Uma mulher foi presa pela Polícia Civil de Pernambuco suspeita de espancar até a morte o próprio avô, um idoso de 88 anos, no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. O crime aconteceu em junho deste ano e, segundo as autoridades, a vítima morreu após ser submetida a uma sequência de agressões.

A suspeita, identificada como Claudia Maria da Silva Pereira, foi presa na quinta-feira (20), por meio do cumprimento de um mandado de prisão temporária. As informações sobre o caso foram divulgadas pela Polícia Civil durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (24), no Centro do Recife.

A vítima foi identificada como Pedro Salustiano da Silva. O idoso, segundo os investigadores, já havia sido vítima de agressões anteriores e era considerado uma pessoa especialmente vulnerável devido à idade avançada.

O caso chama atenção não apenas pela violência empregada contra a vítima, mas também pelo histórico de agressões que, de acordo com a investigação, já vinha sendo registrado há pelo menos um ano antes da morte.

Histórico de violência contra o idoso

De acordo com o delegado Eduardo Tabosa, responsável pela investigação, a suspeita já teria agredido o avô anteriormente. Em 2025, ela chegou a ser denunciada pelo Ministério Público em razão de agressões contra o idoso.

Naquele período, a Justiça determinou que Claudia não mantivesse contato com a vítima. A medida estava em vigor desde julho de 2025.

Mesmo diante da determinação judicial, segundo a investigação, a mulher teria voltado a se aproximar do avô e novas agressões teriam ocorrido.

O histórico é um dos pontos considerados relevantes pelos investigadores para compreender a dinâmica do crime. Para a Polícia Civil, a sequência de episódios demonstra que a violência não teria sido um acontecimento isolado.

“Ele foi espancado por sua própria neta”, afirmou o delegado durante a coletiva, ao explicar que o idoso precisou ser levado para atendimento médico depois da agressão.

Pedro Salustiano foi encaminhado ao Hospital da Restauração, no Recife, uma das principais unidades de referência para casos de maior gravidade em Pernambuco. Apesar dos esforços médicos, ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

Suspeita de motivação ligada às drogas

Uma das linhas investigativas aponta que a dependência química da suspeita pode ter relação com as agressões. Segundo a Polícia Civil, ela teria o hábito de pedir dinheiro ao avô para comprar drogas e, diante de negativas ou conflitos, acabaria recorrendo à violência.

O delegado ressaltou, porém, que a motivação ainda está sendo investigada e que outros elementos deverão ser reunidos ao longo da apuração.

A dependência química aparece no caso como um possível fator relacionado à dinâmica dos episódios de violência, mas não elimina a responsabilidade sobre os atos praticados. As circunstâncias exatas que levaram à agressão fatal ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

A investigação deverá analisar depoimentos, documentos, eventuais registros anteriores, informações médicas e outros elementos que possam ajudar a reconstruir o que aconteceu no dia do crime.

Prisão temporária

A prisão de Claudia Maria da Silva Pereira ocorreu na quinta-feira (20), após a Polícia Civil cumprir um mandado de prisão temporária.

Esse tipo de prisão é utilizado durante a investigação criminal quando a detenção do suspeito é considerada necessária para o andamento das apurações, dentro dos requisitos previstos pela legislação.

A medida não representa, por si só, uma condenação. A suspeita permanece à disposição da Justiça enquanto o inquérito policial avança e os investigadores reúnem elementos para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

Segundo a Polícia Civil, a investigação continua em andamento e novos elementos ainda poderão ser incorporados aos autos.

O delegado Eduardo Tabosa informou que outras medidas poderão ser solicitadas à Justiça conforme o avanço da apuração.

Um idoso em situação de vulnerabilidade

A morte de Pedro Salustiano da Silva também chama atenção para a necessidade de proteção de pessoas idosas que estejam expostas a situações de violência dentro do próprio ambiente familiar.

A violência contra idosos pode assumir diferentes formas, incluindo agressões físicas, ameaças, abandono, violência psicológica e exploração financeira. Em muitos casos, a proximidade entre vítima e agressor pode dificultar a identificação e a denúncia dos episódios.

No caso investigado no Cabo de Santo Agostinho, a Polícia Civil afirma que havia um histórico anterior de agressões, além de uma determinação judicial que proibia a suspeita de manter contato com o avô.

A situação reforça a importância de familiares, vizinhos e pessoas próximas permanecerem atentos a sinais de violência contra idosos. Mudanças repentinas de comportamento, marcas de agressão, medo, isolamento ou pedidos frequentes de ajuda podem ser sinais de que alguma situação grave está acontecendo.

Investigação ainda não foi concluída

Apesar da prisão da suspeita, a investigação ainda não chegou ao fim. A Polícia Civil pretende reunir novos elementos para esclarecer de maneira detalhada a sequência dos acontecimentos que terminou com a morte do idoso.

O trabalho deverá buscar respostas para questões como a dinâmica da última agressão, a extensão dos ferimentos provocados na vítima e as circunstâncias que levaram ao atendimento hospitalar.

Também deverão ser analisadas as agressões anteriores e o eventual descumprimento da decisão judicial que impedia o contato entre a suspeita e o avô.

De acordo com o delegado, novos elementos indiciários ainda serão compilados no inquérito e outras representações poderão ser feitas à Justiça conforme o andamento da operação.

Essa etapa é fundamental para que o caso seja esclarecido com base em provas e para que o Ministério Público possa avaliar as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.

Caso provoca comoção

A morte de um homem de 88 anos, dentro de um contexto de violência familiar, provocou repercussão no município do Cabo de Santo Agostinho e chamou atenção para uma realidade que muitas vezes permanece escondida: a violência contra pessoas idosas dentro de relações familiares.

Para além das circunstâncias policiais, o caso deixa uma vítima e uma família marcada por uma perda que poderia ter sido evitada caso as agressões anteriores tivessem sido interrompidas de forma definitiva.

A prisão da suspeita representa uma etapa da investigação, mas o caso ainda depende da conclusão do inquérito e da análise da Justiça.

Enquanto os investigadores buscam reconstruir os fatos, a história de Pedro Salustiano da Silva também serve de alerta para a importância de denunciar situações de violência contra idosos. A proteção dessa parcela da população depende da atuação conjunta das famílias, da sociedade e dos órgãos responsáveis.

No Cabo de Santo Agostinho, a Polícia Civil segue trabalhando para reunir todas as informações necessárias e esclarecer as circunstâncias da morte. A expectativa é que o avanço das investigações permita identificar responsabilidades e garantir que o caso seja tratado com a seriedade necessária diante da gravidade dos fatos.