Um homem de 51 anos, suspeito de envolvimento em uma trama atribuída a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar um promotor de Justiça de Campinas, foi preso nesta sexta-feira (25), durante a segunda fase da Operação Infiltrados. A ação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).
A prisão ocorreu em Campinas, no interior de São Paulo, e representa um novo avanço nas investigações iniciadas a partir de uma operação deflagrada em junho deste ano. O suspeito, cuja identidade não foi divulgada pelas autoridades, é investigado por suposta participação em um esquema que teria conexões com integrantes da organização criminosa e agentes públicos.
De acordo com as informações da investigação, o novo alvo teria sido identificado a partir da análise de documentos, celulares e computadores apreendidos durante a primeira etapa da Operação Infiltrados. O material teria revelado novas relações e movimentações consideradas relevantes pelos investigadores.
A operação tem como pano de fundo uma investigação mais ampla sobre suspeitas de infiltração de integrantes do crime organizado em estruturas públicas, além de possíveis casos de corrupção, vazamento de informações sigilosas e extorsão.
Suspeita surgiu após primeira fase da operação
A Operação Infiltrados foi deflagrada inicialmente em 9 de junho de 2026. Na ocasião, promotores do Gaeco, com apoio de forças policiais e das corregedorias, cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em Campinas e Cardoso.
A investigação teve origem em apurações anteriores, entre elas a Operação Pronta Resposta, que investigava uma organização criminosa apontada pelo Ministério Público como responsável por planejar um atentado contra a vida do promotor Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco de Campinas.
Segundo as investigações divulgadas pelo MPSP, um dos principais suspeitos de participar do plano teria se encontrado, aproximadamente uma semana antes da operação que desarticulou a suposta trama, com um então chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.
Vídeos encontrados durante as apurações registraram o encontro. A partir desse material, os investigadores passaram a analisar se informações consideradas sigilosas teriam sido repassadas ao grupo criminoso.
O policial foi preso na primeira fase da Operação Infiltrados, juntamente com outros investigados. As autoridades também passaram a examinar possíveis conexões financeiras e operacionais envolvendo pessoas que teriam participado do esquema.
Suspeito teria atuado no núcleo financeiro
Segundo a investigação, o homem preso nesta sexta-feira teria uma função ligada à movimentação de recursos atribuídos ao esquema. Os investigadores suspeitam que ele atuava como uma espécie de operador financeiro ligado ao então chefe dos investigadores preso na primeira fase.
Documentos apreendidos anteriormente teriam mostrado comprovantes de depósitos realizados em nome do novo investigado.
As movimentações analisadas pelos investigadores teriam ocorrido entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. De acordo com a apuração, os valores somariam quase R$ 500 mil, com depósitos individuais variando entre R$ 10 mil e R$ 51,7 mil.
Para os investigadores, a movimentação financeira chamou atenção porque, em uma análise preliminar, os valores não seriam compatíveis com os rendimentos declarados pelos envolvidos e com suas respectivas atividades profissionais.
É importante destacar que a existência dessas movimentações, por si só, não representa uma condenação. Os dados fazem parte do conjunto de elementos que estão sendo analisados pelo Ministério Público e deverão ser submetidos ao devido processo legal.
Celular teria sido usado para esconder comunicações
Além da suposta movimentação de recursos, o homem preso nesta sexta-feira também é investigado por ter fornecido um aparelho celular com chip habilitado que teria sido utilizado para dificultar o rastreamento de comunicações entre pessoas envolvidas nas tratativas investigadas.
A hipótese é de que o aparelho tenha sido utilizado como uma ferramenta para tentar preservar conversas relacionadas às atividades ilícitas sob investigação.
Durante o cumprimento dos mandados nesta sexta-feira, os agentes apreenderam dois celulares e um caderno com anotações fiscais. O material será analisado pelas autoridades e poderá ajudar a esclarecer a natureza das relações financeiras e dos contatos mantidos pelo investigado.
A análise dos dispositivos eletrônicos também poderá indicar novas conexões ou contribuir para confirmar ou descartar hipóteses levantadas durante a investigação.
Operação investiga possíveis infiltrações
A Operação Infiltrados não está restrita à suspeita de participação em um plano contra o promotor. Desde a primeira fase, o Ministério Público investiga diferentes frentes relacionadas à possível atuação de integrantes de organizações criminosas junto a agentes públicos.
Entre os pontos apurados estão suspeitas de corrupção, violação de sigilo funcional e extorsão.
Uma das linhas de investigação identificou também um ex-estagiário do próprio Ministério Público, que teria utilizado informações obtidas durante sua passagem pelo órgão para identificar integrantes de uma organização criminosa com elevado poder econômico.
Segundo o Gaeco, esse investigado teria utilizado sistemas e bancos de dados para obter informações e, posteriormente, participar de um esquema de extorsão. A investigação também apontou a possível participação de um policial penal e de um ex-policial civil.
A primeira fase da Operação Infiltrados cumpriu dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária em Campinas e Cardoso.
Investigação ainda está em andamento
Com a prisão realizada nesta sexta-feira, os investigadores passam a analisar o novo conjunto de provas apreendido em Campinas. Celulares, documentos e anotações poderão ser submetidos a perícia para identificar contatos, transferências financeiras, registros de comunicação e outras informações consideradas relevantes.
A expectativa dos investigadores é entender com maior precisão como funcionava a estrutura investigada e qual teria sido a participação individual de cada suspeito.
O Ministério Público informou que os fatos continuam sob apuração pelo Gaeco e que novas pessoas poderão ser identificadas caso surjam elementos que indiquem participação no esquema.
A própria dinâmica da investigação demonstra que o caso vem sendo ampliado a partir da análise de materiais apreendidos em fases anteriores. Foi justamente a partir desses documentos e dispositivos eletrônicos que os investigadores chegaram ao homem preso nesta sexta-feira.
Proteção às instituições públicas
O caso também chama atenção para os desafios enfrentados pelas instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado, especialmente diante da suspeita de que informações sigilosas possam ter sido acessadas ou compartilhadas de maneira irregular.
A investigação conduzida pelo MPSP busca esclarecer se houve efetivamente uma atuação coordenada entre criminosos e agentes públicos e quais seriam os benefícios obtidos pelos envolvidos.
Em junho, o Gaeco afirmou que a atuação conjunta das forças de segurança e das corregedorias tinha como objetivo investigar e identificar eventuais desvios dentro das próprias estruturas públicas.
O avanço da Operação Infiltrados mostra que a apuração permanece aberta e que novos elementos continuam sendo incorporados ao processo.
Por enquanto, o homem preso nesta sexta-feira permanece na condição de investigado. Sua eventual responsabilidade criminal dependerá da conclusão das investigações e das decisões tomadas pela Justiça.
As autoridades também continuam trabalhando para identificar outros possíveis integrantes do grupo e esclarecer todas as circunstâncias relacionadas à suposta trama contra o promotor Amauri Silveira Filho.
O caso deverá ter novos desdobramentos à medida que os materiais apreendidos sejam periciados e os investigadores avancem na reconstrução das relações financeiras e operacionais que estão no centro da Operação Infiltrados.













