Embaixadas estrangeiras no Brasil reforçaram, nesta sexta-feira (2), orientações de segurança destinadas a seus cidadãos que estão no país ou pretendem viajar para cá durante o período eleitoral. Os comunicados mencionam a possibilidade de manifestações, grandes aglomerações, alterações no trânsito e eventuais confrontos antes, durante e depois das eleições gerais, marcadas para este domingo (4).
A movimentação ganhou maior repercussão depois que os Estados Unidos suspenderam temporariamente os serviços consulares em sua embaixada em Brasília e nos consulados instalados em outras cidades brasileiras. A Austrália também anunciou a suspensão de seus atendimentos presenciais por questões de segurança. Os dois governos não detalharam inicialmente quais ameaças motivaram as medidas.
Canadá, Reino Unido, Irlanda e Alemanha também atualizaram ou reforçaram orientações para seus cidadãos, principalmente em relação a manifestações políticas e à possibilidade de alterações rápidas no cenário de segurança durante o processo eleitoral.
O cenário levou ainda a uma operação preventiva da Polícia Federal, que cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas norte-americanas.
Apesar da preocupação inicialmente apontada, a PF informou que, até o momento, não encontrou elementos que confirmassem os riscos investigados nem identificou suspeitos ligados a organizações criminosas. As investigações continuam com a análise dos materiais apreendidos.
Estados Unidos suspendem atendimento presencial
A Embaixada dos Estados Unidos comunicou que os serviços consulares em suas representações no Brasil seriam suspensos a partir desta sexta-feira (2), alegando preocupações relacionadas à segurança.
A orientação também alcançou os consulados norte-americanos no país. Cidadãos dos Estados Unidos que precisassem de atendimento emergencial foram orientados a não comparecer pessoalmente às instalações diplomáticas e a entrar em contato com o funcionário de plantão responsável pelo atendimento.
O governo norte-americano não informou inicialmente a natureza específica da ameaça que levou à suspensão.
Segundo informações obtidas pela Reuters, funcionários da embaixada em Brasília foram orientados a trabalhar de casa nesta sexta-feira após uma ameaça. A agência informou que a representação diplomática não detalhou publicamente a natureza do risco.
Posteriormente, informações divulgadas pela imprensa brasileira apontaram que uma ameaça publicada em rede social teria sido levada em consideração pelas autoridades. A Folha informou que a investigação chegou ao possível autor da ameaça, mas não encontrou elementos que confirmassem um risco concreto às instalações.
A diferença entre a existência de uma ameaça e a confirmação de um risco efetivo é importante. No caso investigado pela PF, a corporação afirmou expressamente que os elementos encontrados até o momento não corroboraram os riscos inicialmente apontados.
Austrália também fecha atendimento
A Austrália acompanhou a decisão dos Estados Unidos e anunciou a suspensão de seus serviços presenciais no Brasil nesta sexta-feira.
A medida ocorreu dois dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras. Em seu comunicado, o governo australiano citou questões de segurança e fez referência à possibilidade de riscos durante o período eleitoral. Informações divulgadas pela Agência Brasil também apontaram que o governo australiano mencionou a possibilidade de terrorismo em suas orientações.
Estados Unidos e Austrália fazem parte do grupo de cooperação de inteligência conhecido como Five Eyes, ao lado de Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia. A coincidência das medidas chamou atenção no cenário diplomático, embora os governos tenham apresentado suas próprias orientações de segurança.
Canadá recomenda cautela
O Canadá optou por manter suas representações abertas, mas atualizou as recomendações direcionadas a cidadãos canadenses no Brasil.
O governo orientou que os cidadãos tenham cautela durante o período eleitoral e evitem áreas onde ocorram manifestações ou grandes aglomerações.
A recomendação canadense considera a possibilidade de realização de comícios, protestos políticos e reforço das medidas de segurança antes, durante e depois das eleições.
O comunicado também alerta que manifestações podem provocar alterações no transporte e na circulação de pessoas.
A orientação é semelhante à adotada por outros governos estrangeiros, que recomendam aos cidadãos acompanhar as informações locais e seguir as instruções das autoridades brasileiras.
Reino Unido e Irlanda também alertam
O Reino Unido havia atualizado seu alerta de segurança para o Brasil em 29 de setembro. O governo britânico informou que manifestações podem ocorrer em diferentes regiões do país sem aviso prévio e que a situação pode mudar rapidamente.
A recomendação inclui atenção especial a áreas de grandes concentrações de pessoas e locais onde ocorram manifestações políticas.
A Irlanda também orientou seus cidadãos a manter um elevado grau de cautela durante o período eleitoral.
