Homem matou três mulheres a tiros dentro de uma residência no bairro Paraíso, em Santa Cruz, no Agreste do Rio Grande do Norte, na manhã desta sexta-feira (18). As vítimas eram a companheira do suspeito, uma sobrinha dela e a enteada dele, de 18 anos. Duas crianças também foram baleadas durante o ataque e precisaram ser encaminhadas para atendimento médico.

Segundo informações da Polícia Militar, o autor dos disparos era companheiro de uma das mulheres e teria matado também uma sobrinha dela e a própria enteada, de 18 anos. Depois do crime, ele deixou a residência, seguiu em direção ao Santuário de Santa Rita de Cássia e morreu após atirar contra a própria cabeça durante uma ocorrência envolvendo policiais militares.

As identidades das vítimas e do homem ainda não haviam sido oficialmente confirmadas pelas autoridades nas primeiras informações divulgadas sobre o caso. A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do episódio e buscar esclarecer o que motivou os ataques.

O caso provocou forte comoção na cidade, especialmente pela presença de crianças entre as vítimas da violência.

Crime aconteceu nas primeiras horas da manhã

De acordo com a Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 6h, dentro de uma residência localizada no bairro Paraíso. Policiais do 15º Batalhão de Polícia Militar foram acionados depois que moradores perceberam a ocorrência.

Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram as três mulheres já sem vida. Conforme o relato apresentado pelo sargento Pontes, do 15º BPM, uma das vítimas estava em um dos quartos da casa, enquanto outras duas foram encontradas caídas em outro cômodo.

Os primeiros levantamentos apontaram que todas foram atingidas por disparos de arma de fogo.

A violência aconteceu em um ambiente familiar, o que aumentou ainda mais o impacto provocado pela ocorrência. Informações repassadas por moradores à imprensa indicam que o relacionamento do casal era marcado por conflitos e que o homem não aceitava o fim da relação. Essa circunstância, entretanto, deverá ser apurada oficialmente pela Polícia Civil.

Até o momento, a motivação não foi confirmada pelas autoridades.

Duas crianças também foram baleadas

Além das três mulheres mortas, duas crianças foram atingidas durante o ataque.

Os menores foram inicialmente levados para uma unidade hospitalar de Santa Cruz e posteriormente transferidos para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, referência no atendimento de casos de maior complexidade no estado.

Segundo informações repassadas pelo pai das crianças, Thiago Eduardo, os dois estavam conscientes e conversando após receberem atendimento médico.

Um dos meninos, de 8 anos, apresentava um pequeno sangramento na cabeça e deveria passar por exames para avaliação do ferimento. A outra criança, uma menina que completava 12 anos justamente nesta sexta-feira, foi atingida na região cervical. Conforme o relato do pai, os médicos informaram que ela não precisaria passar por cirurgia.

A situação das crianças mobilizou familiares e moradores, que acompanharam com preocupação o atendimento e a transferência para Natal.

Criança teria pedido ajuda

Um dos relatos mais marcantes após o crime foi o de uma agricultora que conhecia as vítimas. Segundo Valéria Carvalho, uma das crianças conseguiu ligar para uma pessoa próxima da família e informar o que havia acontecido dentro da residência.

O relato indica que a criança teria pedido que a madrinha chamasse o pai após perceber que a mãe havia sido morta.

A partir do telefonema, o pai foi até o imóvel. Segundo a testemunha, ele precisou arrombar a entrada da residência para conseguir acessar o local e retirar as crianças.

O episódio revela a dimensão da tragédia e o desespero enfrentado pelas crianças durante os momentos que sucederam os disparos.

As circunstâncias exatas de como os menores foram atingidos ainda deverão ser esclarecidas pela investigação.

Suspeito fugiu para santuário

Depois de cometer os ataques, o homem deixou a residência e fugiu em direção ao Santuário de Santa Rita de Cássia, um dos principais pontos religiosos e turísticos de Santa Cruz.

Segundo a Polícia Militar, o vigia do santuário comunicou às autoridades que o homem havia chegado ao local e afirmado que pretendia tirar a própria vida.

