A música brasileira ganha, em setembro, mais um capítulo de uma trajetória marcada pela criatividade, pela tradição do samba e pela capacidade de transformar a percussão em linguagem própria. Aos 75 anos, o cantor, compositor e ritmista carioca Índio da Cuíca se prepara para lançar o segundo álbum solo da carreira, “Zing zing”, previsto para chegar às plataformas no dia 3 de setembro pelo selo QTV.
O novo trabalho surge cinco anos depois de “Malandro 5 estrelas”, álbum que marcou a estreia solo do artista, em 2021. Agora, em “Zing zing”, Índio amplia a experiência iniciada no primeiro disco e apresenta um repertório que reúne composições autorais, parcerias e releituras, além de participações especiais de nomes importantes da música brasileira contemporânea, como Siba, Ana Frango Elétrico e Juçara Marçal.
Nascido Francisco Tavares Machado, em 5 de maio de 1951, no Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, Índio da Cuíca construiu uma trajetória profundamente ligada ao samba e à percussão. Ao longo dos anos, desenvolveu um estilo próprio, reconhecido pelo caráter performático e pela habilidade de transformar a cuíca em um instrumento capaz de assumir diferentes funções dentro da música.
O novo álbum é, portanto, mais do que uma sequência de “Malandro 5 estrelas”. É também uma oportunidade para o público conhecer outras dimensões da criação de um artista que há décadas participa da construção da identidade musical carioca.
Um álbum nascido de ideias registradas em voz e cuíca
“Zing zing” tem uma particularidade interessante em seu processo de criação. Grande parte do repertório nasceu de uma série de gravações feitas pelo próprio Índio da Cuíca de maneira espontânea.
O artista registrava, em áudios de voz e cuíca, ideias, melodias e temas ainda em estado bruto. Essas gravações serviram posteriormente como ponto de partida para a construção das músicas que foram levadas ao estúdio.
A proposta permitiu preservar uma característica importante do processo criativo de Índio: a espontaneidade.
Sob direção artística de Bernardo Oliveira e Paulinho Bicolor, o álbum procura justamente valorizar a personalidade performática do ritmista, conhecido por atuar dentro de uma linha considerada “malabarista”, marcada pela exploração criativa das possibilidades da cuíca.
A direção musical e os arranjos ficaram sob responsabilidade de Gabriel de Aquino, filho do artista e também músico. Ele toca violão e guitarra ao longo das 11 faixas do disco, contribuindo para transformar as ideias iniciais do pai em arranjos completos.
Uma equipe de músicos para dar forma ao repertório
Para construir a sonoridade de “Zing zing”, Gabriel de Aquino e os produtores reuniram um grupo diversificado de instrumentistas.
Participam do álbum Alaan Monteiro, no bandolim; João Rafael, no baixo; Luizinho do Jêje, nas percussões; Pedro Fonseca, no piano e sintetizador; Thiago Castro, nas percussões; e Thiago Silva, na bateria.
O resultado é um trabalho que mantém a presença central da percussão, mas não se limita a ela.
Os instrumentos se juntam para criar uma sonoridade capaz de dialogar com diferentes tradições da música brasileira, mantendo o samba como uma das principais referências.
Essa característica aparece também na escolha do repertório.
Embora grande parte das 11 faixas seja formada por composições de Índio da Cuíca, o álbum abre espaço para parceiros de diferentes gerações e trajetórias.
Parcerias ampliam a identidade do disco
Entre as músicas assinadas exclusivamente por Índio da Cuíca estão “Preto velho” e “Toca lúna”, esta última composta pelo ritmista utilizando o berimbau.
Outras composições ganharam letras ou participações de diferentes artistas.
É o caso de “Cangalha do boi”, um samba-embolada que reúne Índio da Cuíca e os compositores João Martins e Raul Di Caprio, com participação especial de Siba.
A presença de Siba acrescenta ao álbum uma conexão com outras tradições da música popular brasileira, ampliando o diálogo entre ritmos e formas de composição.
Outra parceria aparece em “Sabença e dendê”, que conta com composição de Manu da Cuíca.
Já em “Alguém me chama”, a composição ganha a assinatura de Romulo Fróes e a voz de Ana Frango Elétrico.
