Bilionários também chamam atenção pela longevidade. Aos 97 anos, os empresários João Jacob Vontobel e Daniel Miguel Klabin ocupam o topo do ranking dos bilionários mais velhos do país em 2026, segundo levantamento divulgado pela Forbes nesta quinta-feira (27). Juntos com outros três nomes que completam a lista, eles reúnem uma fortuna estimada em R$ 16,2 bilhões.

O ranking chama atenção não apenas pelos valores envolvidos, mas também pelas histórias de décadas de trabalho, empresas familiares e construção de negócios que atravessaram diferentes períodos da economia brasileira.

Entre os cinco bilionários mais velhos, as idades variam de 92 a 97 anos. São empresários e integrantes de famílias empresárias que construíram ou mantiveram participação em companhias importantes de setores como alimentos, papel e celulose, energia elétrica, bancos e distribuição.

O levantamento mostra ainda que a formação de grandes patrimônios no Brasil não está restrita a uma única geração. Ao mesmo tempo em que pessoas próximas dos 100 anos permanecem entre os mais ricos do país, uma nova geração de bilionários, incluindo jovens na casa dos 20 anos, também começa a ganhar espaço.

João Jacob Vontobel é o bilionário mais velho do país

A primeira posição pertence a João Jacob Vontobel, de 97 anos. Empresário gaúcho, ele construiu sua trajetória à frente da Vonpar, empresa criada em 1948 e que se tornou uma das principais engarrafadoras da Coca-Cola no Brasil.

A companhia cresceu ao longo das décadas e ganhou relevância no mercado de bebidas. Posteriormente, a Vonpar foi vendida para a mexicana Femsa, uma das maiores empresas do setor.

Mesmo após a venda do negócio, a família Vontobel continuou atuando no setor empresarial, especialmente na área de alimentos.

Entre as marcas ligadas à família estão Neugebauer, Mu-Mu e Wallerius, nomes conhecidos dos consumidores brasileiros.

A fortuna de João Jacob Vontobel é estimada em R$ 3 bilhões.

Sua trajetória representa uma geração de empresários que começou a construir grandes negócios em um período em que o Brasil ainda passava por profundas transformações econômicas e industriais.

Daniel Miguel Klabin mantém patrimônio bilionário aos 97 anos

Também com 97 anos, Daniel Miguel Klabin aparece na segunda posição do ranking.

Integrante da tradicional família Klabin, ele está ligado a uma das empresas mais importantes da indústria brasileira de papel e celulose.

A Klabin possui uma trajetória que se estende por gerações e se consolidou como uma das maiores fabricantes de papel e celulose do país.

Apesar de ter avançado posições no ranking geral de bilionários em comparação com o ano anterior, Daniel Miguel Klabin viu sua fortuna estimada recuar.

O patrimônio, que era calculado em aproximadamente R$ 1,8 bilhão, passou para R$ 1,6 bilhão em 2026.

A trajetória da família Klabin mostra como empresas familiares podem atravessar décadas e permanecer relevantes em setores estratégicos da economia.

Aos 94 anos, Consuelo Andrade de Araújo amplia fortuna

A terceira colocação entre os bilionários mais velhos pertence à empresária Consuelo Andrade de Araújo e família.

Aos 94 anos, ela aparece entre os nomes que mais tiveram crescimento patrimonial no período analisado.

A família é controladora do Banco Mercantil do Brasil, instituição financeira com longa presença no mercado brasileiro.

A valorização das ações do banco contribuiu diretamente para o crescimento do patrimônio atribuído à empresária e sua família.

Em apenas um ano, a fortuna estimada passou de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,2 bilhões.

O crescimento mostra como o desempenho de empresas listadas na bolsa pode alterar significativamente o patrimônio de famílias que possuem participações relevantes nessas companhias.

Mais do que uma questão de números, o caso também evidencia a permanência de famílias tradicionais no mercado financeiro brasileiro.

Ivan Müller Botelho tem patrimônio de R$ 5,1 bilhões

Na quarta posição aparece Ivan Müller Botelho, de 92 anos.

Também mineiro, o empresário é presidente de honra da Energisa, um dos maiores grupos do setor elétrico brasileiro.

A empresa possui diversas subsidiárias e atua em diferentes regiões do país, sendo responsável por serviços relacionados à distribuição de energia elétrica.

