São Paulo registrou mais dois casos de sarampo em 2026, elevando para 32 o número total de diagnósticos da doença no estado neste ano. Os novos registros foram divulgados nesta sexta-feira (11) pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), que acompanha a evolução dos casos e das cadeias de transmissão identificadas no território paulista.

Entre os novos pacientes está uma menina de seis meses, que apresentava esquema vacinal incompleto, e um homem de 28 anos, com histórico de vacinação contra o sarampo. Os registros reforçam a importância da manutenção da cobertura vacinal e do acompanhamento das pessoas que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados.

Do total de 32 diagnósticos registrados em São Paulo, 29 estão concentrados na capital paulista. Outros dois casos foram identificados em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, em 23 das 32 ocorrências os pacientes não possuíam registro de vacinação ou apresentavam esquema vacinal incompleto.

O cenário mantém as autoridades de saúde em alerta, principalmente porque o sarampo é uma doença altamente transmissível e pode voltar a circular com maior intensidade quando a cobertura vacinal da população diminui.

Maioria dos casos envolve pessoas sem vacinação completa

Os dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde chamam atenção para a relação entre os diagnósticos e a situação vacinal dos pacientes.

Dos 32 casos registrados no estado em 2026, 23 ocorreram em pessoas que não tinham registro de vacinação ou estavam com o esquema incompleto. O levantamento reforça a importância de conferir regularmente a caderneta de vacinação e procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) quando houver dúvidas sobre as doses necessárias.

Embora a vacinação seja uma das principais formas de prevenção contra o sarampo, a proteção coletiva depende da manutenção de uma cobertura elevada entre a população. Quando muitas pessoas permanecem sem as doses recomendadas, aumentam as possibilidades de circulação do vírus e de ocorrência de novos casos.

A situação também exige atenção especial para bebês e crianças pequenas, que possuem recomendações específicas de imunização.

Quatro cadeias de transmissão foram identificadas

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, quatro cadeias de transmissão do sarampo foram identificadas em São Paulo ao longo de 2026.

A primeira ocorreu entre março e abril e esteve relacionada a dois casos de pacientes que haviam vindo do exterior. Essa cadeia foi considerada encerrada depois de 12 semanas sem o registro de novas ocorrências relacionadas.

As outras três cadeias foram identificadas nos meses de junho, julho e agosto. Diferentemente da primeira, elas continuam sendo acompanhadas pelas equipes de vigilância estaduais e municipais.

O acompanhamento é importante para identificar rapidamente novos casos, rastrear pessoas que tiveram contato com pacientes diagnosticados e adotar medidas de controle quando necessário.

A identificação de cadeias de transmissão permite que as autoridades acompanhem não apenas quem apresentou sintomas, mas também os possíveis caminhos de circulação do vírus.

Vacinação continua disponível nas UBSs

Diante do aumento dos casos, o governo de São Paulo reforça a recomendação para que a população mantenha a vacinação em dia.

A orientação contempla pessoas de zero a 59 anos, de acordo com as recomendações estabelecidas para cada faixa etária. Mesmo após o encerramento das campanhas específicas de imunização realizadas no início de setembro, as doses continuam disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde.

A recomendação é que a população procure uma UBS e apresente a caderneta de vacinação para que os profissionais possam verificar se existem doses pendentes.

A vacinação é especialmente importante para pessoas que não possuem comprovação de imunização ou que não completaram o esquema indicado para sua idade.

Qual é o esquema de vacinação contra o sarampo?

Para as crianças, o calendário prevê duas doses da vacina contra o sarampo. A primeira deve ser aplicada aos 12 meses de idade, enquanto a segunda é indicada aos 15 meses.

Entre 15 meses e 29 anos, a recomendação é que a pessoa tenha duas doses registradas, respeitando o intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

Para quem tem entre 30 e 59 anos, deve haver pelo menos uma dose da vacina registrada na caderneta.

Já os trabalhadores da saúde possuem uma recomendação específica: devem ter duas doses da vacina, independentemente da idade.

A conferência do histórico vacinal é fundamental porque muitas pessoas podem não se lembrar de todas as vacinas recebidas ao longo da vida. A caderneta serve justamente como documento de referência para orientar os profissionais de saúde.

Bebês podem receber a chamada dose zero

Uma atenção especial é destinada aos bebês com idade entre seis meses e 11 meses e 29 dias que vivem nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

Nessa faixa etária, pode ser aplicada a chamada dose zero da vacina tríplice viral, diante do cenário epidemiológico atual.

A dose também pode ser indicada para crianças dessa idade que tiveram contato com pessoas com suspeita ou confirmação de sarampo. Nesses casos, a decisão depende da avaliação das equipes de vigilância em saúde.

É importante destacar que a dose zero não substitui as doses previstas no calendário regular de vacinação.

Isso significa que, mesmo que o bebê receba a dose adicional antes de completar um ano, deverá tomar normalmente a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.

Essa orientação é importante para evitar que os responsáveis entendam equivocadamente que a dose aplicada antecipadamente substitui as doses regulares.

Por que o sarampo preocupa as autoridades?

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível. O vírus pode se espalhar facilmente entre pessoas, principalmente em ambientes onde há indivíduos sem proteção adequada.

Por esse motivo, a identificação de novos casos exige acompanhamento rápido por parte das autoridades sanitárias.

O trabalho das equipes de saúde envolve identificar os pacientes, investigar os possíveis locais de transmissão e acompanhar pessoas que tiveram contato com os casos.

Esse processo permite interromper ou reduzir a circulação do vírus e evitar que uma ocorrência isolada se transforme em uma cadeia mais extensa de transmissão.

O histórico recente de São Paulo demonstra a importância desse acompanhamento. A primeira cadeia identificada em 2026 foi considerada encerrada após um período prolongado sem novos registros relacionados, enquanto as demais continuam sob monitoramento.

População deve ficar atenta aos sinais e à vacinação

Diante do atual cenário, a principal recomendação para a população é verificar a situação vacinal e procurar atendimento de saúde diante de sintomas compatíveis com a doença, especialmente quando houver histórico de contato com casos suspeitos ou confirmados.

A vacinação continua sendo uma das principais ferramentas para impedir a propagação do sarampo. Por isso, manter a caderneta atualizada é uma atitude individual que também contribui para a proteção coletiva.

O aumento para 32 casos em São Paulo ao longo de 2026 serve como um alerta para a necessidade de manter a vigilância ativa e evitar a perda da proteção proporcionada pela imunização.

Os dois novos diagnósticos, incluindo o caso de uma bebê de seis meses com esquema vacinal incompleto e o de um adulto que possui histórico de vacinação, mostram que a doença pode atingir diferentes grupos e que o acompanhamento epidemiológico continua necessário.

Enquanto as equipes estaduais e municipais monitoram as cadeias de transmissão ainda ativas, a orientação é que a população não deixe a vacinação para depois. Conferir a caderneta, buscar uma UBS e manter as doses recomendadas em dia são medidas simples que podem ajudar a reduzir a circulação do vírus e proteger principalmente aqueles que ainda não possuem idade para completar o esquema regular de imunização.

Para as autoridades de saúde, o desafio é impedir que os casos registrados neste ano avancem para novas cadeias de transmissão. Para a população, o papel mais importante é colaborar com a prevenção e manter a vacinação atualizada.