A Colômbia autorizou a realização de operações militares conjuntas com os Estados Unidos para combater grupos armados e redes ligadas ao narcotráfico. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante uma reunião da Coalizão das Américas contra Cartéis, realizada na Cidade do Panamá.
Segundo Hegseth, o governo do recém-empossado presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, autorizou a participação norte-americana em ações destinadas a combater organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas. A declaração ocorre poucos dias depois da posse do novo presidente, que assumiu o cargo com a promessa de endurecer o combate ao crime organizado e às plantações ilícitas.
Durante o encontro, Hegseth deu as boas-vindas à Colômbia à coalizão liderada por Washington e destacou a aproximação entre os dois governos na área de segurança. O ministro da Defesa colombiano, o major-general da reserva Jorge Eduardo Mora, participou das discussões.
A entrada da Colômbia representa uma mudança importante na política de segurança do país. De la Espriella assumiu a Presidência em 7 de agosto e prometeu adotar uma postura mais rígida contra grupos armados, o narcotráfico e o cultivo de coca, rompendo com a estratégia de negociação adotada pelo governo anterior de Gustavo Petro.
Aproximação entre Bogotá e Washington
A nova parceria também ocorre em meio ao fortalecimento da cooperação militar entre Colômbia e Estados Unidos. O governo norte-americano anunciou um plano de aproximadamente US$ 1 bilhão em assistência de segurança para o país sul-americano.
Hegseth afirmou ainda que os Estados Unidos pretendem ampliar a atuação conjunta contra organizações criminosas e comparou os grupos de narcotráfico a organizações terroristas internacionais. Em discursos recentes, o secretário tem defendido uma estratégia mais militarizada para enfrentar essas redes.
A reunião no Panamá também serviu para Hegseth defender uma nova visão da política de segurança dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental. Ele chegou a utilizar o termo “Doutrina Donroe”, uma referência ao presidente Donald Trump e à histórica Doutrina Monroe, ao defender uma atuação mais direta de Washington diante de ameaças consideradas externas ou criminosas.
Debate sobre soberania e uso da força
A ampliação das operações militares norte-americanas na região, entretanto, vem acompanhada de críticas de organizações de direitos humanos e especialistas em direito internacional. As ações dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas já provocaram questionamentos sobre a legalidade do uso da força e sobre a proteção de civis.
Hegseth, por sua vez, criticou o Tribunal Penal Internacional e incentivou países aliados a rejeitarem iniciativas que, segundo ele, poderiam limitar a soberania nacional.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, que recebeu a reunião, defendeu a cooperação regional e afirmou que grupos criminosos envolvidos com tráfico de drogas e pessoas representam uma ameaça à soberania dos países.
A aproximação entre Colômbia e Estados Unidos coloca o país novamente no centro da estratégia antidrogas de Washington na América Latina. Para o governo de De la Espriella, a prioridade declarada é recuperar o controle de áreas dominadas por grupos armados e reduzir a influência do narcotráfico.











