A possibilidade de clubes mexicanos voltarem a disputar a Copa Libertadores voltou a ganhar força nos bastidores do futebol internacional. A Liga MX mantém o interesse em reabrir as portas da principal competição de clubes da América do Sul para suas equipes, mas o caminho ainda está longe de ser simples.
A entidade responsável pelo futebol mexicano já apresentou pedidos para que seus clubes possam participar novamente do torneio, inclusive na condição de convidados. Até o momento, porém, a iniciativa encontrou resistência da Concacaf e da Fifa, que possuem regras e entendimentos que dificultam a presença de equipes mexicanas em uma competição organizada pela Conmebol.
O presidente da Liga MX, Francisco Iturbide, confirmou que a entidade continua trabalhando para encontrar uma alternativa que permita o retorno dos mexicanos à Libertadores. Segundo o dirigente, foram feitos pedidos para que clubes do país participassem como convidados, especialmente em competições continentais.
“Fizemos solicitações para participar como convidados, sobretudo nos torneios de clubes. Mas nos negaram”, afirmou Iturbide.
A declaração mostra que o interesse não é apenas uma especulação. Existe uma movimentação concreta por parte da Liga MX para tentar encontrar uma maneira de recolocar seus clubes em um dos torneios mais importantes do calendário sul-americano.
Uma história que marcou a Libertadores
Os clubes mexicanos já possuem uma história importante na Copa Libertadores. Entre 1998 e 2016, equipes da Liga MX participaram regularmente da competição e ajudaram a ampliar o alcance internacional do torneio.
Embora nenhum clube mexicano tenha conseguido conquistar o título, três equipes chegaram à grande decisão.
O primeiro finalista foi o Cruz Azul, em 2001. O time mexicano fez uma campanha histórica e chegou à decisão contra o Boca Juniors. Após dois jogos equilibrados, a disputa terminou sendo decidida nos pênaltis, com o clube argentino ficando com o troféu.
Anos depois, em 2010, foi a vez do Chivas alcançar a final. O clube de Guadalajara enfrentou o Internacional na decisão e novamente ficou com o vice-campeonato.
Em 2015, o Tigres chegou à final e enfrentou o River Plate. A equipe argentina venceu a decisão e conquistou mais um título continental.
Apesar dos vice-campeonatos, a participação mexicana deixou marcas importantes na história da Libertadores. Os clubes do país demonstraram capacidade para competir em alto nível contra equipes tradicionais da América do Sul e, em diferentes edições, chegaram a avançar para fases decisivas.
A saída dos mexicanos, em 2016, encerrou uma presença de quase duas décadas no torneio.
Por que o retorno é tão complicado?
A principal dificuldade está na estrutura do futebol continental. Os clubes mexicanos pertencem à Concacaf, confederação que administra as competições internacionais da América do Norte, América Central e Caribe.
A Copa Libertadores, por outro lado, é organizada pela Conmebol, entidade responsável pelo futebol sul-americano.
Dessa forma, uma eventual participação de clubes mexicanos não depende exclusivamente de uma decisão da Liga MX ou da própria Conmebol. É necessário que diferentes instituições encontrem um acordo capaz de respeitar as regras internacionais que organizam o futebol entre confederações.
O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, já demonstrou receptividade à possibilidade de clubes da América do Norte voltarem a disputar competições sul-americanas. Entretanto, o dirigente também deixou claro que a questão precisa ser tratada com a Concacaf.
Em janeiro deste ano, Domínguez afirmou que uma eventual participação de equipes do México e dos Estados Unidos precisaria passar primeiro por uma negociação com a confederação norte-americana.
A posição indica que a Conmebol não fecha completamente a porta para a ideia, mas também não tem autonomia para simplesmente convidar clubes mexicanos sem considerar os acordos e regulamentos que envolvem as confederações.
A posição da Fifa
Além da Concacaf, existe outro obstáculo importante: a Fifa.
A entidade máxima do futebol trabalha com o entendimento de que as competições continentais de clubes devem reunir equipes vinculadas à mesma confederação. Essa organização ajuda a manter uma divisão clara entre os torneios de cada região do futebol mundial.
Como os clubes mexicanos são filiados à Concacaf, enquanto a Libertadores pertence à Conmebol, a participação deles exigiria uma solução institucional específica.
