O dólar comercial abriu a sessão desta terça-feira (8) em queda, retomando os negócios após o feriado do Dia da Independência do Brasil e do Labor Day, celebrado na segunda-feira (7) nos Estados Unidos. No início da manhã, por volta das 9h, a moeda norte-americana recuava 0,33%, sendo negociada a R$ 5,1132.
O movimento acontece em uma manhã marcada por diferentes fatores que podem influenciar o comportamento dos mercados financeiros. Entre eles estão a valorização do petróleo no cenário internacional, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a proximidade das eleições presidenciais brasileiras.
Enquanto os investidores acompanham esses acontecimentos, o mercado também permanece atento aos próximos indicadores econômicos que serão divulgados ao longo da semana, especialmente os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.
A Bolsa de Valores brasileira, representada pelo Ibovespa, inicia as negociações às 10h. O índice encerrou a última sessão antes do feriado em trajetória positiva e acumula valorização expressiva no mês e no ano.
Petróleo sobe em meio às tensões no Oriente Médio
Um dos principais assuntos observados pelos mercados nesta terça-feira é a alta do preço do petróleo.
A preocupação aumentou diante de novos ataques atribuídos aos houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã, contra instalações de energia e cidades na Arábia Saudita, país aliado dos Estados Unidos.
Os ataques, que deixaram mais de 70 pessoas feridas, ampliaram as preocupações sobre a possibilidade de o conflito envolvendo o Irã se espalhar pela região e atingir outros países.
O temor de uma guerra regional mais ampla costuma provocar impacto direto no mercado de petróleo, especialmente porque o Oriente Médio concentra uma parcela significativa da produção e das rotas internacionais de energia.
Com o aumento das preocupações sobre a oferta futura, os contratos da commodity registraram forte valorização.
Por volta das 9h desta terça-feira, o barril do Brent, principal referência internacional, avançava 1,69%, sendo negociado a US$ 98,64.
Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, subia 2,60%, cotado a US$ 93,86 por barril.
A alta do petróleo pode provocar efeitos em diferentes setores da economia. Para países importadores ou que possuem preços de combustíveis influenciados pelo mercado internacional, alterações na cotação da commodity podem afetar custos de transporte, produção e inflação.
No Brasil, esse movimento também é acompanhado com atenção por investidores, empresas e autoridades econômicas.
Eleições entram no radar dos investidores
Além do cenário externo, o ambiente político brasileiro começa a ganhar ainda mais espaço nas avaliações do mercado financeiro à medida que se aproxima o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (7) mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 36% das intenções de voto no cenário estimulado com 13 candidatos.
Flávio Bolsonaro (PL) aparece na segunda colocação, com 29%.
O levantamento também mostra Augusto Cury (Avante) com 8%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD), também com 3%.
Romeu Zema (Novo) aparece com 2%, enquanto Samara Martins (UP) registra 1%.
Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Veterinário Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) aparecem com 0% das intenções de voto.
Os eleitores que declararam voto em branco, nulo ou em nenhum candidato somam 8%. Outros 10% disseram ainda estar indecisos.
Na comparação com o levantamento anterior, realizado em 2 de setembro, Lula oscilou de 37% para 36%, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu com 29%. Augusto Cury caiu de 10% para 8%. Ronaldo Caiado passou de 1% para 3%, enquanto Romeu Zema avançou de 1% para 2%.
Pesquisa foi realizada em todo o país
A pesquisa foi contratada pela Globo e pelo jornal O Globo e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em diferentes regiões do Brasil.
As entrevistas foram realizadas entre os dias 3 e 6 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01720/2026.
Para o mercado financeiro, pesquisas eleitorais podem ganhar importância à medida que o calendário eleitoral avança, principalmente quando os investidores avaliam possíveis mudanças nas políticas econômicas, fiscais e regulatórias a partir do próximo governo.
Isso não significa que uma pesquisa isolada determine o comportamento do dólar ou da Bolsa. O mercado reage a uma combinação de fatores, incluindo cenário internacional, expectativas econômicas, decisões do governo, indicadores de inflação, juros e percepção de risco.
