Bilionários que até pouco tempo não apareciam entre os nomes mais ricos do país agora integram oficialmente a lista da Forbes Brasil. Em sua 13ª edição, o ranking divulgado nesta quinta-feira (27) identificou 255 brasileiros com patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Juntos, eles acumulam uma fortuna estimada em R$ 1,86 trilhão, mostrando a dimensão da concentração de riqueza entre grandes empresários, investidores e herdeiros no país.

Os estreantes representam uma pequena parcela do ranking, equivalente a 1,96% dos integrantes. Apesar disso, alguns dos novos nomes chegam à lista com patrimônios expressivos, impulsionados principalmente por negócios nos setores de tecnologia, educação, agronegócio e mercado financeiro.

Entre os destaques estão Luana Lopes Lara, Ari de Sá Cavalcante Neto e família, Rosangela Maggi Schmidt, Carlos Moche Dayan e Salim Dayan. Somadas, as fortunas atribuídas aos cinco novos integrantes chegam a R$ 25 bilhões.

A chegada desses nomes ao ranking também revela diferentes caminhos para a construção de grandes patrimônios no Brasil. Há quem tenha construído a própria fortuna a partir de uma empresa de tecnologia e quem tenha ampliado uma riqueza familiar por meio da participação em companhias consolidadas.

Luana Lopes Lara: tecnologia e uma fortuna construída longe dos negócios tradicionais

Aos 30 anos, Luana Lopes Lara é um dos principais destaques entre os estreantes da lista de 2026.

Cofundadora e diretora de operações da Kalshi, uma startup especializada em mercados de previsão, a brasileira aparece com patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 13,4 bilhões.

Segundo a Forbes, Luana possui cerca de 12% de participação na empresa.

Sua trajetória chama atenção principalmente pela idade e pela origem de sua fortuna. Diferentemente de muitos nomes tradicionais dos rankings brasileiros, ligados a empresas familiares construídas ao longo de décadas, Luana chegou ao grupo de bilionários por meio do setor de tecnologia.

A Kalshi atua em um segmento relativamente novo e utiliza mercados de previsão para permitir que usuários negociem contratos relacionados à possibilidade de determinados eventos acontecerem.

A ascensão da empresa transformou a participação de Luana em um patrimônio bilionário e colocou seu nome entre os mais jovens do grupo de grandes fortunas brasileiras.

Além disso, ela se tornou a mulher brasileira mais jovem a construir a própria fortuna e alcançar o status de bilionária, segundo a Forbes.

Ari de Sá Cavalcante Neto e família: patrimônio ligado à educação

Outro estreante é Ari de Sá Cavalcante Neto, de 47 anos.

O empresário cearense aparece no ranking ao lado da família, com patrimônio estimado em R$ 3,9 bilhões.

A principal origem dessa fortuna está na participação na Arco Educação, companhia que reúne marcas importantes do setor educacional privado brasileiro.

Entre os nomes ligados ao grupo estão SAS, Positivo, Dom Bosco e COC.

A empresa também ampliou sua atuação recentemente com a incorporação da International School ao portfólio.

Ari divide sua participação na companhia com a mãe, Margarida de Sá Cavalcante.

Sua trajetória está diretamente ligada à história empresarial da família. O pai, Oto de Sá Cavalcante, assumiu os negócios familiares ainda jovem e posteriormente fundou, em 2000, o Colégio Ari de Sá ao lado da esposa.

Oto morreu em junho de 2026, aos 80 anos.

A entrada de Ari no ranking dos bilionários ocorre, portanto, em um momento de continuidade de uma trajetória empresarial construída ao longo de décadas no setor educacional.

Rosangela Maggi Schmidt: patrimônio ligado ao agronegócio

Aos 68 anos, Rosangela Maggi Schmidt também aparece pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes.

A empresária gaúcha tem patrimônio estimado em R$ 3,5 bilhões.

Sua fortuna está ligada à Amaggi, uma das maiores companhias brasileiras do agronegócio.

Filha de Lucia Maggi, Rosangela integra uma família cuja trajetória empresarial está diretamente relacionada à produção e comercialização de commodities agrícolas.

A Amaggi foi fundada por André Maggi e se tornou uma das empresas de maior relevância no setor de grãos, com forte presença na produção e exportação.

A ascensão de Rosangela no ranking evidencia a força do agronegócio na formação das grandes fortunas brasileiras.

O setor possui papel importante na economia nacional e reúne empresas que atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a produção agrícola até logística e exportação.

Carlos Moche Dayan: nova geração do Banco Daycoval

O mercado financeiro também ganhou novos representantes entre os bilionários brasileiros.

Aos 54 anos, Carlos Moche Dayan estreia na lista da Forbes com patrimônio estimado em R$ 2,1 bilhões.

