A Polícia Civil da Paraíba deve concluir nos próximos dias dois inquéritos relacionados a um caso de extrema violência ocorrido em Campina Grande, no Agreste paraibano. De acordo com o delegado Heitor Soares, responsável pelas investigações, a mulher que confessou ter amputado o órgão genital do marido deverá ser indiciada por lesão corporal de natureza gravíssima. Paralelamente, o homem deverá ser indiciado por estupro de vulnerável contra os dois enteados.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (16), quando o delegado informou que as investigações estão em fase final e aguardam apenas a chegada dos últimos laudos periciais. Os procedimentos foram instaurados separadamente para apurar tanto a agressão contra o homem quanto as denúncias envolvendo as duas crianças.

O caso ganhou repercussão depois que o homem, de 33 anos, foi encontrado amarrado e gravemente ferido na noite do dia 6 de setembro, no bairro da Catingueira, em Campina Grande. Ele apresentava intenso sangramento e havia sofrido a amputação do órgão genital.

Desde o início da ocorrência, a companheira passou a ser considerada a principal suspeita da agressão. Posteriormente, ela se apresentou espontaneamente à Polícia Civil, prestou depoimento e confessou ter realizado o ataque.

Segundo o relato apresentado pela mulher à polícia, ela teria amarrado o marido, utilizado uma faca para realizar o corte e, depois, descartado o órgão no vaso sanitário, acionando a descarga. O órgão não foi localizado pelas autoridades, assim como a faca que teria sido utilizada na agressão.

Investigação também apura possível abuso contra crianças

A agressão contra o homem está diretamente relacionada, segundo a linha investigativa apresentada pela Polícia Civil, às suspeitas de que ele teria abusado sexualmente dos dois filhos da mulher. As crianças, que são enteadas do homem, têm 8 e 10 anos, conforme as informações divulgadas pelas autoridades.

O delegado Heitor Soares informou que as duas crianças passaram por depoimento especial, realizado por profissionais capacitados para ouvir vítimas ou testemunhas menores de idade em situações que envolvem violência.

Durante os depoimentos, segundo a Polícia Civil, as crianças relataram que teriam sido vítimas de abusos sexuais cometidos pelo padrasto. O homem, por sua vez, nega as acusações.

Conforme o relato apresentado pela investigação, os supostos abusos teriam começado depois que as crianças pediram autorização para utilizar um telefone celular. A mãe não teria permitido inicialmente, mas o padrasto teria permitido que elas utilizassem o aparelho em troca de atos de natureza sexual, segundo o depoimento atribuído às crianças.

Os fatos teriam ocorrido há mais de um ano, período em que a família residia no bairro da Liberdade, também em Campina Grande.

Depois de tomarem conhecimento do que teria acontecido, as crianças teriam contado a situação à mãe. Posteriormente, o pai delas procurou as autoridades e registrou um boletim de ocorrência no dia 7 de setembro. A partir da denúncia, um inquérito específico foi instaurado para investigar as acusações.

Polícia ouviu envolvidos e testemunhas

Ao longo da investigação, a Polícia Civil ouviu os dois adultos envolvidos, além de testemunhas que poderiam contribuir para esclarecer os acontecimentos.

As crianças foram ouvidas por meio de depoimento especial, procedimento utilizado para preservar a integridade de menores envolvidos em investigações de violência e evitar a repetição desnecessária dos relatos.

Também foram solicitados exames e perícias para auxiliar na apuração dos fatos. De acordo com o delegado, os resultados desses procedimentos são aguardados para que os inquéritos possam ser finalizados.

A previsão é de que os documentos sejam concluídos nos próximos dias. Somente depois dessa etapa a Polícia Civil deverá formalizar os indiciamentos apontados pelo delegado.

No caso da mulher, a investigação considera que a amputação do órgão genital e a consequente perda da função sexual caracterizam lesão corporal de natureza gravíssima. A polícia também analisa se outras condutas podem estar relacionadas à agressão, incluindo a possibilidade de tortura.