Dólar acumula queda no ano
Apesar das oscilações registradas diariamente, o dólar apresenta trajetória de queda nos acumulados apresentados nesta terça-feira.
Na semana, a moeda registra recuo de 1,27%. No acumulado de setembro, a baixa é de 0,96%.
Considerando todo o ano de 2026, o dólar acumula queda de 6,54%.
Esses números mostram que, mesmo diante de momentos de pressão provocados por fatores externos e internos, a moeda norte-americana permanece abaixo dos níveis registrados no início do ano.
Para consumidores e empresas, a cotação do dólar pode influenciar diferentes preços, principalmente de produtos importados ou que dependem de componentes adquiridos no exterior.
Ibovespa mantém desempenho positivo
Enquanto o dólar opera em queda, o Ibovespa apresenta um desempenho bastante positivo nos acumulados.
O principal índice da Bolsa brasileira acumula alta de 5,40% na semana e avanço de 4,36% no mês.
No acumulado de 2026, a valorização chega a 14,91%.
O desempenho da Bolsa reflete, entre outros fatores, as expectativas dos investidores em relação à economia brasileira e ao cenário internacional.
A abertura dos negócios nesta terça-feira, portanto, será acompanhada de perto diante da combinação de fatores que envolvem petróleo, política internacional, eleições brasileiras e indicadores econômicos.
Bolsas asiáticas têm desempenho misto
No exterior, os mercados asiáticos encerraram a sessão com resultados diferentes.
Na China, o índice SSEC, da Bolsa de Xangai, registrou alta de 0,20%. O avanço foi impulsionado principalmente por empresas dos setores agrícola, de energia e de ouro.
Por outro lado, as ações de tecnologia pressionaram os mercados chineses.
O CSI300, que reúne as principais empresas negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,36%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,38%.
No Japão, o Nikkei apresentou queda mais acentuada, de 1,70%. Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,58%.
O desempenho desigual mostra como os investidores asiáticos também estão avaliando diferentes fatores econômicos e geopolíticos antes de definir suas posições.
Inflação e decisões de bancos centrais no radar
Além das eleições e do petróleo, a agenda econômica dos próximos dias deve manter os mercados atentos.
Investidores aguardam novos dados de inflação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Os números são importantes porque podem influenciar as expectativas em relação aos próximos passos das autoridades monetárias.
Nos Estados Unidos, os indicadores de preços são acompanhados de perto pelo Federal Reserve, enquanto no Brasil os dados de inflação ajudam a formar expectativas sobre a política monetária conduzida pelo Banco Central.
O mercado também acompanha a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
Em um ambiente de incerteza internacional, cada novo indicador pode provocar mudanças nas expectativas de juros, câmbio e investimentos.
Mercado começa o dia atento a vários fatores
A abertura do dólar nesta terça-feira mostra como o mercado financeiro inicia a semana com uma combinação de fatores internos e externos.
A moeda norte-americana recuou no início dos negócios, mas os investidores permanecem atentos à evolução das tensões no Oriente Médio, à alta do petróleo e ao cenário político brasileiro.
Ao mesmo tempo, os números acumulados do dólar e do Ibovespa mostram desempenhos diferentes: enquanto a moeda norte-americana registra queda de 6,54% no ano, a Bolsa brasileira acumula alta de 14,91%.
Com a aproximação das eleições presidenciais e a divulgação de novos indicadores econômicos, a tendência é de que o ambiente financeiro continue sensível às notícias nacionais e internacionais.
Para o consumidor brasileiro, as oscilações do mercado podem parecer distantes da vida cotidiana, mas seus efeitos podem chegar aos preços de combustíveis, produtos importados, viagens, alimentos e outros itens.
Por isso, acompanhar o comportamento do dólar, do petróleo e dos principais indicadores econômicos ajuda a entender não apenas o que acontece no mercado financeiro, mas também como decisões e acontecimentos nacionais e internacionais podem influenciar a economia do país e o bolso dos brasileiros.