Equipes policiais foram deslocadas até o santuário para tentar controlar a situação.

De acordo com o sargento Pontes, houve uma tentativa de negociação com o homem. No entanto, segundo a versão apresentada pela PM, ele reagiu à aproximação dos policiais e houve troca de tiros.

Durante a ocorrência, um policial militar foi atingido por um disparo no antebraço. O agente foi socorrido e, conforme informado pela corporação, passa bem.

O suspeito acabou atirando contra a própria cabeça e morreu no local.

Santuário foi fechado temporariamente

Após a morte do suspeito, o Santuário de Santa Rita de Cássia foi temporariamente fechado. O espaço religioso é conhecido por abrigar uma das maiores estátuas católicas do mundo e recebe moradores e visitantes de diferentes regiões.

A interdição ocorreu como medida de segurança e para permitir que os procedimentos relacionados à ocorrência fossem realizados.

A movimentação policial no local chamou a atenção de moradores e pessoas que estavam nas proximidades. A área precisou ser controlada enquanto as autoridades realizavam os levantamentos necessários.

O confronto também deverá ser analisado dentro da investigação, especialmente em relação à sequência dos acontecimentos após a chegada do suspeito ao santuário.

Polícia Civil vai investigar

A Polícia Civil ficará responsável pela investigação do caso. Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a dinâmica do crime, a relação entre o suspeito e as vítimas, a eventual existência de conflitos anteriores e as circunstâncias que levaram ao ataque.

A polícia também deverá ouvir familiares, testemunhas e outras pessoas que possam contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.

Informações sobre possíveis episódios anteriores de violência no relacionamento também poderão ser analisadas, caso sejam formalmente apresentadas às autoridades.

A investigação deverá ainda reunir elementos periciais obtidos na residência onde as mulheres foram mortas e no local onde o suspeito morreu.

Até que esses trabalhos sejam concluídos, qualquer explicação sobre a motivação deve ser tratada como hipótese, e não como fato confirmado.

Uma tragédia que atingiu uma família inteira

O episódio deixou três mulheres mortas, duas crianças feridas e uma comunidade inteira diante de uma situação de extrema violência.

A morte das vítimas dentro de uma residência evidencia como episódios de violência doméstica e conflitos familiares podem assumir proporções graves quando sinais de risco não são identificados ou interrompidos a tempo.

Neste caso específico, moradores relataram que o relacionamento do casal era conturbado e que o homem não aceitava o fim da relação. Essa informação, porém, ainda precisa ser formalmente investigada e contextualizada pela Polícia Civil.

Para os familiares, o momento agora é de luto e de preocupação com a recuperação das crianças feridas.

O atendimento médico deverá continuar enquanto os profissionais acompanham a evolução dos ferimentos. A expectativa da família é de que os menores se recuperem e possam superar, com apoio, as consequências físicas e emocionais provocadas pela violência.

Investigação deverá esclarecer toda a sequência

O caso de Santa Cruz ainda possui questões que precisam ser respondidas pelas autoridades. A investigação deverá esclarecer exatamente como os disparos aconteceram, qual foi a sequência dos ataques e quais circunstâncias antecederam a fuga do suspeito.

Também deverá ser analisada a ocorrência registrada posteriormente no Santuário de Santa Rita de Cássia, incluindo o confronto com os policiais e a morte do homem.

A Polícia Militar informou que o agente atingido no antebraço passa bem.

Enquanto as investigações avançam, Santa Cruz permanece marcada por uma tragédia que interrompeu vidas e deixou crianças feridas. O episódio será acompanhado pelas autoridades responsáveis, que deverão reunir provas e depoimentos para esclarecer as circunstâncias do crime.

Mais do que os números de uma ocorrência policial, o caso representa uma perda profunda para familiares e pessoas próximas às vítimas. As respostas sobre o que aconteceu deverão vir por meio da investigação, da perícia e dos depoimentos que ainda serão reunidos.

A prioridade, neste momento, é garantir atendimento às crianças feridas, preservar as evidências e permitir que a Polícia Civil avance na apuração de uma ocorrência que abalou toda a comunidade de Santa Cruz.