Homem recebeu medida protetiva

Apesar da gravidade das acusações e da violência registrada no caso, os dois envolvidos permanecem em liberdade até o momento.

Segundo o delegado Heitor Soares, a Polícia Civil não identificou, durante a investigação, necessidade de solicitar a prisão preventiva da mulher. Ela não possuía antecedentes criminais e, conforme a avaliação apresentada pela autoridade policial, não representaria risco à coletividade.

O homem também não foi preso em razão das acusações envolvendo as crianças. No entanto, recebeu uma medida protetiva que determina que ele não se aproxime nem mantenha contato com os dois menores.

A medida tem como objetivo preservar a segurança das crianças enquanto o procedimento investigativo segue em andamento.

A Polícia Civil também informou que o homem deverá passar por uma cirurgia para reconstrução do canal urinário em decorrência das lesões provocadas pela amputação.

Como aconteceu a agressão

O episódio ocorreu na noite do dia 6 de setembro, no bairro da Catingueira. Segundo informações repassadas pela Polícia Militar na ocasião, o homem foi encontrado com as mãos e os pés amarrados e apresentava uma grande perda de sangue.

O órgão genital não foi encontrado no local.

Inicialmente, a vítima teria relatado aos policiais que a companheira havia pedido para testar diferentes tipos de nós que estaria aprendendo em um curso de formação para bombeiro civil. Depois de amarrá-lo, conforme a investigação posteriormente apontou, ela teria cometido a agressão.

A mulher não foi localizada imediatamente após o episódio. Quatro dias depois, no dia 10 de setembro, ela procurou a Polícia Civil e apresentou sua versão dos acontecimentos.

A confissão da agressão passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.

Atendimento médico e recuperação

Após ser encontrado ferido, o homem foi socorrido e levado para o Hospital de Trauma de Campina Grande. Ele permaneceu internado para receber atendimento médico e recebeu alta no dia 8 de setembro.

A lesão, porém, provocou consequências permanentes e exigirá novos procedimentos médicos. Segundo a Polícia Civil, está prevista uma cirurgia para reconstrução do canal urinário.

O caso reúne, portanto, duas investigações que caminham paralelamente: uma relacionada à violência praticada contra o homem e outra destinada a apurar as denúncias envolvendo as duas crianças.

A situação também exige cautela na divulgação das informações, especialmente porque as acusações de abuso sexual ainda dependem da conclusão da investigação e das demais etapas previstas no processo legal.

Inquéritos entram na reta final

Com os depoimentos já realizados e parte dos exames concluída, a Polícia Civil aguarda os últimos laudos periciais para finalizar os procedimentos.

Caso os elementos reunidos sejam confirmados e considerados suficientes pela autoridade policial, a mulher deverá ser indiciada por lesão corporal de natureza gravíssima. O homem, por sua vez, deverá ser indiciado por estupro de vulnerável em relação às duas crianças.

O indiciamento representa a conclusão da etapa investigativa policial com a indicação de que, segundo os elementos reunidos, há indícios de autoria e materialidade. A eventual responsabilização criminal, contudo, depende das etapas posteriores do sistema de Justiça.

Enquanto isso, a medida protetiva destinada às crianças permanece como uma das providências adotadas no caso, impedindo o homem de manter contato com elas.

A Polícia Civil deve concluir os dois inquéritos nos próximos dias, assim que os últimos laudos forem anexados aos procedimentos.

O caso, que começou com uma ocorrência de extrema violência em Campina Grande, passou a envolver também uma investigação sobre possíveis crimes contra crianças. As autoridades agora trabalham para reunir todos os elementos necessários e esclarecer, de forma técnica e dentro dos procedimentos legais, as circunstâncias que levaram aos acontecimentos.

Até a conclusão das investigações e das demais etapas judiciais, os envolvidos devem ser tratados de acordo com suas respectivas condições processuais, preservando-se também a identidade e a proteção das crianças envolvidas.