Com a disputa pelo Palácio do Planalto ganhando força, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a ocupar espaço central nos discursos dos dois nomes que aparecem entre os mais bem avaliados nas pesquisas eleitorais: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Enquanto Lula direciona críticas ao atual modelo de emendas parlamentares e defende mudanças na forma como os recursos do Orçamento são executados, Flávio Bolsonaro tem concentrado sua atuação política em críticas ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.

Os movimentos refletem estratégias diferentes para a campanha de 2026 e podem ampliar o debate sobre a relação entre os Poderes da República durante o período eleitoral.

Lula defende mudanças nas emendas parlamentares

No programa de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula afirma que, caso seja reeleito, pretende enfrentar o atual modelo de emendas parlamentares.

O documento classifica as emendas impositivas e mecanismos associados ao chamado orçamento secreto como uma “grave distorção na elaboração e gestão do orçamento federal”.

Segundo o programa, o modelo teria alterado a relação entre Executivo e Legislativo, além de provocar dispersão dos recursos públicos e reduzir a eficiência na aplicação do orçamento.

Apesar das críticas, o documento também destaca que o governo trabalhou em conjunto com o Congresso Nacional durante os últimos quatro anos.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a proposta de rever o sistema de emendas não representa necessariamente um confronto com o Legislativo.

Segundo ele, Lula sempre manifestou discordância em relação ao modelo atual e a inclusão do tema no programa de governo tem como objetivo estimular o debate público durante a campanha.

O programa também prevê diálogo com o Senado para avançar em propostas que já passaram pela Câmara dos Deputados, como a PEC relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1.

Outro ponto citado é a PEC da Segurança Pública. Segundo o programa, o governo pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta seja aprovada pelo Congresso.

Flávio Bolsonaro concentra críticas no STF

Do outro lado do cenário eleitoral, Flávio Bolsonaro tem intensificado as críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.

As críticas à Corte fazem parte de uma das principais plataformas políticas do campo bolsonarista e devem continuar presentes na estratégia eleitoral da direita.

No domingo (9), Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual aparece escrevendo e lendo uma carta destinada ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador criticou a decisão de Alexandre de Moraes que não autorizou uma visita ao ex-presidente no Dia dos Pais. Flávio classificou a decisão como “desumana, insana e injusta” e se emocionou ao falar sobre o pai.

A restrição foi mantida após o descumprimento de medidas judiciais anteriormente impostas. Ao negar o pedido de visita, Moraes citou uma decisão anterior que suspendeu visitas ao ex-presidente, com exceções para atendimentos médicos, fisioterapêuticos e de seus advogados.

Disputa pelo Senado também ganha espaço

Durante um evento em Itapetininga, no interior de São Paulo, Flávio Bolsonaro voltou a criticar o STF e afirmou que pretende defender a indicação de ministros que, segundo ele, respeitem a Constituição e os recursos públicos.

O senador também deve ampliar, nesta terça-feira (11), a articulação com candidatos ao Senado alinhados ao campo político de direita. A expectativa é que Flávio se reúna com postulantes ao cargo em Brasília.

A movimentação tem relação com a importância estratégica do Senado no cenário político nacional. A Casa possui, entre suas atribuições constitucionais, a competência para processar e julgar determinadas autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal em processos de crime de responsabilidade.

Eleição deve ampliar debate sobre os Poderes

A aproximação das eleições de 2026 tende a colocar no centro do debate temas relacionados à relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

De um lado, Lula apresenta mudanças no sistema de emendas como parte de seu programa para um eventual novo mandato. De outro, Flávio Bolsonaro aposta em críticas ao STF e na defesa de mudanças na relação entre o Congresso e a Suprema Corte.

As propostas e discursos deverão ser debatidos pelos candidatos ao longo da campanha, em um cenário no qual a relação entre os Poderes e o funcionamento das instituições brasileiras devem ocupar espaço importante na disputa presidencial.