Três homens foram presos na manhã desta quinta-feira (13), suspeitos de utilizar o nome e a imagem do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para aplicar golpes e arrecadar falsas doações. As prisões foram realizadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em duas cidades brasileiras: Imperatriz, no Maranhão, e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.

Segundo as investigações, o grupo teria mantido o esquema durante anos e abordava possíveis vítimas por meio de ligações telefônicas e mensagens. Durante os contatos, os suspeitos se apresentavam como representantes da organização internacional e solicitavam transferências de dinheiro, principalmente por meio do Pix.

A investigação aponta que o golpe vinha sendo aplicado desde 2014. Ao longo desse período, pessoas de diferentes estados teriam sido abordadas pelos suspeitos. Uma das vítimas identificadas chegou a transferir R$ 10 mil aos investigados.

O valor total que teria sido arrecadado pelo grupo durante os anos de atuação ainda não foi informado pelas autoridades.

O caso chama atenção não apenas pelo prejuízo financeiro causado às vítimas, mas também pela forma como a confiança em uma organização reconhecida internacionalmente teria sido utilizada para convencer pessoas a fazer doações destinadas, supostamente, a ajudar crianças.

Suspeitos teriam criado empresa usando nome do UNICEF

De acordo com a Polícia Civil, os investigados chegaram a abrir uma conta como Microempreendedor Individual (MEI) utilizando o nome do UNICEF. A estrutura teria sido usada para dar aparência de legitimidade à abordagem feita às vítimas.

Com a utilização da imagem da organização, os suspeitos solicitavam transferências e faziam com que as pessoas acreditassem que estavam contribuindo para ações voltadas à proteção e ao atendimento de crianças.

A estratégia, segundo a investigação, teria funcionado porque os contatos eram apresentados de maneira a transmitir credibilidade. Para quem recebia uma ligação ou mensagem acreditando estar diante de uma solicitação legítima de uma instituição humanitária, a possibilidade de ajudar crianças em situação de vulnerabilidade poderia ser um forte incentivo para realizar a contribuição.

A polícia afirma que foram identificadas vítimas no Distrito Federal e também em outros estados.

Em uma declaração relacionada ao caso, a investigação resumiu o impacto do esquema ao afirmar que, enquanto as vítimas acreditavam estar ajudando crianças, os recursos estariam, na realidade, sendo destinados a uma organização criminosa.

Uma vítima transferiu R$ 10 mil

Entre os casos identificados durante a investigação, uma vítima chegou a realizar uma transferência de R$ 10 mil para os suspeitos.

O episódio mostra como golpes que utilizam nomes de instituições conhecidas podem provocar prejuízos significativos. Além da perda financeira, situações desse tipo também podem gerar frustração e insegurança para pessoas que, inicialmente, tinham a intenção de contribuir com uma causa social.

A polícia ainda não divulgou o montante total movimentado pelo grupo desde o início do suposto esquema, em 2014.

As investigações devem continuar para identificar outras possíveis vítimas, dimensionar o volume de recursos arrecadados e esclarecer a participação individual de cada um dos suspeitos.

UNICEF alerta para cuidados antes de doar

Diante do caso, o UNICEF reforçou a importância de verificar a autenticidade de qualquer contato antes de realizar uma doação.

A organização esclarece que suas equipes podem abordar pessoas durante ações de captação presencial, mas os profissionais devem estar identificados com colete e crachá do UNICEF.

A orientação é especialmente importante porque criminosos podem utilizar logotipos, nomes e imagens de instituições conhecidas para criar uma falsa sensação de segurança.

O UNICEF também informa que, no relacionamento com empresas, institutos e fundações, os contatos são realizados diretamente por meio dos canais oficiais da organização.

Outro alerta importante diz respeito às abordagens presenciais. Segundo a entidade, o UNICEF não solicita doações em dinheiro ou em espécie durante ações de captação.

Por isso, qualquer pessoa que seja abordada por alguém que afirme representar a organização deve verificar a autenticidade do contato antes de entregar dinheiro ou realizar uma transferência.

