A investigação sobre a morte de Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrada em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, ganhou um novo desdobramento. O adolescente de 17 anos apontado como principal suspeito passou por exame de corpo de delito para estimativa de idade, mas o resultado foi inconclusivo, informou o Instituto de Polícia Científica (IPC).
O crime ocorreu na última sexta-feira (24). O suspeito se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na segunda-feira (27), na Delegacia de Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado de seu advogado. No dia seguinte, ele foi transferido para João Pessoa, onde passou pelos exames periciais.
Exame não confirmou idade do suspeito
Segundo o perito médico Flávio Fabres, do Instituto de Polícia Científica (IPC), a análise realizada para estimar a idade biológica do adolescente não permitiu uma conclusão definitiva.
O procedimento utilizou a avaliação da erupção dos terceiros molares, conhecidos como dentes sisos, mas a ausência de elementos suficientes impossibilitou uma definição precisa.
Com isso, o investigado continua sendo tratado como adolescente, e o caso permanece sob responsabilidade da Delegacia da Infância e da Juventude. Outros documentos e elementos deverão ser analisados para confirmar oficialmente sua idade.
Histórico de atos infracionais
Durante coletiva de imprensa, o superintendente da Polícia Civil da Paraíba, delegado Cristiano Santana, informou que o adolescente possui 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte por atos infracionais análogos a diversos crimes.
Entre eles estão:
- Furto qualificado;
- Extorsão;
- Lesão corporal no contexto de violência doméstica;
- Ameaça;
- Perseguição.
Ainda segundo a Polícia Civil, o jovem já cumpriu medida de internação em uma unidade socioeducativa no estado vizinho.
Delegado aponta contradições no depoimento
O delegado Paulo Nilo, responsável pela oitiva do suspeito em Caicó, afirmou que o adolescente apresentou boa capacidade de comunicação durante o interrogatório, mas entrou em contradição em alguns momentos.
Segundo o delegado, essas inconsistências serão consideradas ao longo da investigação para esclarecer todos os detalhes do caso.
Suspeito confessou o crime, afirma defesa
De acordo com o advogado Ariolan Fernandes, o adolescente confessou ter matado Washington Rodrigo por estrangulamento utilizando um fio.
Ainda conforme a defesa, o suspeito relatou que conheceu a vítima pelas redes sociais e viajou do Rio Grande do Norte até João Pessoa exclusivamente para encontrá-la.
O advogado afirmou que o encontro ocorreu em um contexto íntimo e que a vítima teria sido algemada de forma consensual. Em depoimento, o adolescente disse ter se sentido ameaçado ao acreditar que Washington poderia revelar o relacionamento entre os dois. Segundo sua versão, ele tentou apenas fazer a vítima desmaiar, mas acabou provocando sua morte.
As declarações apresentadas pela defesa fazem parte da versão do investigado e seguem sendo analisadas pela Polícia Civil.
Crime aconteceu em hotel de João Pessoa
Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto por uma camareira dentro de um quarto de hotel em Manaíra.
A vítima estava com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca, cenário que levou a Polícia Civil a iniciar imediatamente uma investigação por homicídio.
As apurações apontam que o adolescente utilizou documentação falsa para se hospedar no estabelecimento e que o encontro entre os dois havia sido combinado previamente por meio das redes sociais.
Investigação continua
A Polícia Civil segue reunindo provas para esclarecer todas as circunstâncias do homicídio e concluir o inquérito.
A análise da documentação do suspeito, dos laudos periciais, das imagens de câmeras de segurança e dos depoimentos prestados deverá auxiliar os investigadores na reconstrução dos fatos e na definição das medidas judiciais cabíveis.
Enquanto o caso segue sob investigação, a morte de Washington Rodrigo continua causando forte repercussão na Paraíba e reforça a importância de uma apuração criteriosa para que todas as circunstâncias do crime sejam esclarecidas.