Filho de Sasson Dayan, fundador do Banco Daycoval, Carlos é um dos principais acionistas e executivos da instituição.

Sua formação acadêmica inclui graduação em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A construção de seu patrimônio está diretamente relacionada à participação da família no banco.

O Daycoval se consolidou no mercado financeiro brasileiro ao longo de décadas, atuando em diferentes segmentos e ampliando sua presença no sistema bancário.

A entrada de Carlos na lista demonstra a continuidade da participação familiar na instituição e representa mais uma etapa da sucessão empresarial.

Salim Dayan: irmão também estreia entre os bilionários

Aos 56 anos, Salim Dayan aparece no ranking com patrimônio estimado em R$ 2,1 bilhões, exatamente o mesmo valor atribuído ao irmão Carlos.

Também filho de Sasson Dayan, fundador do Banco Daycoval, Salim é executivo e um dos principais acionistas da instituição.

Formado em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo, ele também possui mestrado em Administração e Finanças pelo Ibmec.

Assim como Carlos, Salim construiu seu patrimônio a partir da participação da família no banco.

A presença dos dois irmãos no ranking mostra como empresas familiares podem distribuir grandes patrimônios entre diferentes integrantes de uma mesma geração.

Ao mesmo tempo, a participação deles na gestão da instituição demonstra a continuidade da família no comando de um negócio que atravessou diferentes momentos da economia brasileira.

Cinco novos nomes, diferentes histórias

Embora estejam reunidos na mesma lista, os cinco estreantes possuem trajetórias bastante diferentes.

Luana Lopes Lara representa uma geração de empreendedores ligados à tecnologia e às novas formas de negócios digitais.

Ari de Sá Cavalcante Neto está ligado à educação e à continuidade de uma empresa familiar construída no Ceará.

Rosangela Maggi Schmidt representa uma das famílias mais conhecidas do agronegócio brasileiro.

Já Carlos e Salim Dayan fazem parte de uma nova geração ligada ao mercado financeiro e à sucessão do Banco Daycoval.

O que existe em comum entre eles é a participação em empresas capazes de movimentar bilhões de reais e gerar patrimônio em escala nacional e internacional.

Um ranking que mostra as mudanças na economia

A lista de bilionários da Forbes também funciona como um retrato das transformações econômicas do país.

Durante décadas, grandes fortunas brasileiras estiveram fortemente concentradas em setores tradicionais, como indústria, comércio, bancos, mineração e construção.

Hoje, empresas de tecnologia, plataformas digitais, educação e novos modelos de negócios também aparecem com força.

A presença de Luana Lopes Lara entre os estreantes é um exemplo claro dessa mudança.

Ao mesmo tempo, os nomes ligados ao agronegócio, à educação e ao mercado financeiro mostram que os setores tradicionais continuam sendo responsáveis por uma parcela significativa das grandes fortunas nacionais.

R$ 1,86 trilhão concentrados entre 255 bilionários

A edição de 2026 da lista da Forbes identificou 255 brasileiros com patrimônio acima de R$ 1 bilhão.

Somados, esses patrimônios chegam a R$ 1,86 trilhão.

O número revela a dimensão da riqueza acumulada pelo grupo e também mostra como diferentes modelos empresariais podem produzir grandes fortunas.

Os cinco estreantes representam apenas 1,96% dos integrantes da lista, mas juntos acumulam cerca de R$ 25 bilhões.

O valor demonstra que, embora sejam novos no ranking, alguns deles já chegam ao grupo com patrimônios expressivos.

Veja os estreantes da lista Forbes 2026

  • Luana Lopes Lara — 30 anos — R$ 13,4 bilhões;
  • Ari de Sá Cavalcante Neto e família — 47 anos — R$ 3,9 bilhões;
  • Rosangela Maggi Schmidt — 68 anos — R$ 3,5 bilhões;
  • Carlos Moche Dayan — 54 anos — R$ 2,1 bilhões;
  • Salim Dayan — 56 anos — R$ 2,1 bilhões.

A entrada dos cinco nomes mostra que o universo dos grandes patrimônios brasileiros continua se renovando.

Entre startups e empresas tradicionais, entre heranças familiares e fortunas construídas a partir de novos negócios, a lista de 2026 revela uma economia em transformação.

Para além dos números bilionários, cada nome representa uma história empresarial diferente — algumas construídas em décadas, outras impulsionadas pela velocidade da tecnologia e das novas oportunidades de mercado.

O ranking, portanto, não mostra apenas quem possui mais dinheiro. Ele também ajuda a entender quais setores estão criando riqueza no Brasil e como novas gerações estão ocupando espaço entre os maiores patrimônios do país.