É justamente nesse ponto que a tentativa da Liga MX se torna mais complexa. Mesmo que exista interesse esportivo e comercial por parte dos clubes e da Conmebol, ainda seria necessário encontrar um formato aceito pelas entidades responsáveis pelo futebol internacional.
Por isso, o debate não envolve apenas a qualidade dos times mexicanos ou o desejo de disputar a Libertadores. A questão passa também por regulamentos, direitos comerciais, calendário e equilíbrio entre as confederações.
Um novo cenário comercial
Apesar dos obstáculos, o cenário comercial do futebol das Américas pode ajudar a reabrir a discussão.
Um dos fatores que chamam atenção é a expansão dos direitos de transmissão da Libertadores no mercado norte-americano. A TelevisaUnivision adquiriu os direitos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana para o mercado hispânico dos Estados Unidos entre 2027 e 2030.
Esse movimento aproxima comercialmente as competições sul-americanas de um mercado considerado estratégico para o crescimento do futebol.
Os Estados Unidos e o México possuem uma enorme comunidade de torcedores interessados em futebol, além de um mercado publicitário relevante. A presença de clubes mexicanos em torneios da Conmebol poderia aumentar a audiência, criar novos confrontos e ampliar o interesse de patrocinadores.
Para a Liga MX, o retorno à Libertadores também representaria uma oportunidade esportiva. Os clubes mexicanos poderiam voltar a medir forças regularmente contra equipes brasileiras, argentinas, uruguaias, colombianas e de outros países sul-americanos.
Esse intercâmbio poderia contribuir para o desenvolvimento técnico dos clubes e oferecer partidas de alto nível aos torcedores.
O interesse dos clubes
Para os clubes mexicanos, disputar a Libertadores significaria recuperar uma competição que marcou gerações. O torneio proporcionava confrontos históricos, viagens internacionais e a possibilidade de conquistar prestígio continental.
A competição também poderia representar uma vitrine importante para jogadores. Enfrentar grandes equipes sul-americanas em partidas de alto nível costuma despertar atenção de clubes e observadores internacionais.
No entanto, existe também o desafio do calendário. Os clubes mexicanos já possuem uma agenda movimentada, com competições nacionais e torneios organizados pela Concacaf. Inserir a Libertadores exigiria ajustes para evitar conflitos de datas e excesso de jogos.
Esse é outro ponto que precisaria ser discutido em uma eventual negociação.
Um possível reencontro com a América do Sul
Caso o retorno aconteça no futuro, a Libertadores poderia recuperar uma parte de sua diversidade histórica. Durante os anos em que participaram, os mexicanos protagonizaram confrontos que ficaram marcados na memória dos torcedores.
A presença de equipes da Liga MX também ajudava a criar uma ponte esportiva entre diferentes regiões do continente.
Hoje, essa possibilidade ainda depende de negociações. A Liga MX demonstra interesse e busca alternativas, enquanto a Conmebol sinaliza abertura, mas reconhece que a questão precisa ser resolvida institucionalmente com a Concacaf e dentro das regras estabelecidas pela Fifa.
Por enquanto, portanto, não existe confirmação de um retorno dos clubes mexicanos à Libertadores. O que existe é uma movimentação política, esportiva e comercial que pode manter o assunto em evidência nos próximos anos.
O futebol moderno está cada vez mais ligado a mercados, transmissões internacionais e expansão de marcas. Nesse cenário, a discussão sobre a presença mexicana na Libertadores pode ganhar novos capítulos.
Para os torcedores, fica a expectativa de um possível reencontro. Para a Liga MX, o desafio será transformar o desejo em um acordo viável. E para a Conmebol, Concacaf e Fifa, a questão será encontrar um formato que concilie interesses esportivos, comerciais e regulamentares.
Enquanto as negociações avançam nos bastidores, a história mostra que os clubes mexicanos já provaram que podem competir em alto nível na Libertadores. Resta saber se, depois de uma década de ausência, será possível abrir novamente esse caminho.
O JRT News continuará acompanhando as movimentações e os possíveis avanços nas negociações envolvendo Liga MX, Conmebol, Concacaf e Fifa.








