A possibilidade de um ataque com um MANPADS, sistema de defesa aérea portátil capaz de atingir aeronaves em determinadas condições, levou as autoridades dos Estados Unidos a adotarem uma operação secreta de segurança durante a saída do presidente Donald Trump da Turquia, em julho.

A operação foi revelada pela imprensa norte-americana e posteriormente confirmada por Trump. Segundo as informações divulgadas, uma ameaça considerada crível levou o Serviço Secreto a recomendar que o presidente não deixasse o país a bordo do avião presidencial, o tradicional Air Force One.

Trump chegou a aparecer publicamente embarcando na aeronave. No entanto, depois de entrar no avião, foi conduzido discretamente até um caminhão de alimentos conectado à aeronave. De lá, ele foi levado para outro avião norte-americano, normalmente utilizado por autoridades do governo.

Segundo a ABC News, o plano teria sido organizado pelo Serviço Secreto aproximadamente quatro ou cinco horas antes da decolagem prevista.

O que são os MANPADS?

A sigla MANPADS, em inglês, significa Man-Portable Air-Defense Systems, ou sistemas portáteis de defesa aérea. São equipamentos que permitem o lançamento de mísseis antiaéreos a partir do solo por um operador.

Esses sistemas foram desenvolvidos principalmente para enfrentar ameaças aéreas de baixa altitude e podem ser utilizados contra aviões, helicópteros e drones, dependendo do modelo e das condições do alvo.

De acordo com especialistas citados nas informações divulgadas pela imprensa americana, entre os modelos que poderiam estar relacionados à ameaça estão os iranianos Misagh-1 e Misagh-2, além dos chineses QW-1 e QW-18, sistemas que também possuem versões utilizadas por diferentes forças militares.

Por que um avião presidencial poderia ser ameaçado?

Apesar de ser uma das aeronaves mais protegidas do mundo, o Air Force One não depende de um único mecanismo para garantir a segurança do presidente.

A proteção envolve diferentes camadas, incluindo inteligência, planejamento de rotas, escolta militar, sensores, sistemas de alerta e contramedidas eletrônicas.

O momento mais delicado, segundo especialistas, seria uma eventual tentativa de ataque durante a decolagem ou em uma fase de voo em baixa altitude. Nessa situação, a distância entre o lançador e a aeronave poderia ser um fator determinante.

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, explicou que a proteção da aeronave presidencial começa antes mesmo de um eventual disparo.

“A primeira defesa é evitar que o míssil seja disparado, ou reduzir a possibilidade de a aeronave ser alvejada, ou de o presidente estar nela”, afirmou.

A ameaça durante a saída da Turquia

Trump estava na Turquia para participar de uma cúpula da Otan e deixou o país em 8 de julho. Na ocasião, autoridades americanas avaliaram que existia uma ameaça considerada crível contra o presidente.

Segundo as informações divulgadas, a inteligência dos Estados Unidos teria recebido dados sobre uma possível célula iraniana infiltrada em território turco e equipada com um sistema portátil de mísseis. O Washington Post informou que os dados teriam sido repassados pelo governo de Israel.

A preocupação das autoridades era que integrantes dessa célula pudessem se aproximar da comitiva presidencial e tentar atingir a aeronave durante uma etapa vulnerável do deslocamento.

Diante do risco, o Serviço Secreto optou por uma medida incomum: retirar Trump do avião presidencial sem chamar atenção e transferi-lo para outra aeronave.

A estratégia mostra como a segurança de chefes de Estado envolve não apenas equipamentos sofisticados, mas também mudanças de última hora, uso de informações de inteligência e medidas destinadas a impedir que possíveis ameaças tenham acesso à localização exata do presidente.

No caso de Trump, a operação permaneceu em sigilo até ser revelada pela imprensa americana semanas depois, transformando uma simples troca de aeronave em uma das operações de segurança mais discretas envolvendo o presidente dos Estados Unidos durante sua passagem pela região.