Como evitar cair em golpes

A orientação das autoridades e da própria organização é que o cidadão tenha cautela diante de pedidos de doação recebidos por telefone, mensagens ou outros meios de contato.

Uma das principais medidas de segurança é evitar transferências imediatas. Mesmo quando a solicitação parece legítima, é importante confirmar a identidade de quem está fazendo o pedido e verificar se os dados para pagamento realmente pertencem à instituição.

Também é recomendável acessar diretamente o site oficial da organização, em vez de utilizar links enviados por desconhecidos. Dessa maneira, o doador pode conferir os canais oficiais de atendimento e as formas autorizadas para contribuição.

No caso do UNICEF, as doações podem ser realizadas pelos canais oficiais disponibilizados pela própria organização.

A entidade também disponibiliza atendimento para pessoas que tenham dúvidas sobre a autenticidade de uma abordagem. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 605 2020, em horário comercial, pelo WhatsApp (61) 99123-0283 ou pelo e-mail amigodacrianca@unicef.org.br.

Doações devem ser feitas pelos canais oficiais

O UNICEF informa que seu trabalho é financiado por doações de pessoas físicas, empresas, institutos, fundações e governos. Para garantir a segurança dos doadores, a organização orienta que as contribuições sejam realizadas exclusivamente por seus canais oficiais.

Entre os canais indicados estão o site unicef.org.br e a plataforma de doações help.unicef.org/brazil.

A organização também possui chaves Pix oficiais vinculadas a diferentes bancos. Antes de realizar uma transferência, o doador deve confirmar os dados diretamente nos canais oficiais do UNICEF.

A orientação é especialmente relevante diante do avanço de golpes digitais e da facilidade com que criminosos conseguem reproduzir logotipos, nomes e materiais de instituições conhecidas.

Investigados podem responder por quatro crimes

Segundo a Polícia Civil, os três homens presos poderão responder, em tese, por crimes como estelionato eletrônico, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.

As penas máximas previstas para os crimes apontados, consideradas em conjunto e conforme o enquadramento jurídico de cada investigado, podem chegar a 21 anos de reclusão, além de multa.

A responsabilização individual dependerá do que for comprovado durante a investigação e do entendimento da Justiça.

As prisões representam uma etapa importante da apuração, mas o caso ainda deverá seguir os procedimentos legais. Os suspeitos terão direito à defesa e serão submetidos ao devido processo legal.

Alerta para quem deseja ajudar

O caso também deixa uma mensagem importante para quem costuma contribuir com projetos sociais. A solidariedade continua sendo fundamental para organizações que trabalham em defesa de crianças e populações vulneráveis, mas é preciso garantir que o dinheiro chegue realmente às instituições e aos projetos que precisam dos recursos.

Golpes como o investigado podem atingir justamente pessoas que estão dispostas a ajudar e que, de boa-fé, acreditam estar fazendo uma contribuição para uma causa importante.

Por isso, antes de realizar qualquer doação, vale reservar alguns minutos para conferir a origem do pedido, pesquisar os canais oficiais e confirmar os dados bancários.

A recomendação do UNICEF é clara: em caso de dúvida, não faça a transferência até que a autenticidade seja confirmada.

A prisão dos três suspeitos em Imperatriz e Lucas do Rio Verde reforça ainda a importância da investigação e da denúncia. Pessoas que acreditam ter sido vítimas de golpes semelhantes devem procurar as autoridades e guardar comprovantes, mensagens, números de telefone e demais informações que possam ajudar na apuração.

Enquanto a investigação avança, o principal alerta permanece: a solidariedade deve ser acompanhada de segurança. Antes de contribuir, confirme quem está recebendo o dinheiro. Uma simples verificação pode evitar prejuízos e impedir que a boa intenção de ajudar seja utilizada por criminosos para financiar atividades ilegais.

O UNICEF reforça que seus canais oficiais são a forma mais segura de confirmar uma solicitação de doação e verificar os meios legítimos para contribuir com o trabalho da organização.