O Pix ultrapassou a marca de 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil em setembro de 2026, consolidando ainda mais a presença do sistema de pagamentos instantâneos na rotina financeira de milhões de brasileiros. De acordo com dados do Banco Central (BC), o sistema contabilizava 1,008 bilhão de registros no dia 30 de setembro, diante de aproximadamente 998 milhões em agosto.
O resultado representa um crescimento expressivo desde o fim de 2025, quando havia cerca de 920 milhões de chaves cadastradas. Em menos de um ano, foram adicionados aproximadamente 88 milhões de registros, demonstrando a expansão contínua de uma ferramenta utilizada para transferências, pagamentos e recebimento de valores.
O avanço confirma a importância do Pix para a movimentação de dinheiro no país. Disponível para pessoas físicas e empresas, o sistema permite realizar operações em poucos segundos, inclusive fora do horário comercial, reduzindo a dependência de métodos tradicionais de transferência.
Apesar do número expressivo, é importante destacar que a quantidade de chaves não corresponde ao total de usuários. Uma mesma pessoa pode cadastrar diferentes identificadores, como CPF, número de celular, endereço de e-mail e chaves aleatórias, desde que respeite os limites estabelecidos pelas regras do sistema.
Mais de 1 bilhão de chaves não significa 1 bilhão de usuários
Segundo os dados divulgados pelo Banco Central, o Pix reúne aproximadamente 170 milhões de clientes, considerando pessoas físicas e jurídicas. Como muitos usuários possuem mais de uma chave cadastrada, o total de registros é significativamente superior ao número de clientes.
Considerando os números aproximados, a média fica próxima de seis chaves por cliente. Esse cálculo, entretanto, deve ser interpretado com cautela, pois a distribuição não é uniforme: há pessoas que utilizam apenas uma chave, enquanto outras mantêm vários identificadores associados às suas contas.
Do total registrado em setembro, 956,7 milhões de chaves estavam vinculadas a pessoas físicas, enquanto 51,2 milhões pertenciam a empresas.
A diferença demonstra que o sistema está amplamente presente nas transações de consumidores, mas também desempenha um papel importante para comerciantes, prestadores de serviços, profissionais autônomos e empresas de diferentes tamanhos.
Para pequenos negócios, por exemplo, o Pix pode facilitar o recebimento de pagamentos sem a necessidade de depender exclusivamente de dinheiro em espécie ou cartões. Para consumidores, oferece uma alternativa rápida para pagar compras, dividir despesas, transferir valores e realizar pagamentos cotidianos.
Chaves aleatórias lideram os cadastros
Um dos destaques dos números apresentados pelo Banco Central é a preferência pelas chaves aleatórias, que representam mais da metade dos registros existentes.
Esse tipo de identificador permite que uma pessoa receba dinheiro sem precisar informar diretamente dados como CPF, telefone ou endereço de e-mail ao pagador. A chave é gerada pela instituição financeira e vinculada à conta escolhida pelo usuário.
Confira a distribuição das chaves Pix em setembro:
- Chaves aleatórias: 526,8 milhões, equivalentes a 52,3% do total;
- Números de celular: 166,3 milhões, ou 16,5%;
- CPF: 153,9 milhões, correspondentes a 15,4%;
- Endereços de e-mail: 144,6 milhões, representando 14,3%.
Os números mostram que a modalidade aleatória se tornou a principal opção entre os identificadores cadastrados. Uma possível vantagem desse formato é a possibilidade de compartilhar uma chave específica para receber pagamentos sem expor diretamente informações pessoais usadas em outros contextos.
Ainda assim, a utilização de uma chave aleatória não elimina todos os riscos de fraude. O usuário continua precisando conferir os dados apresentados antes de autorizar uma transferência, principalmente quando recebe uma solicitação de pagamento de alguém desconhecido.
Como funcionam as chaves Pix
As chaves Pix são identificadores associados a uma conta bancária ou de pagamento. Elas facilitam as transferências porque permitem localizar a conta de destino sem que o pagador precise informar todos os dados bancários do recebedor.
Entre as opções disponíveis estão o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), o número de celular, o endereço de e-mail e a chave aleatória.
O cadastro e o gerenciamento são feitos pelos canais digitais da instituição financeira, como aplicativos e serviços de internet banking. O usuário pode consultar as chaves registradas, cadastrar novos identificadores dentro dos limites permitidos e solicitar alterações conforme as regras aplicáveis.
Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, enquanto empresas podem registrar até 20. Cada chave, entretanto, só pode estar vinculada a uma conta por vez.
