A fortuna de Jensen Huang, cofundador e presidente-executivo da Nvidia, ultrapassou a marca de US$ 200 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 1 trilhão em conversão direta. O avanço ocorreu nesta sexta-feira (2), após as ações da empresa atingirem uma nova máxima histórica na Bolsa de Valores dos Estados Unidos, impulsionadas pelo forte interesse dos investidores no crescimento do mercado de inteligência artificial (IA).

Com a valorização dos papéis, Huang passou a ocupar a sétima posição entre as pessoas mais ricas do mundo, segundo estimativas da Forbes. O patrimônio do executivo está diretamente ligado à participação que ele mantém na Nvidia, companhia que se tornou uma das principais protagonistas da atual corrida tecnológica envolvendo inteligência artificial, computação de alto desempenho e infraestrutura para data centers.

O movimento também levou o valor de mercado da Nvidia para próximo de US$ 6 trilhões, aproximadamente R$ 31,4 trilhões na conversão direta. O resultado reforça a dimensão alcançada pela empresa nos últimos anos e mostra como a expansão da inteligência artificial passou a influenciar não apenas o setor de tecnologia, mas também os mercados financeiros globais.

Nvidia se beneficia da expansão da inteligência artificial

A Nvidia ocupa uma posição central na atual transformação tecnológica porque seus processadores são utilizados em sistemas capazes de treinar e executar modelos avançados de inteligência artificial. Esse tipo de tecnologia exige enorme capacidade de processamento, principalmente para trabalhar com grandes volumes de dados e desenvolver sistemas capazes de gerar textos, imagens, vídeos, códigos e outras informações.

Entre os principais clientes da empresa estão algumas das maiores companhias de tecnologia do mundo, como Microsoft, Google, Amazon, Meta e Spotify. A demanda desses grupos por infraestrutura computacional ajudou a transformar a Nvidia em uma das empresas mais valiosas do planeta.

Segundo estimativas citadas pela Reuters, a Nvidia controla cerca de 80% do mercado de chips de inteligência artificial de ponta. Essa posição permite que a companhia tenha um papel estratégico na expansão dos chamados data centers, estruturas que concentram milhares de processadores para atender às necessidades de sistemas de IA.

O crescimento da empresa também tem sido acompanhado de resultados financeiros expressivos. Em maio, a Nvidia informou lucro de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 26 de abril. O resultado representou crescimento de 211% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números ajudam a explicar por que os investidores continuam atentos aos resultados e às perspectivas da companhia. Quanto maior a demanda por inteligência artificial, maior tende a ser a necessidade de equipamentos capazes de fornecer a capacidade computacional necessária para sustentar esses sistemas.

O papel dos chips no avanço da IA

Entre os produtos mais conhecidos da Nvidia estão as unidades de processamento gráfico, conhecidas pela sigla GPU. Embora tenham sido desenvolvidas originalmente com forte aplicação no mercado de jogos eletrônicos, essas peças ganharam uma nova dimensão com o avanço da inteligência artificial.

Modelos modernos de IA precisam realizar uma quantidade gigantesca de cálculos simultaneamente. As GPUs são especialmente adequadas para esse tipo de tarefa e, por isso, passaram a ser utilizadas em larga escala no treinamento de grandes modelos.

Os chips H100 e A100 estão entre os produtos mais importantes da Nvidia nesse segmento. A companhia também desenvolveu a arquitetura Blackwell, representada por chips como o B100, projetada para oferecer maior capacidade de processamento, desempenho e eficiência energética.

O H100, por exemplo, tornou-se um dos processadores mais procurados para aplicações de inteligência artificial. O preço de cada unidade pode chegar a dezenas de milhares de dólares, dependendo da configuração e das condições de mercado.

A dimensão da demanda ajuda a explicar a importância estratégica desses componentes. Sistemas de inteligência artificial generativa exigem grandes conjuntos de GPUs para funcionar em escala, especialmente quando são utilizados por milhões de pessoas simultaneamente.

Em 2023, o empresário Elon Musk chegou a fazer uma comparação irônica sobre a dificuldade de encontrar esses processadores, dizendo que as GPUs eram mais difíceis de conseguir do que drogas. A declaração refletia a forte procura por componentes capazes de atender à explosão da demanda por inteligência artificial naquele período.

