Pesquisa identificou alterações elétricas no coração após exposição a substâncias refrescantes usadas em vapes
Um estudo publicado nesta segunda-feira (15) na revista científica Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology, da American Heart Association, acendeu um novo alerta sobre os riscos associados ao uso de cigarros eletrônicos. Segundo os pesquisadores, ingredientes utilizados para proporcionar sensação de frescor durante a vaporização podem interferir no funcionamento elétrico do coração.
A pesquisa analisou três substâncias amplamente encontradas em vapes: o mentol e os agentes refrescantes sintéticos conhecidos como WS-3 e WS-23. Os resultados indicaram que esses compostos provocaram alterações nos batimentos cardíacos em testes realizados com camundongos e também em células cardíacas humanas cultivadas em laboratório.
Além da nicotina, muitos cigarros eletrônicos contêm ingredientes responsáveis pela sensação gelada na boca e nas vias respiratórias. Esses componentes são utilizados para tornar a experiência de uso mais agradável e suave. Nos últimos anos, substâncias sintéticas como WS-3 e WS-23 ganharam espaço no mercado como alternativas ao mentol tradicional.
Durante o estudo, os cientistas expuseram camundongos ao aerossol produzido pelos cigarros eletrônicos contendo nicotina e solventes, com e sem a presença dos agentes refrescantes. Os pesquisadores monitoraram a frequência cardíaca, o controle do ritmo do coração e a ocorrência de batimentos prematuros.
Em uma segunda etapa, células cardíacas humanas foram submetidas aos mesmos compostos para avaliar possíveis alterações na atividade elétrica do órgão. Os resultados mostraram que todas as substâncias testadas provocaram mudanças em indicadores relacionados ao funcionamento cardíaco.
O efeito mais significativo foi observado com o WS-23. De acordo com os autores, o composto aumentou a ocorrência de batimentos prematuros em comparação aos grupos expostos apenas à nicotina e aos solventes. Nas células humanas, as alterações foram mais evidentes quando os cientistas simularam situações de estresse biológico semelhantes às respostas naturais do organismo em momentos de alerta.
Apesar dos resultados preocupantes, os pesquisadores ressaltam que o estudo foi realizado em modelos experimentais e não envolveu usuários de cigarros eletrônicos. Por isso, não é possível afirmar que pessoas que utilizam vapes desenvolverão arritmias cardíacas.
Os autores explicam que os achados ajudam a compreender melhor como determinados componentes presentes nos cigarros eletrônicos podem impactar o sistema cardiovascular. Eles defendem a realização de novos estudos em seres humanos para confirmar se os efeitos observados em laboratório também ocorrem em usuários dos produtos.
Riscos já conhecidos do uso prolongado de cigarros eletrônicos
Especialistas alertam que o consumo frequente de vapes já está associado a diversos problemas de saúde, entre eles:
- Doenças pulmonares crônicas, como bronquite, enfisema, DPOC e fibrose pulmonar;
- Aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca;
- Maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
- Dependência da nicotina e alterações neurológicas;
- Ansiedade, irritabilidade e prejuízos ao desenvolvimento cerebral em jovens;
- Maior exposição a substâncias potencialmente cancerígenas;
- Lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos (EVALI), que pode deixar sequelas permanentes.
O novo estudo reforça a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os efeitos dos cigarros eletrônicos na saúde e contribui para o debate sobre os possíveis riscos relacionados aos ingredientes utilizados nesses produtos.













