Uma mulher de 38 anos morreu na manhã desta quinta-feira (9) após passar 25 dias internada em estado grave no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Caroline Pinto dos Santos sofreu queimaduras em aproximadamente 65% do corpo durante uma cerimônia religiosa realizada em um terreiro de candomblé no bairro de Realengo.
O caso aconteceu no mês passado e ganhou repercussão após a divulgação de imagens que registraram o momento do acidente. No vídeo, Caroline aparece agachada próximo a imagens religiosas quando um homem se aproxima de uma cumbuca que continha fogo e acrescenta um líquido inflamável. Instantes depois, as chamas se espalham rapidamente e atingem a vítima.
As imagens mostram o desespero das pessoas que participavam da cerimônia. Fiéis correm pelo local enquanto tentam buscar água para conter o incêndio e socorrer Caroline.
Apesar dos esforços médicos, a mulher não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu após quase um mês de internação.
Caroline deixa três filhas. Nas redes sociais, familiares e amigos prestaram homenagens emocionadas. Uma das filhas publicou uma mensagem de despedida que comoveu internautas: “Mãe, você sempre será minha saudade eterna”.
A família cobra esclarecimentos sobre o ocorrido e pede justiça. Em entrevista à imprensa, a irmã da vítima afirmou que o responsável pelo terreiro alegou não ter conhecimento sobre o uso de combustível durante a cerimônia.
“Eu quero justiça pela minha irmã. Os culpados sumiram. O zelador do terreiro disse que não sabia de nada. Como que acontece algo e ele não sabe de nada sendo que estava presente?”, questionou.
Segundo os familiares, o homem que teria adicionado o combustível ao fogo é marido da responsável religiosa que conduzia o ritual. De acordo com relatos da família, ambos não foram mais localizados após o acidente.
A mulher, identificada como yalorixá, publicou uma nota de esclarecimento em suas redes sociais antes de desativar os perfis. No comunicado, ela afirmou que o ritual realizado naquele dia possuía caráter particular e foi conduzido exclusivamente por ela e seu esposo.
Ainda segundo a nota, o babalorixá responsável pelo terreiro não teria participação no uso de combustível nem seria responsável pela orientação religiosa de Caroline.
A yalorixá classificou o episódio como um “acidente de natureza inesperada e imprevisível” e lamentou profundamente a tragédia.
O caso foi registrado na 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande) e está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. As autoridades deverão apurar as circunstâncias do acidente, possíveis responsabilidades e se houve negligência durante a realização do ritual.
Enquanto as investigações seguem, familiares e amigos se despedem de Caroline Pinto dos Santos, cuja morte gerou comoção e reacendeu o debate sobre medidas de segurança em cerimônias que envolvem o uso de fogo e materiais inflamáveis.
















