O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (12), a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, ao afirmar que o comando da Justiça Eleitoral precisa manter uma postura de imparcialidade diante da disputa presidencial de 2026. A declaração foi feita após uma decisão judicial que determinou a retirada do canal de WhatsApp “Exército do Lula” do ar, atendendo a um pedido apresentado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A manifestação do presidente ocorreu depois de sua participação em uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, no Palácio da Alvorada. Ao comentar a decisão, Lula questionou os fundamentos jurídicos utilizados para determinar a suspensão do canal e defendeu que medidas dessa natureza sejam justificadas com base em possíveis irregularidades.
“Para ele [Nunes Marques] achar que ele tem que cortar [o canal de WhatsApp], tem que mostrar qual a ilegalidade que tem”, declarou o presidente.
Na sequência, Lula afirmou que o responsável pela condução da Justiça Eleitoral não deve demonstrar alinhamento político com nenhum dos lados envolvidos na eleição. Segundo ele, a atuação da Corte precisa assegurar igualdade de tratamento e de procedimentos entre os candidatos.
A declaração acrescenta um novo capítulo à disputa entre as campanhas presidenciais e ocorre em um momento de atenção redobrada sobre as decisões judiciais relacionadas à propaganda eleitoral e à circulação de conteúdos nas redes sociais.
Lula questiona decisões da Justiça Eleitoral
Durante a conversa com jornalistas, Lula afirmou considerar que algumas decisões da Justiça Eleitoral estariam ultrapassando os limites esperados no tratamento de sua campanha. O presidente não se limitou a criticar a suspensão do canal de WhatsApp e indicou que pretende ampliar a presença de apoiadores em plataformas de comunicação digital.
“Acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha, isso é visível e já foi denunciado”, afirmou.
Em tom de ironia, Lula também declarou que não pretende criar apenas o “Exército do Lula” no WhatsApp, mas ampliar a iniciativa para outras denominações.
“Eu não vou criar só o Exército do Lula, eu vou criar o Exército, a marinha, a aeronáutica do Lula no WhatsApp”, disse.
A declaração faz referência à utilização de canais digitais como instrumentos de comunicação política. Aplicativos de mensagens se tornaram espaços relevantes para a divulgação de propostas, mobilização de apoiadores e circulação de informações durante campanhas eleitorais.
Ao mesmo tempo, o uso dessas ferramentas pode gerar questionamentos sobre propaganda irregular, desinformação, financiamento de estruturas digitais e respeito às regras eleitorais. Cabe à Justiça Eleitoral avaliar as situações submetidas à sua análise, observando a legislação e os direitos envolvidos.
A controvérsia sobre o canal pró-Lula deverá ser examinada dentro desse contexto, considerando os argumentos apresentados pelas partes e os fundamentos das decisões judiciais.
Decisão sobre canal de WhatsApp provoca divergência no TSE
O episódio ganhou relevância porque a determinação de suspensão do canal “Exército do Lula”, assinada por Nunes Marques, ocorreu em meio a movimentações processuais envolvendo outro integrante do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, Cueva havia estabelecido um prazo para que as partes apresentassem informações adicionais antes de uma definição sobre a controvérsia. Posteriormente, Nunes Marques determinou a retirada do canal do ar após acolher o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
A sequência das decisões provocou questionamentos sobre a condução processual do caso e sobre o momento adequado para a adoção de uma medida que interfere no funcionamento de um canal utilizado para comunicação política.
Em seguida, Cueva determinou o restabelecimento do canal e solicitou que a questão fosse submetida imediatamente ao plenário do TSE, na primeira sessão virtual disponível. O ministro também pediu uma análise urgente, preferencialmente em até 24 horas.
A divergência evidencia a existência de entendimentos distintos sobre a condução do processo e a necessidade de uma definição colegiada. No funcionamento dos tribunais, decisões individuais de ministros podem ser submetidas à análise dos demais integrantes, conforme as regras processuais aplicáveis.
A avaliação do plenário poderá esclarecer os fundamentos jurídicos da controvérsia e estabelecer os próximos passos para o canal.
Até que haja uma definição, é importante distinguir as críticas políticas feitas pelos candidatos das decisões formais adotadas pelos ministros no exercício de suas funções judiciais.
Campanhas devem se reunir com presidente do TSE
Em meio ao aumento das tensões, Kassio Nunes Marques deverá se reunir nesta terça-feira (13) com representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. A reunião tem como objetivo buscar uma interlocução entre os grupos políticos às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O encontro ocorre em um momento no qual decisões sobre propaganda, canais digitais e limites da atuação das campanhas podem influenciar o debate eleitoral.
A iniciativa também representa uma oportunidade para que os representantes apresentem suas preocupações diretamente à presidência do tribunal e discutam os procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral.
A expectativa é que o diálogo contribua para esclarecer questionamentos e reduzir as tensões entre os grupos envolvidos. Entretanto, eventuais entendimentos políticos não substituem as decisões judiciais necessárias para resolver o processo sobre o canal de WhatsApp.
O TSE tem a responsabilidade de aplicar as regras eleitorais e garantir que a disputa ocorra dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira. Essa atuação exige atenção tanto à igualdade entre os candidatos quanto à proteção dos direitos relacionados à comunicação e à participação política.
Imparcialidade e liberdade de expressão entram no centro do debate
A discussão levantada por Lula envolve dois temas importantes para o processo democrático: a imparcialidade da Justiça Eleitoral e os limites da comunicação política durante uma campanha.
A igualdade de tratamento significa que candidatos e partidos devem ser submetidos a critérios jurídicos consistentes. Isso não impede que decisões diferentes sejam adotadas em casos distintos, desde que exista fundamentação legal adequada e que as particularidades de cada situação sejam consideradas.
Por outro lado, medidas que restringem canais de comunicação política precisam observar os requisitos previstos na legislação, levando em conta os direitos envolvidos e a necessidade da intervenção judicial.
A atuação da Justiça Eleitoral também está sujeita aos mecanismos de revisão previstos no ordenamento jurídico, que permitem a análise de decisões e a solução de eventuais divergências entre magistrados.
No caso do “Exército do Lula”, o debate deverá avançar a partir da avaliação dos argumentos apresentados pelas campanhas e dos fundamentos das decisões já proferidas.
A declaração do presidente amplia a repercussão política do episódio, mas não determina, por si só, o resultado do processo judicial.
Disputa eleitoral segue marcada por questionamentos jurídicos
O caso demonstra como a atuação da Justiça Eleitoral pode se tornar um dos principais temas do debate político durante uma eleição presidencial. Com as campanhas disputando apoio e espaço nas plataformas digitais, decisões relacionadas à propaganda e à circulação de conteúdo passam a receber atenção dos candidatos, dos partidos e da sociedade.
A resolução da controvérsia dependerá da análise jurídica do processo e das decisões que vierem a ser tomadas pelo tribunal.
Enquanto isso, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro seguem envolvidas em uma disputa que ultrapassa as propostas políticas e alcança também a interpretação das regras eleitorais.
O JRT News continuará acompanhando os desdobramentos do caso, incluindo a reunião prevista entre as campanhas e o presidente do TSE e a decisão do plenário sobre o futuro do canal “Exército do Lula”.