Em 2026, o patrimônio estimado de Ivan Müller Botelho chegou a R$ 5,1 bilhões, representando uma alta de aproximadamente 35% em relação ao ano anterior.

Apesar de estar entre os mais velhos do ranking, o empresário permanece ligado à trajetória de um dos grandes grupos empresariais brasileiros.

A história da Energisa também está relacionada à expansão e consolidação de empresas familiares em setores considerados essenciais para o desenvolvimento econômico do país.

Alair Martins fecha a lista

A quinta posição é ocupada por Alair Martins do Nascimento, também com 92 anos.

Fundador do Grupo Martins, o empresário construiu sua fortuna no setor de atacado e distribuição.

O grupo se tornou um dos maiores conglomerados brasileiros do segmento e possui atuação em todos os municípios do país.

A trajetória de Alair Martins é marcada pela construção gradual de um negócio que passou a atender diferentes regiões e milhares de estabelecimentos comerciais.

Em 2026, seu patrimônio é estimado em R$ 4,3 bilhões.

O empresário encerra a lista dos cinco bilionários mais velhos do Brasil, mas aparece entre os maiores patrimônios do grupo analisado.

Confira o ranking dos cinco mais velhos

A lista dos bilionários mais velhos do Brasil em 2026 fica assim:

  1. João Jacob Vontobel — 97 anos — R$ 3 bilhões
  2. Daniel Miguel Klabin — 97 anos — R$ 1,6 bilhão
  3. Consuelo Andrade de Araújo e família — 94 anos — R$ 2,2 bilhões
  4. Ivan Müller Botelho — 92 anos — R$ 5,1 bilhões
  5. Alair Martins do Nascimento — 92 anos — R$ 4,3 bilhões

Somados, os cinco patrimônios chegam a aproximadamente R$ 16,2 bilhões.

Minas Gerais concentra três dos cinco nomes

Outro detalhe que chama atenção no levantamento é a presença de Minas Gerais entre os estados de origem dos bilionários mais velhos.

Dos cinco nomes, três são mineiros: Consuelo Andrade de Araújo, Ivan Müller Botelho e Alair Martins do Nascimento.

Minas Gerais possui atualmente 20 bilionários na lista nacional da Forbes.

O estado aparece atrás de São Paulo, que concentra 95 bilionários, e do Rio de Janeiro, com 37.

A presença mineira no ranking reforça a importância histórica do estado na formação de grandes grupos empresariais brasileiros, especialmente em setores como indústria, energia, comércio e serviços financeiros.

Uma diferença de 76 anos entre os extremos

O ranking dos mais velhos também permite observar um contraste impressionante quando comparado à lista dos bilionários mais jovens do país.

Enquanto João Jacob Vontobel e Daniel Miguel Klabin têm 97 anos, a bilionária mais jovem do Brasil em 2026, Amelie Voigt Trejes, ligada à família controladora da WEG, tem apenas 21 anos.

A diferença entre os extremos chega a 76 anos.

Os cinco bilionários mais jovens do país concentram patrimônio superior a R$ 24,1 bilhões, valor maior que os R$ 16,2 bilhões reunidos pelos cinco mais velhos.

Em muitos casos, a riqueza dos jovens bilionários está relacionada a heranças familiares e participações em grandes empresas.

Riqueza que atravessa gerações

Mais do que um ranking de fortunas, a lista revela como a riqueza empresarial brasileira pode atravessar gerações.

Os nomes mais velhos estão ligados a empresas que foram construídas ou fortalecidas ao longo de décadas. São histórias marcadas por transformações econômicas, mudanças no comportamento dos consumidores, crises, expansão empresarial e sucessão familiar.

Ao mesmo tempo, a presença de jovens bilionários mostra que os grandes patrimônios continuam sendo transferidos para novas gerações.

Essa combinação entre experiência e sucessão ajuda a explicar parte da estrutura empresarial brasileira.

Aos 97 anos, os dois líderes do ranking mostram que a idade não apagou o peso de suas trajetórias no mundo dos negócios. E, enquanto novas gerações assumem espaço, os patrimônios construídos ao longo de décadas continuam influenciando setores importantes da economia nacional.

No fim, os números bilionários contam apenas uma parte da história. Por trás deles existem empresas, famílias, decisões tomadas ao longo de décadas e negócios que atravessaram diferentes gerações — ajudando a moldar a economia brasileira e deixando marcas que permanecem muito além da idade de seus fundadores e herdeiros.