Polícia investiga ligação do PCC com ataque a bancos em Santa Rita, no Paraguai. Testemunhas relataram que suspeitos falaram português

As autoridades paraguaias intensificaram as investigações sobre um mega-assalto registrado na madrugada desta terça-feira (16) em Santa Rita, cidade localizada no departamento de Alto Paraná, próximo à fronteira com o Brasil. A principal linha de apuração aponta para a possível participação de brasileiros e integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na ação que teve como alvo três bancos e uma casa de câmbio.

Segundo informações divulgadas pela polícia paraguaia, a suspeita ganhou força após testemunhas relatarem que integrantes do grupo criminoso se comunicavam em português durante o ataque. A ação foi executada por uma quadrilha fortemente armada, que utilizou explosivos para destruir estruturas bancárias e facilitar o acesso ao dinheiro.

De acordo com o chefe do Comando Tripartite, Carlos Alberto Dures Rios, há indícios de uma atuação conjunta entre brasileiros e paraguaios.

“São pessoas que atuam no Paraguai, brasileiros junto com paraguaios para realizar esse tipo de ação. Alguns vivem no Paraguai”, afirmou o policial.

O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, também destacou que o modo de operação dos criminosos apresenta características semelhantes às ações frequentemente atribuídas ao PCC. Entre os elementos observados estão o uso de explosivos, o bloqueio de rotas estratégicas para dificultar a chegada das forças de segurança, a queima de veículos durante a fuga e a participação de aproximadamente 15 a 20 homens armados.

“O comandante me disse que esse é o estilo de trabalho do PCC. Eles incendiaram dois veículos durante a fuga e havia aproximadamente de 15 a 20 pessoas envolvidas”, declarou o ministro em entrevista à rádio Monumental 1080 AM.

Riera lembrou ainda de um assalto ocorrido anteriormente na cidade de Naranjal, também no Alto Paraná, onde criminosos utilizaram explosivos para destruir o cofre de uma instituição financeira. Segundo ele, as semelhanças entre os casos reforçam a hipótese de ligação entre os grupos envolvidos.

O ataque aconteceu por volta das 2h da manhã e teve como alvos as agências dos bancos Familiar, GNB e Ueno, além da Casa de Câmbio Santa Rita. Durante a ação, policiais, funcionários e vigilantes foram rendidos pelos criminosos, que conseguiram fugir antes da chegada do reforço policial.

Até o momento, as autoridades não divulgaram o valor levado pelos assaltantes. Dois paraguaios suspeitos de participação no crime já foram identificados, mas ninguém havia sido preso até a última atualização do caso.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Nacional e do Ministério Público do Paraguai, que trabalham para identificar todos os envolvidos e esclarecer a possível participação de organizações criminosas transnacionais no ataque.

O caso volta a acender o alerta sobre a atuação de grupos criminosos na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, considerada estratégica para diversas atividades ilícitas e constantemente monitorada pelas forças de segurança dos dois países.