A participação da cantora acrescenta uma camada contemporânea ao repertório de Índio, aproximando diferentes gerações e linguagens da música brasileira.
Juçara Marçal participa com samba inédito
Entre os destaques de “Zing zing” está ainda a participação de Juçara Marçal, que contribui com o inédito samba “Gracinha”.
Conhecida por sua atuação em projetos que transitam por diferentes vertentes da música brasileira, Juçara soma sua personalidade artística ao novo trabalho de Índio da Cuíca.
A inclusão de uma composição inédita de Juçara reforça uma das características do álbum: a capacidade de aproximar o samba tradicional de artistas que também experimentam novas possibilidades dentro da música brasileira.
O encontro entre os dois artistas representa, assim, uma espécie de diálogo entre experiências e gerações.
Releituras também fazem parte do repertório
Apesar de ser essencialmente autoral, “Zing zing” também reserva espaço para três regravações.
Entre elas está o samba-enredo “Magia africana no Brasil e seus mistérios”, de Jorge Machado, lançado originalmente em 1975 pela escola de samba Unidos da Tijuca.
A escolha não parece aleatória diante da trajetória de Índio da Cuíca e de sua ligação com o samba.
Ao revisitar uma obra associada à história da Unidos da Tijuca, o artista também estabelece uma ponte com a memória do carnaval carioca e com uma tradição musical que ajudou a formar sua própria identidade.
As regravações funcionam, dessa maneira, como uma conversa entre passado e presente.
De um lado, estão as referências que ajudaram a construir a formação artística do ritmista. Do outro, aparecem novas composições e parcerias que apontam para a continuidade dessa história.
Aos 75 anos, artista reafirma sua criatividade
O lançamento de “Zing zing” ganha um significado especial por acontecer quando Índio da Cuíca completa 75 anos.
Nascido e criado em uma comunidade da Zona Norte do Rio, o artista carrega em sua trajetória elementos fundamentais da cultura popular carioca.
Sua relação com a cuíca ultrapassa o papel tradicional do instrumento dentro de uma bateria de escola de samba. Em suas mãos, ela ganha personalidade, movimento e protagonismo.
Essa característica está diretamente ligada ao conceito performático que acompanha sua carreira.
O segundo álbum solo surge, portanto, como uma demonstração de que a criatividade não está limitada a uma determinada idade ou período da vida.
Pelo contrário: “Zing zing” mostra um artista disposto a continuar experimentando, compondo e dialogando com novos nomes da música brasileira.
Filho também participa da construção do trabalho
A presença de Gabriel de Aquino acrescenta outro aspecto especial ao álbum.
Filho do violonista João de Aquino, Gabriel assumiu a direção musical e os arranjos de “Zing zing”, além de tocar violão e guitarra.
A participação cria uma conexão familiar dentro do processo de produção.
Gabriel não apenas acompanha o trabalho do pai, mas ajuda a transformar suas ideias musicais em uma obra estruturada, trabalhando diretamente na construção dos arranjos.
O resultado é uma produção que reúne experiência, memória e novas possibilidades sonoras.
“Zing zing” chega em setembro
Com 11 faixas e uma combinação de músicas autorais, parcerias e regravações, “Zing zing” será lançado oficialmente no dia 3 de setembro, pelo selo QTV.
O álbum chega cinco anos depois da estreia solo de Índio da Cuíca e reforça a importância de preservar, ao mesmo tempo em que se renova, a tradição do samba e da música popular brasileira.
A participação de nomes como Siba, Ana Frango Elétrico e Juçara Marçal amplia o alcance do projeto e cria encontros entre diferentes gerações e linguagens.
Para Índio da Cuíca, o novo trabalho representa mais uma oportunidade de colocar sua criatividade em movimento.
Aos 75 anos, o artista continua explorando sons, ritmos e possibilidades, mantendo a cuíca no centro de sua identidade musical.
“Zing zing” chega, assim, como um álbum que olha para a tradição sem ficar preso ao passado. Entre o samba, a percussão, o carnaval e novas experiências, Índio da Cuíca reafirma que a música brasileira continua encontrando caminhos para se reinventar — e que algumas histórias, quando carregadas de talento e memória, ainda têm muitos capítulos para contar.














