O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta quinta-feira (23) as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolvendo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Em nota, a administração americana afirmou que os Estados Unidos mantêm interesse na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em diversos países, incluindo o Brasil.

A manifestação ocorreu após um discurso de Lula realizado na última segunda-feira (20), durante a convenção nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), em Brasília. Na ocasião, o presidente afirmou que, caso Marco Rubio queira apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, “que venha, que monte um comitê”, acrescentando que seu grupo político irá “derrotar todos em nome da defesa da democracia”.

Em resposta, a Casa Branca declarou:

“Em termos gerais, os Estados Unidos têm um interesse histórico e global na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em todo o mundo, inclusive no Brasil.”

A família Bolsonaro mantém proximidade política com Marco Rubio, atual chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência, já fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro e às urnas eletrônicas, alegações que foram rejeitadas e desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula reforça discurso em defesa da democracia

Durante a convenção do PDT, que oficializou apoio à sua pré-candidatura à reeleição, Lula afirmou que pretende derrotar seus adversários nas urnas e voltou a defender o sistema democrático brasileiro.

Sem citar nomes diretamente, o presidente também criticou brasileiros que, segundo ele, buscam apoio internacional para pressionar o país.

“Hoje temos não um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para os EUA impor punição ao Brasil”, afirmou.

Lula também declarou que está convidando observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras e reforçou que considera fundamental impedir o retorno do que classificou como “negacionismo” e “fascismo” ao comando do país.

Clima político

O episódio amplia a troca de declarações entre integrantes do governo brasileiro e autoridades norte-americanas, especialmente Marco Rubio, que já protagonizou outros embates verbais com o presidente Lula.

A repercussão ocorre em meio ao início da movimentação para as eleições presidenciais, elevando o tom do debate político tanto no cenário nacional quanto nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.