Isso significa que um mesmo CPF ou número de telefone não pode identificar simultaneamente diferentes contas como chave Pix. Quando o usuário deseja transferir uma chave para outra instituição ou conta, precisa seguir o procedimento previsto pelo sistema.
Também é importante lembrar que cadastrar uma chave não é obrigatório para utilizar o Pix. As transferências podem ser realizadas por outros meios disponíveis, como o preenchimento dos dados bancários do destinatário ou a leitura de um Código QR.
Essa flexibilidade permite que o sistema atenda a diferentes perfis de usuários, desde pessoas que preferem utilizar o CPF como identificador até consumidores que optam por chaves aleatórias ou pagamentos por QR Code.
Pix movimentou R$ 3,2 trilhões em setembro
A expansão das chaves acompanha o volume de operações realizadas diariamente. Em setembro de 2026, foram processadas 7,1 bilhões de transações pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), do Banco Central, movimentando aproximadamente R$ 3,2 trilhões, segundo os números apresentados.
O SPI é a infraestrutura responsável por processar e liquidar transferências entre diferentes instituições financeiras participantes em tempo real. Quando a operação ocorre entre clientes da mesma instituição, a liquidação pode ser realizada internamente, sem passar diretamente pelo sistema do Banco Central.
A rapidez das transferências é um dos fatores que ajudam a explicar a popularidade do Pix. Em muitos casos, o dinheiro fica disponível para o destinatário poucos segundos depois da confirmação da operação.
O sistema também está presente em situações variadas, como pagamentos em estabelecimentos comerciais, compras pela internet, transferências entre familiares, recebimentos de profissionais autônomos e transações entre empresas.
Para o comércio, a possibilidade de receber pagamentos de maneira rápida pode contribuir para melhorar o fluxo de caixa e simplificar as cobranças. Para os consumidores, a praticidade facilita a realização de operações sem a necessidade de sacar dinheiro ou recorrer a outros meios de pagamento.
O volume financeiro movimentado, contudo, não deve ser confundido com o faturamento do setor bancário ou com o valor da produção econômica do país. Ele representa a soma das transações processadas no período e pode incluir diferentes tipos de pagamentos e transferências.
Segurança continua sendo uma preocupação
Mesmo com a expansão do Pix, a segurança permanece entre os principais cuidados necessários para utilizar o sistema. A rapidez das operações também exige atenção, pois uma transferência autorizada pelo usuário pode ser difícil de reverter quando o dinheiro é enviado para a pessoa errada ou recebido por alguém envolvido em uma fraude.
O Banco Central informou, em novembro de 2025, que estudava mecanismos para permitir o bloqueio da criação de novas chaves não autorizadas, como medida adicional de prevenção a fraudes.
A iniciativa mencionada está relacionada à necessidade de fortalecer os mecanismos de controle dos cadastros e dificultar a utilização indevida de informações por criminosos. A implementação de medidas desse tipo depende das regras e dos procedimentos definidos pelas autoridades competentes.
Além das ferramentas de segurança oferecidas pelas instituições financeiras, os próprios usuários podem adotar cuidados simples para reduzir riscos.
Antes de confirmar uma transferência, é recomendável conferir o nome do destinatário e verificar se os dados correspondem à pessoa ou empresa que deveria receber o dinheiro. Em compras pela internet, é importante desconfiar de pedidos de pagamento feitos com urgência excessiva e confirmar a legitimidade do vendedor.
Também é necessário evitar compartilhar senhas, códigos de autenticação e informações bancárias com desconhecidos. Instituições financeiras não precisam que o cliente informe sua senha para receber uma transferência.
Sistema se consolida na rotina dos brasileiros
A marca de 1 bilhão de chaves cadastradas representa um novo marco na expansão do Pix no Brasil. Os números de setembro mostram não apenas a quantidade de identificadores registrados, mas também a dimensão das operações realizadas por meio da infraestrutura de pagamentos instantâneos.
Com 7,1 bilhões de transações e cerca de R$ 3,2 trilhões movimentados no mês, o sistema mantém uma presença significativa nas relações financeiras entre consumidores, empresas e prestadores de serviços.
O crescimento também reforça a importância de aprimorar continuamente os mecanismos de segurança, ampliar a orientação aos usuários e garantir que a praticidade das operações seja acompanhada por medidas de proteção.
À medida que o Pix se torna parte cada vez mais frequente da vida financeira dos brasileiros, conhecer o funcionamento das chaves, entender os limites de cada modalidade e conferir os dados antes de transferir dinheiro são atitudes essenciais para aproveitar os benefícios do sistema com mais segurança.