Nvidia também tem ligação com o mercado de games

Apesar de atualmente estar fortemente associada à inteligência artificial, a Nvidia construiu sua trajetória no mercado de gráficos e jogos eletrônicos.

A empresa desenvolveu algumas das principais tecnologias utilizadas para processamento gráfico em computadores pessoais e sistemas de jogos. Suas GPUs são conhecidas por oferecer elevado desempenho para renderização de imagens, recursos gráficos avançados e aplicações que exigem grande capacidade computacional.

Essa experiência acumulada ao longo de décadas ajudou a companhia a se posicionar em um momento em que a capacidade de processamento paralelo passou a ser fundamental para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

A transformação do negócio mostra como uma tecnologia originalmente associada aos videogames encontrou uma aplicação muito mais ampla. Hoje, os mesmos princípios de processamento utilizados para produzir gráficos complexos também são empregados em centros de dados responsáveis por treinar modelos avançados de IA.

Nvidia não fabrica diretamente a maior parte de seus chips

Apesar de desenvolver a arquitetura e projetar seus processadores, a Nvidia não concentra em suas próprias instalações toda a fabricação dos chips.

Grande parte da produção é realizada pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, conhecida pela sigla TSMC, uma das maiores fabricantes de semicondutores do mundo.

Esse modelo permite que a Nvidia concentre esforços no desenvolvimento de arquiteturas, softwares e soluções de computação, enquanto empresas especializadas realizam etapas fundamentais da fabricação.

A cadeia de produção, entretanto, é muito mais ampla. A fabricação de chips avançados depende de uma extensa rede internacional de fornecedores, equipamentos, materiais e conhecimentos especializados, com forte participação de empresas de Taiwan.

Por isso, o avanço da Nvidia também está relacionado a uma cadeia global de tecnologia que envolve fabricantes de semicondutores, empresas de equipamentos industriais, fornecedores de componentes e grandes operadores de data centers.

Novo ciclo de investimentos em inteligência artificial

A valorização das ações da Nvidia ocorre em um momento de forte expectativa em torno da expansão da inteligência artificial. Segundo informações da Bloomberg citadas no mercado, o lançamento do Muse AI, novo agente de inteligência artificial da Meta, também contribuiu para aumentar o otimismo dos investidores em relação ao setor.

O sistema foi apresentado como um assistente capaz de executar determinadas ações em nome dos usuários, podendo interagir com diferentes serviços e informações digitais, dependendo das permissões concedidas.

A movimentação reforça uma tendência que vem sendo observada no setor: a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta experimental e passa a ocupar espaço em atividades cada vez mais integradas à rotina de pessoas e empresas.

Esse processo exige investimentos crescentes em infraestrutura. Para que agentes de IA, modelos generativos e outros sistemas funcionem em escala, são necessários data centers com enorme capacidade de processamento.

É justamente nesse ponto que a Nvidia ocupa uma posição estratégica.

Fortuna acompanha valorização da empresa

O salto na fortuna de Jensen Huang é, portanto, consequência direta da valorização da Nvidia e de sua participação na companhia. À medida que os investidores elevam o valor atribuído à empresa, o patrimônio associado às ações também aumenta.

A marca de US$ 200 bilhões coloca Huang entre um grupo restrito de empresários cuja riqueza está diretamente ligada à expansão das grandes empresas de tecnologia.

Mais do que um número individual, o patrimônio do executivo simboliza a dimensão econômica alcançada pela corrida pela inteligência artificial.

A Nvidia, que ganhou notoriedade inicialmente por seus produtos voltados aos gráficos de computadores e jogos, tornou-se uma peça fundamental da infraestrutura tecnológica utilizada no desenvolvimento da nova geração de sistemas de IA.

O movimento das ações mostra que o mercado continua atribuindo grande importância ao potencial de crescimento dessa tecnologia. Ao mesmo tempo, a valorização expressiva da empresa também coloca sobre a Nvidia expectativas cada vez maiores em relação à capacidade de manter o ritmo de inovação, atender à demanda global e sustentar seus resultados.

Enquanto governos, empresas e consumidores ampliam o uso da inteligência artificial, fabricantes de chips e fornecedores de infraestrutura passaram a ocupar um papel central nessa transformação. Nesse cenário, Jensen Huang aparece como um dos principais representantes de uma indústria que deixou de ser restrita ao universo tecnológico e passou a influenciar diretamente a economia mundial.