valor pago, acrescido de correção monetária, além de uma indenização por danos morais.

Outros relatos seguem padrão semelhante

Outro artista independente, Roberto Zens, relatou que contratou um feat em janeiro de 2025 após visualizar uma publicação de Predella nas redes sociais.

Segundo ele, o processo previa:

  • Pagamento do serviço;
  • Envio do comprovante;
  • Contato via WhatsApp;
  • Envio da música;
  • Entrega da participação gravada em até 15 dias.

Roberto afirma que, após realizar todas as etapas, recebeu diversas justificativas para o atraso, mas a gravação nunca foi entregue.

Ele também questiona a frequência com que o rapper anunciava novas vagas para colaborações, apesar das entregas pendentes.

Caso também gerou boletim de ocorrência

Outro comprador, Victor Augusto de Paula, informou ter pago R$ 1.500 em setembro de 2025 por uma participação musical.

Segundo ele, desde então recebe apenas promessas de que o trabalho será concluído “em breve”.

Victor afirma possuir conversas, comprovantes de pagamento e outros registros da negociação. O caso motivou o registro de um boletim de ocorrência.

Mercado de feats cresceu nos últimos anos

A contratação de participações musicais tornou-se uma prática comum no universo do rap, do funk e de outros gêneros musicais.

Para artistas independentes, gravar com nomes conhecidos pode representar maior visibilidade nas plataformas digitais, aumento de ouvintes e novas oportunidades profissionais.

Embora seja uma relação comercial cada vez mais frequente, especialistas destacam que esses acordos devem ser formalizados e cumpridos conforme o estabelecido entre as partes.

Costa Gold marcou o rap nacional

Predella ganhou projeção nacional como um dos principais integrantes do Costa Gold, grupo que se consolidou como um dos maiores nomes do rap brasileiro durante a década de 2010.

Com cinco álbuns lançados e milhões de ouvintes nas plataformas digitais, o grupo conquistou uma geração de fãs antes de anunciar, em setembro de 2023, uma pausa por tempo indeterminado.

Nas últimas semanas, o rapper também informou, por meio das redes sociais, que colocou à venda diversos itens ligados à sua trajetória artística, alegando dificuldades financeiras.

Defesa promete solucionar os casos

Em sua manifestação , Predella afirmou que pretende resolver as pendências e disponibilizou canais de contato para as pessoas envolvidas.

Segundo o artista, a intenção é concluir as participações musicais ou buscar uma solução para cada caso.

Enquanto isso, as ações judiciais seguem em tramitação, e caberá à Justiça analisar os pedidos apresentados pelos autores, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento dos processos.