O governo irlandês destacou que protestos políticos são frequentes no Brasil e podem provocar impactos no trânsito e no transporte público. Também alertou para a possibilidade de manifestações relacionadas às eleições.
Esses avisos são direcionados principalmente a cidadãos estrangeiros e não significam, por si só, que os governos estejam prevendo a ocorrência de violência ou confrontos em todo o território brasileiro.
Alemanha menciona possibilidade de confrontos
A Alemanha também divulgou orientações relacionadas ao período eleitoral.
O governo alemão alertou que manifestações de motivação política, protestos espontâneos e possíveis confrontos violentos não podem ser descartados. O comunicado também destacou que protestos podem provocar bloqueios de vias, interrupções no trânsito e mudanças rápidas na situação local.
Assim como nos demais alertas, a orientação alemã não estabelece que manifestações ocorrerão necessariamente. O objetivo é orientar cidadãos sobre situações que podem surgir em um período de maior movimentação política.
Polícia Federal realiza operação preventiva
No mesmo dia em que os Estados Unidos mantiveram suspensos os serviços consulares, a Polícia Federal realizou uma operação para investigar possíveis ameaças contra instalações diplomáticas norte-americanas.
Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão: um em São Paulo e outro no entorno do Distrito Federal.
Segundo a PF, a ação foi preventiva e resultou de uma investigação sigilosa conduzida em cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras.
Equipamentos de comunicação e mídias foram apreendidos e serão analisados pelos investigadores.
Em nota oficial, a Polícia Federal afirmou que não foram encontrados, até aquele momento, elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados. A corporação também informou que não identificou suspeitos de envolvimento com organizações criminosas.
As investigações, contudo, permanecem em andamento.
Segurança reforçada em Brasília
A suspensão dos atendimentos diplomáticos também provocou reforço da segurança no entorno da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília.
A movimentação ocorre em um momento em que a capital federal concentra grande parte das atenções políticas e institucionais do país devido à proximidade das eleições.
O objetivo das forças de segurança é preservar as instalações diplomáticas e evitar situações que possam colocar funcionários ou visitantes em risco.
Apesar do reforço, a PF informou que as buscas realizadas nesta sexta-feira não confirmaram, até o momento, uma ameaça concreta às instalações.
Eleições aumentam atenção internacional
O primeiro turno das eleições brasileiras será realizado neste domingo (4). Durante o período eleitoral, manifestações, atos políticos e grandes concentrações de pessoas podem ocorrer em diferentes cidades do país.
Por esse motivo, governos estrangeiros costumam atualizar suas recomendações de segurança para cidadãos que vivem ou estão viajando pelo Brasil.
Neste ano, entretanto, a situação ganhou uma dimensão adicional com a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos e da Austrália e a operação realizada pela Polícia Federal.
A proximidade entre as medidas e a data da votação também ampliou a atenção internacional sobre o cenário brasileiro.
Ainda assim, é necessário separar os diferentes acontecimentos. Os alertas de viagem mencionam riscos relacionados a manifestações e movimentações políticas, enquanto a operação da PF trata de uma investigação específica sobre possíveis ameaças a instalações diplomáticas dos Estados Unidos.
Até o momento, a Polícia Federal não confirmou a existência de um plano de ataque ou de uma ameaça concreta vinculada a organizações criminosas.
Orientação é acompanhar informações oficiais
Com as eleições se aproximando, governos estrangeiros recomendam que seus cidadãos evitem grandes aglomerações, acompanhem as notícias e sigam as determinações das autoridades locais.
No caso dos Estados Unidos, a orientação é ainda mais específica: cidadãos que necessitem de assistência emergencial devem procurar contato com o funcionário de plantão, em vez de se dirigir às instalações diplomáticas enquanto o atendimento presencial estiver suspenso.
A previsão para a retomada dos serviços presenciais não havia sido detalhada no momento dos comunicados.
O cenário permanece sob acompanhamento das autoridades brasileiras e estrangeiras. Enquanto os eleitores se preparam para comparecer às urnas neste domingo, as forças de segurança mantêm atenção reforçada, e as representações diplomáticas seguem monitorando as condições de segurança em diferentes regiões do país.
A Polícia Federal, por sua vez, continua analisando os materiais apreendidos na operação desta sexta-feira. Até que as investigações avancem, a corporação mantém a informação de que não foram encontrados elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados.
O momento exige, portanto, atenção às informações oficiais e cautela na circulação de notícias não verificadas, especialmente em um período eleitoral marcado por grande movimentação política e intensa circulação de informações nas redes sociais.












