O presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, anunciou a criação de um grupo de especialistas independentes para revisar áreas estratégicas da instituição e avaliar os desafios econômicos que deverão impactar o futuro da maior economia do mundo.

Entre os 15 nomes escolhidos para participar da iniciativa está o economista brasileiro Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil e uma das referências internacionais em política monetária e mercados financeiros.

A criação das forças-tarefa foi anunciada após a primeira reunião de política monetária liderada por Warsh, realizada nos dias 16 e 17 de junho. O objetivo é reunir especialistas de diferentes áreas para analisar o funcionamento do Fed e propor melhorias em suas estratégias e ferramentas de atuação.

Revisão ampla da atuação do banco central

Segundo comunicado divulgado pelo Federal Reserve, os grupos terão autonomia para conduzir análises e apresentar recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), órgão responsável por definir a política de juros nos Estados Unidos.

Os especialistas serão apoiados pela equipe técnica do Fed, mas atuarão de forma independente.

“O objetivo é claro: garantir que o Fed esteja na melhor posição possível para alcançar nossos objetivos neste momento decisivo”, afirmou Kevin Warsh.

Entre os temas que serão analisados estão questões tradicionais da política monetária, como a gestão do balanço patrimonial da instituição, além de desafios mais recentes, incluindo os impactos da inteligência artificial sobre a economia, a produtividade e o mercado de trabalho.

Armínio Fraga representa o Brasil no grupo

A presença de Armínio Fraga chama atenção por reforçar a participação brasileira em debates econômicos de alcance global.

Com uma trajetória consolidada no setor financeiro e na formulação de políticas econômicas, Fraga presidiu o Banco Central do Brasil entre 1999 e 2002 e é reconhecido internacionalmente por sua atuação em temas relacionados à estabilidade monetária e ao combate à inflação.

Sua participação no grupo reforça o reconhecimento da experiência brasileira em assuntos ligados à política monetária e ao sistema financeiro internacional.

Especialistas de renome mundial

Além de Armínio Fraga, o grupo reúne economistas, acadêmicos e especialistas do setor privado de diferentes países.

Entre os participantes estão ex-presidentes dos bancos centrais da Inglaterra e da Índia, além do economista Thomas Sargent, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, que participará das discussões sobre inflação.

Também integram a iniciativa o professor Raj Chetty, da Universidade Harvard, responsável pelos debates sobre dados econômicos, o investidor de tecnologia Marc Andreessen, que atuará nas discussões sobre produtividade e mercado de trabalho, e o economista Greg Mankiw, ex-assessor econômico da Casa Branca, que coordenará estudos relacionados à inflação.

Inteligência artificial e economia no centro do debate

Uma das novidades da revisão promovida por Warsh é a inclusão dos impactos da inteligência artificial entre os temas prioritários.

O presidente do Fed tem defendido que as autoridades monetárias acompanhem com mais rapidez as transformações tecnológicas que podem alterar significativamente a produtividade das empresas, a geração de empregos e o crescimento econômico nos próximos anos.

Segundo Warsh, a economia americana mudou profundamente nas últimas décadas e atravessa um momento de transformação acelerada.

“A economia dos Estados Unidos mudou significativamente ao longo da última geração, e nunca tanto quanto agora”, destacou.

Recomendações devem ser entregues ainda este ano

O Federal Reserve ainda não divulgou detalhes sobre o funcionamento das forças-tarefa nem um cronograma oficial de trabalho. No entanto, Kevin Warsh afirmou esperar receber as recomendações dos grupos até o final deste ano.

Os relatórios servirão de base para futuras decisões da instituição e poderão influenciar a forma como o banco central americano conduz temas como juros, inflação, crescimento econômico e inovação tecnológica.

Embora eventuais mudanças dependam da aprovação dos dirigentes do Fed e de consenso interno, a iniciativa é vista como um importante movimento de modernização e adaptação da instituição aos desafios econômicos do século XXI.